terça-feira, 21 de agosto de 2012

A lógica e as expectativas do parque Órion que será construído em Lages

Lages, 21/08/2012,Correio Lageano



O combustível para se produzir tecnologia e inovação dentro do Órion envolve empreendedores, governo e universidades




Com o edital de construção previsto para setembro, o parque Órion chegou a ser comparado pelo governador Raimundo Colombo a institucionalização da educação no início do século XX. Será mais um passo de um projeto que começou em 2002, com a inauguração do Senai.



Segundo dados da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores, a cada dólar investido em parques tecnológicos, o estado recebe de volta, em forma de impostos US$ 1,50. Tomando por conta esse dado, o Órion pode retornar R$ 9,2 milhões por ano. Para o secretário de desenvolvimento econômico de Lages, Carlos Eduardo de Liz (Caco), números são “meros achismos”, mas já tem dados científicos do que pode vir a ser o parque.



Caco explica que, com base na experiência da incubadora de empresas Midi Lages, existe um período de dois anos de maturação. Depois as empresas começam a dar lucro. O secretário estadual de assuntos estratégicos, Paulo César da Costa, conta que Lages já tem um ambiente propício para o desenvolvimento de tecnologia e inovação.



A aposta do estado, explica ele, é nas áreas de tecnologia da informação e biotecnologia.
O maior número de doutores em biotecnologia no estado fica em Lages. São quase 60, a maioria provém da Udesc. O diretor do CAV/Udesc, Cleimon Dias, alerta, que os doutores são focados em pesquisa acadêmica, e geralmente, não são de aplicação direta no mercado.



Para Caco, o parque fará essa ponte entre mercado e academia. Os gestores do Órion farão o papel de buscar as demandas das empresas e buscar suprir com o conhecimento da universidade. Na opinião dele, só tem chances de dar errado no caso da administração não ser técnica. “Se for outro modelo de gestão, corre risco de empacar”, diz, ressaltando que a atual composição gerencial favorece um bom resultado.



Existe mão de obra em Lages?




O parque tecnológico Celta, em Florianópolis, é a base do modelo adotado pelo Órion Parque. Segundo o presidente da Fapesc (que funciona no Celta), Sérgio Gargioni, o grande trunfo da consolidação e do sucesso dos parques tecnológicos da capital é a formação de mão de obra qualificada. “Lages vai precisar de um investimento forte em universidades, centros de pesquisa para gerar gente qualificada e empreendedora”.



Segundo o secretário municipal de desenvolvimento econômico, Carlos Eduardo de Liz, a cidade está se preparando desde 2002 para criar um parque de inovação tecnológica. Foram instalados cursos de engenharia na Uniplac e Udesc, além da instalação do Senai. “No Senai, tinha 50 alunos de início, agora tem 1.700”.



Já na Uniplac, não existia aluno algum nas engenharias há 12 anos, agora são aproximadamente mil, conta o secretário. Por outro lado, o empresário e vice-presidente do Órion Parque, Valmir Tortelli, ainda há muita demanda de mão de obra qualificada. O secretário afirma que Lages, “infelizmente”, está em uma posição confortável nessa questão. “Enquanto outras cidades roubam gente de um lugar para outro, aqui temos gente sobrando para qualificar”.


Biotecnologia a serviço da indústria


Os doutores em biotecnologia provêm do Centro Agroveterinário (CAV) da Udesc. O diretor deste campus, Cleimon Dias, explica que essas pessoas são pesquisadores acadêmicos, e nem tudo tem uma aplicação prática imediata no mercado. Além disso, ele considera biotecnologia, um termo muito amplo. “A nossa participação no Órion está embrionária, mas esperamos contribuir na medida em que as demandas provocadas pelas empresas que se instalam ali surjam”, explica.



Ele dá dois exemplos de pesquisas diferentes feitas no CAV, que são biotecnologia. Uma é sobre a poda de videiras, outra, sobre uma técnica de redução de mortes na coleta de gametas de ouriços-do-mar. “Para que servem gametas de ouriços do mar? É um indicador de poluição marítima, que as companhias petrolíferas precisam”, explica Cleimon.



Quanto à poda de videiras, a aplicação é mais prática. É para aumentar a produção. “A gente não faz patentes disso”, explica. Para este conhecimento chegar aos empresários do Órion, a Udesc estuda a implantação de um escritório no parque. Ainda não se definiu a maneira ideal de se fazer isso.



O diretor do CAV explica que não é simplesmente se instalar lá dentro para repassar o conhecimento. “O secretário estadual de assuntos estratégicos Paulo César da Costa disse que a biotecnologia pode resolver o problema que temos com resíduos de madeira. Nós, no CAV, temos gente para fazer isso, mas é preciso de um empreendedor que monte uma empresa e busque por essa tecnologia”.



O secretário estadual de assuntos estratégicos, Paulo César da Costa, é direto quando se fala do CAV. “Precisamos que se forme negócios em cima das pesquisas feitas lá”.




Os porquês de um parque


“Formar empresas sólidas, com empregos de alto nível e produtos de grande valor agregado”, essa é a proposta de um parque tecnológico, segundo o presidente da Fapesc, Sérgio Gargioni. Ele explica que a grande vantagem para a empresa é o aluguel barato e os incentivos dados pelo estado.



A Controlle, considerada como uma das dez empresas com maior potencial de inovação de Santa Catarina é parceira do Órion e está estudando a implantação no parque. Segundo um dos sócios, Manoel Carlos Correa Solera, “vale a pena” a instalação.



Ele diz isso com propriedade, pois a empresa já possui um processo de inovação dentro de outra incubadora, a Midi Lages. Uma das vantagens, diz ele, é a interação entre as empresas. “Às vezes se nota uma área de mercado que sua empresa pode explorar, mas não conhecia”, explica.



O secretário de desenvolvimento econômico, Carlos Eduardo de Liz, explica que tanto na Midi Lages, quanto no Órion, as empresas são concorrentes apenas na venda. O ambiente cooperativo facilita a busca por soluções.

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