Se por um lado diminuiu o número de mortes em decorrência da Aids, o índice de pessoas infectadas com o vírus aumentou.
Em 2011 houve 2,5 milhões de novas infecções pelo HIV, aumentando o total de soropositivos no mundo para 34,2 milhões. Os últimos números do mais recente Boletim Epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde apontam para um aumento dos casos de contaminação pelo HIV em todas as regiões do país, com exceção da região Sudeste, nos últimos dez anos.
Em Lages, essa realidade não é diferente. De 2011 até agosto deste ano foram 35 novos casos que estão sendo acompanhados pela Secretaria da Saúde. Sem contar as pessoas que não fazem o acompamento. Entre os infectados, o índice maior está entre pessoas de 16 a 49 anos, consideradas sexualmente ativas. Na terceira idade o índice não é grande na Serra Catarinense. “O predomínio de contágios são nas relações sexuais. As pessoas confiam nos seus parceiros e em pouco tempo acabam não usando mais o preservativo, o que não deve acontecer, porque muitas vezes o parceiro também não sabe que tem o vírus”, ressalta a coordenadora do Programa DST/HIV/Aids/HV, Graziele de Oliveira.
Ela lembra, ainda, que muitas pessoas dizem que usavam a camisinha, mas no sexo oral não e nem nas preliminares. “A camisinha deve ser usada em todas as relações, seja oral ou anal, e se o homem não quiser usar, a mulher pode usar o preservativo feminino. Eles são distribuídos de graça no Pronto Atendimento e nas Unidades de Saúde”, comenta Graziele.
O exame de HIV também deve ser feito todos os anos, é gratuito e sigiloso, muitas pessoas tem o vírus e não sabem porque a doença pode demorar anos para se manifestar. O HIV é o vírus da doença e a Aids é a doença propriamente dita.
Mulheres com a doença podem ser mães
No Brasil houve uma drástica diminuição em 55% dos casos de infecção no grupo de crianças menores de cinco anos. Em 2000 foram registrados 863 casos de crianças pequenas com Aids. Em 2011, apenas 482 casos foram registrados. Isso comprova a eficácia da prevenção de transmissão vertical, de mãe para filho. Em Lages, atualmente foram expostas ao vírus 10 crianças e na região da Amures são 13.
Elas são acompanhadas até completarem uma ano e seis meses para depois ser feito o exame de HIV. “Estamos tendo muito sucesso, os exames estão sendo negativos. Lembro que para a criança não ser contagiada é muito importante que a mãe não amamente o filho. Através do leite materno a probabilidade de que a criança seja infectada é muito grande”, ressalta Graziele.
Ela alerta, ainda, que muitas mulheres descobrem que possuem o vírus na gravidez, por isso também a importancia do pré-natal e de realizar os exames de HIV no 1° e no 3° trimestre da gravidez. Latas de leite são distribuídas gratuitamente na Secretaria da Saúde todos os meses para as mães com a doença.
Mortes pela doença diminuem no mundo
Um relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) revela importantes avanços globais no combate à doença. O documento aponta que as mortes causadas pela doença caíram 24% entre 2005 e 2011. Há sete anos, 2,2 milhões de pessoas morreram por causa da doença. Em 2011, foram 1,7 milhão. A redução no número de mortes reflete o aumento do tempo de vida dos soropositivos - que, na década de 1980, era de cinco meses e, hoje, chega a dez anos ou mais.
Nos últimos 12 anos, a mortalidade em decorrência da Aids no Brasil apresentou uma queda de 17%. Os dados mostram ainda que, em 2011, 8 milhões de pessoas com HIV em países subdesenvolvidos recebiam tratamento adequado, número 20% maior do que em 2010 (6,6 milhões). Como consequência, as novas infecções entre crianças baixaram pelo segundo ano consecutivo.
Em 2011, diz a Unaids, 57% das 1,5 milhão de mulheres soropositivas grávidas foram tratadas com antirretrovirais para prevenir a transmissão do vírus a seus filhos. Em 2010, 48% receberam o mesmo tratamento. A melhora nos índices, segundo o relatório, põe o mundo no caminho de obter “uma geração livre de Aids”. Para isso, porém, a Unaids diz que a meta de tratar 15 milhões de soropositivos até 2015 deve ser alcançada.
Preconceito ainda existe
As pessoas que possuem o vírus ou a doença, ainda sofrem muito preconceito. A coordenadora do Programa DST/HIV/Aids/HV, Graziele de Oliveira relata, que mesmo com as constantes campanhas de conscientização, o precoceito ainda é muito grande. “A maioria acaba se afastando quando descobre que a pessoa está infectata e isso não deve acontecer, nenhuma família está livre de ter alguém infectado”, destaca Graziele.
Os números da doença
Lages atende todos os pacientes com HIV ou Aids da região da Amures, no total são 671 pacientes, sendo que 483 somente em Lages:
- 232 mulheres (152 com Aids e 75 com HIV)
- 240 homens (151 com Aids e 89 com HIV)
- 10 crianças (seis com Aids)
- 21 crianças expostas
- 01 gestante
Foto:Silviane Mannrich
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