quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pesquisa lageana cria clone fértil de vaca estéril

Pesquisa lageana cria clone fértil de vaca estéril
Lages, 05/09/2012,Correio Lageano



Cientistas do CAV/Udesc e da Epagri pretendem preservar a raça Flamenga



Lages fez o primeiro clone de vaca estéril do mundo a nascer fértil. Brisa Serrana, como foi batizada a bezerra, faz parte de uma pesquisa para preservação da raça Flamenga. Depois de quase um ano e 32 tentativas depois, Brisa Serrana nasceu saudável e grande, com 47kg. O pesquisador Alceu Mezzalira explica que o fato de nascer uma vaca fértil não é “nenhuma grande novidade”, apesar de ser inédito em termos mundiais.



Isso porque a vaca ‘original’ (de nome Tina) nasceu com uma doença chamada Freemartin, que se desenvolve durante a gestação. Isso faz com que o animal nasça com os órgãos sexuais pouco desenvolvidos e seja estéril. Como o clone não teve os problemas durante a gestação, nasceu fértil.



O pesquisador da Epagri, Fabiano Carminatti Zago, explica que Lages possui o único rebanho puro da raça Flamenga. São cerca de 50 cabeças. Os primeiros animais foram trazidos para Lages há 100 anos e eram apenas machos, usados para reprodução. As fêmeas vieram para a região somente em 1945.



Fabiano explica que essa raça, além da importância histórica, é polivalente, dando tanto carne quanto leite. As Flamengas são de origem francesa, região de Flandres, na divisa com a Bélgica.



Alceu conta que as Flamengas foram trocadas por outras raças mais ‘especializadas’, como as Jersey e Holandesas, grandes produtoras de leite. “Como a Flamenga dá carne e leite, ela não tem alta produção nem de um nem de outro produto”. Ela acaba sendo ideal para pequenos produtores, pois não dá muito trabalho e serve como subsistência para a família. Via de regra, se nascer um touro, pode ser reprodutor ou ir para o açougue. Se nascer vaca, pode produzir leite.



Cópia da cópia


A primeira tentativa de clonar a vaca Tina aconteceu em 2011. 12 animais serviram de ‘barriga de aluguel’ para o clone. O normal é abortar, e somente uma bezerra nasceu. Por ser prematura, teve problemas e morreu após 10 minutos. Deste primeiro clone foram coletadas células para originar o bezerro que nasceu ontem. “Um animal mais novo tem mais chances de dar certo a clonagem”, diz o pesquisador Alceu Mezzalira.



Ainda houve uma segunda tentativa, sem sucesso, com outros 12 animais, e um nasceu morto. Em uma terceira tentativa, com oito vacas, Brisa Serrana nasceu, aparentemente sem problemas de saúde. O nascimento de Brisa Serrana também teve dificuldades. Ela estava mal posicionada e foi preciso fazer uma cesariana na barriga de aluguel.



Vaca original é muito velha




A vaca Tina, usada em pesquisas na Epagri, nasceu em 13 de dezembro de 1991. Ela é considerada muito velha pelos pesquisadores, visto que o normal é um animal desses viver 15 anos. Não se sabe se o clone viverá tanto tempo quanto a vaca original. Tina preserva na orelha esquerda um pequeno furo em formato triangular. Dali os cientistas retiraram as primeiras células para fazer o clone.



Tina
Células da orelha de Tina (vaca estéril) foram retiradas para se fazer os embriões

Foi feito um embrião que se implantou em úteros de 12 vacas. Apenas um nasceu e morreu após 10 minutos. Células desse bezerro foram tiradas para continuar a pesquisa

Embriões do clone que morreu foram implantados em outras 12 vacas. Nenhum bezerro dessa leva sobreviveu

Os mesmos embriões foram colocados em outras oito vacas. Na foto abaixo, a ‘barriga de aluguel’ de Brisa Serrana com as marcas da cesariana


Brisa Serrana
Brisa Serrana foi o primeiro bezerro que nasceu saudável entre 32 tentativas. Ela é clone de um clone e possui a mesma genética da vaca original, Tina. A bezerra é fértil pois não possui a doença Freemartin que deixou Tina estéril. Para os pesquisadores, ela vai poder melhorar a qualidade da biodiversidade da raça, uma vez que mais um animal do rebanho poderá reproduzir




Foto: Thomas Michel

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