Lages, 06/12/2012, Correio Lageano, por Susana Küster
O ex-diretor do RH da Prefeitura de Lages foi ouvido na quarta-feira (05), pelo juiz Ariovaldo Ribeiro da Silva, sobre os desvios da folha
Na tarde de quarta-feira (05) ocorreu a audiência em que o ex-diretor de Recursos Humanos da Prefeitura de Lages, André Rau Ávila, deu seu depoimento no processo em que é acusado de inserir dados falsos no sistema da folha de pagamentos. Ele acusou o secretário de Finanças, Walter Manfrói, e o secretário de Administração, Antônio César Alves de Arruda, de estarem envolvidos diretamente com o esquema de desvio. Rau ressaltou que apenas 20% dos desvios ficavam com ele e cada um dos secretários ficava com 40%.
Ele revelou que fazia a movimentação de sua conta bancária e disse que antes do esquema, pediu ao secretário de Finanças uma remuneração maior. “Como não havia outro cargo para eu receber mais, foi feito um acordo entre eu, Arruda e Manfrói, 20% do desvio era para mim, 40% para Arruda e 40% para o Manfrói”, detalhou.
Rau disse que foi feito o lançamento do imposto de renda e INSS relativos aos valores desviados, mas que não foi ele quem executou o processo. “Foi através da senha ‘admin’ e quem tem acesso é o Manfrói”, acusou.
Ele não negou na audiência que fez os lançamentos do período de março de 2009 a outubro de 2010, mas frisou que outros lançamentos efetuados através de um login com seu nome, não foram feitos por ele, apesar de ter seu nome no login. “O sistema pode ser acessado até de casa, e pode ser alterado”, afirmou.
Os valores desviados da prefeitura, apontados pela CPI (R$ 232.100,81), não diferem dos encontrados no processo. Apesar disso, Rau não reconhece todos os desvios atribuídos a ele.
Frisou que nada era feito sem o conhecimento dos dois secretários e da Controladoria. “A cópia da folha aberta (com nome, crédito e débito de cada funcionário) ia para essas pessoas e ainda para a contabilidade e a tesouraria. Tudo está documentado e cada entrada no sistema fica registrado”, completou.
Juiz e MP vão se manifestar em gabinete
O juiz Ariovaldo Ribeiro da Silva e o promotor Luiz Marini Suzini Júnior, depois de ouvirem o depoimento de André Rau, ouviram as acusadas Eurélia Schemes e Ligia Krieger.
Porém, não decidiram nada ontem, ambos vão se manifestar em gabinete e não há prazo para isso. Segundo informações extraoficiais, a decisão não deve demorar muito.
Secretários negam acusações
O secretário de Finanças, Walter Manfrói, nega ter qualquer tipo de participação no esquema de desvio de dinheiro. “Eu me limito a dizer que não conheço o teor da denúncia dele. Ele vai tentar envolver outras pessoas para tirar a culpa dele.
Vou providenciar minha defesa e lamento muito isso acontecer, já esperava este tipo de situação, porque sou testemunha de acusação”, frisou o secretário, dizendo que este tipo de situação, mostra que pessoas de bem, não devem entrar na vida pública.
O secretário de Administração, Antônio Arruda, afirma que foi ele o denunciante do caso do desvio da folha de pagamento da prefeitura no Ministério Público e diz que quer ver como Rau vai provar o que acusou.
Detalhes do esquema
Entre outras declarações, André Rau Ávila, isentou a ex-esposa, Ligia Kring, Eurélia Schemes dos Santos (que atualmente ocupa o cargo dele e que antes dele ser preso, fazia os lançamentos de salários), e o ex-diretor de fiscalização, João Carlos Vieira. “Eu tirava o dinheiro do desvio da minha conta e depositava na conta dela [da esposa], aí fazia saques eventuais e entregava o dinheiro em um envelope para o Arruda e o Manfrói. Ela não tinha conhecimento do meu envolvimento no acordo com os secretários”, disse.
O juiz Ariovaldo Ribeiro da Silva, neste instante da audiência, disse que pelo que entendeu dos autos e provas, Eurélia trabalhava mais e recebia menos do que lhe era devido. “Foi uma forma encontrada de pagar as horas-extras que ela fazia?”, questionou a Rau, que respondeu que foi uma retribuição pelo serviço prestado.
Na audiência, o promotor perguntou se Rau tinha como explicar, como Eurélia recebeu oito terços de férias em apenas um ano e seis meses. Rau explicou que foi uma forma de pagar o serviço prestado por ela, já que “ela é imprescindível, não tem como ela sair de férias, como é até hoje no trabalho”, disse, afirmando que ele pode ter feito alguns lançamentos, mas atribui a culpa para o usuário da senha ‘admin’.
O promotor ainda perguntou como Rau explica o fato de a sindicância da prefeitura mostrar que Eurélia recebeu R$ 75 mil de horas-extras, sem comprovação através do cartão-ponto. “Foi uma forma utilizada, mas não é prevista em lei, eu e ela sabíamos disso, e isso, é feito até hoje”, declarou.
No caso de João Carlos, Rau explicou que inicialmente havia uma autorização para pagamento da produtividade. Depois mudou a lei e por erro do sistema “ou meu erro mesmo de interpretação, acabava sendo lançada a produtividade. Eu assumo a culpa pelo erro em alguns lançamentos, mas se foi feito pela senha ‘admin’, foi o secretário de Finanças”, reafirmou.
O juiz, perguntou se Rau teria mais algo a falar em sua defesa. Ele apenas disse: “Posso ser franco?”, o juiz respondeu que ele deveria ser, e o acusado declarou em meio a lágrimas: “Gostaria que o senhor considerasse minha soltura, uma vez que eu tenho endereço fixo, trabalho, e fui preso a caminho do trabalho, não estava fugindo e nunca vou fugir das minhas responsabilidades. Fui preso numa unidade prisional avançada, onde o sistema é rígido e gostaria que o senhor me concedesse o direito de responder o processo em liberdade”, declarou, finalizando que os outros acusados não sabiam do acordo dele com os secretários.
Foto:Susana Küster
O ex-diretor do RH da Prefeitura de Lages foi ouvido na quarta-feira (05), pelo juiz Ariovaldo Ribeiro da Silva, sobre os desvios da folha
Na tarde de quarta-feira (05) ocorreu a audiência em que o ex-diretor de Recursos Humanos da Prefeitura de Lages, André Rau Ávila, deu seu depoimento no processo em que é acusado de inserir dados falsos no sistema da folha de pagamentos. Ele acusou o secretário de Finanças, Walter Manfrói, e o secretário de Administração, Antônio César Alves de Arruda, de estarem envolvidos diretamente com o esquema de desvio. Rau ressaltou que apenas 20% dos desvios ficavam com ele e cada um dos secretários ficava com 40%.
Ele revelou que fazia a movimentação de sua conta bancária e disse que antes do esquema, pediu ao secretário de Finanças uma remuneração maior. “Como não havia outro cargo para eu receber mais, foi feito um acordo entre eu, Arruda e Manfrói, 20% do desvio era para mim, 40% para Arruda e 40% para o Manfrói”, detalhou.
Rau disse que foi feito o lançamento do imposto de renda e INSS relativos aos valores desviados, mas que não foi ele quem executou o processo. “Foi através da senha ‘admin’ e quem tem acesso é o Manfrói”, acusou.
Ele não negou na audiência que fez os lançamentos do período de março de 2009 a outubro de 2010, mas frisou que outros lançamentos efetuados através de um login com seu nome, não foram feitos por ele, apesar de ter seu nome no login. “O sistema pode ser acessado até de casa, e pode ser alterado”, afirmou.
Os valores desviados da prefeitura, apontados pela CPI (R$ 232.100,81), não diferem dos encontrados no processo. Apesar disso, Rau não reconhece todos os desvios atribuídos a ele.
Frisou que nada era feito sem o conhecimento dos dois secretários e da Controladoria. “A cópia da folha aberta (com nome, crédito e débito de cada funcionário) ia para essas pessoas e ainda para a contabilidade e a tesouraria. Tudo está documentado e cada entrada no sistema fica registrado”, completou.
Juiz e MP vão se manifestar em gabinete
O juiz Ariovaldo Ribeiro da Silva e o promotor Luiz Marini Suzini Júnior, depois de ouvirem o depoimento de André Rau, ouviram as acusadas Eurélia Schemes e Ligia Krieger.
Porém, não decidiram nada ontem, ambos vão se manifestar em gabinete e não há prazo para isso. Segundo informações extraoficiais, a decisão não deve demorar muito.
Secretários negam acusações
O secretário de Finanças, Walter Manfrói, nega ter qualquer tipo de participação no esquema de desvio de dinheiro. “Eu me limito a dizer que não conheço o teor da denúncia dele. Ele vai tentar envolver outras pessoas para tirar a culpa dele.
Vou providenciar minha defesa e lamento muito isso acontecer, já esperava este tipo de situação, porque sou testemunha de acusação”, frisou o secretário, dizendo que este tipo de situação, mostra que pessoas de bem, não devem entrar na vida pública.
O secretário de Administração, Antônio Arruda, afirma que foi ele o denunciante do caso do desvio da folha de pagamento da prefeitura no Ministério Público e diz que quer ver como Rau vai provar o que acusou.
Detalhes do esquema
Entre outras declarações, André Rau Ávila, isentou a ex-esposa, Ligia Kring, Eurélia Schemes dos Santos (que atualmente ocupa o cargo dele e que antes dele ser preso, fazia os lançamentos de salários), e o ex-diretor de fiscalização, João Carlos Vieira. “Eu tirava o dinheiro do desvio da minha conta e depositava na conta dela [da esposa], aí fazia saques eventuais e entregava o dinheiro em um envelope para o Arruda e o Manfrói. Ela não tinha conhecimento do meu envolvimento no acordo com os secretários”, disse.
O juiz Ariovaldo Ribeiro da Silva, neste instante da audiência, disse que pelo que entendeu dos autos e provas, Eurélia trabalhava mais e recebia menos do que lhe era devido. “Foi uma forma encontrada de pagar as horas-extras que ela fazia?”, questionou a Rau, que respondeu que foi uma retribuição pelo serviço prestado.
Na audiência, o promotor perguntou se Rau tinha como explicar, como Eurélia recebeu oito terços de férias em apenas um ano e seis meses. Rau explicou que foi uma forma de pagar o serviço prestado por ela, já que “ela é imprescindível, não tem como ela sair de férias, como é até hoje no trabalho”, disse, afirmando que ele pode ter feito alguns lançamentos, mas atribui a culpa para o usuário da senha ‘admin’.
O promotor ainda perguntou como Rau explica o fato de a sindicância da prefeitura mostrar que Eurélia recebeu R$ 75 mil de horas-extras, sem comprovação através do cartão-ponto. “Foi uma forma utilizada, mas não é prevista em lei, eu e ela sabíamos disso, e isso, é feito até hoje”, declarou.
No caso de João Carlos, Rau explicou que inicialmente havia uma autorização para pagamento da produtividade. Depois mudou a lei e por erro do sistema “ou meu erro mesmo de interpretação, acabava sendo lançada a produtividade. Eu assumo a culpa pelo erro em alguns lançamentos, mas se foi feito pela senha ‘admin’, foi o secretário de Finanças”, reafirmou.
O juiz, perguntou se Rau teria mais algo a falar em sua defesa. Ele apenas disse: “Posso ser franco?”, o juiz respondeu que ele deveria ser, e o acusado declarou em meio a lágrimas: “Gostaria que o senhor considerasse minha soltura, uma vez que eu tenho endereço fixo, trabalho, e fui preso a caminho do trabalho, não estava fugindo e nunca vou fugir das minhas responsabilidades. Fui preso numa unidade prisional avançada, onde o sistema é rígido e gostaria que o senhor me concedesse o direito de responder o processo em liberdade”, declarou, finalizando que os outros acusados não sabiam do acordo dele com os secretários.
Foto:Susana Küster
Nenhum comentário:
Postar um comentário