Lages, 09 e 10/02/2013, Correio Lageano, por Begair Godóy
O Estatuto do Torcedor prevê a obrigatoriedade de entrega, pelos clubes, de laudos de segurança, vistoria de engenharia, de prevenção e combate de incêndio e condições sanitárias e de higiene. Assim poderá sediar competição com público
Quase idoso, o Estádio Vidal Ramos Júnior completa 60 anos em 2014, mas a festa de aniversário está comprometida. Não abriga um time que encha de orgulho o lageano e já sente os problemas da ação do tempo que poderia ser amenizada com a manutenção periódica.
Os problemas são claramente percebidos por quem passa pelo estádio municipal. Aliás, nem é preciso fazer uma grande apreciação, basta olhar. A arquibancada velha interditada desde 2009 com parte da proteção de madeira solta provocada pela ventania da semana passada é uma cena que se vê de longe e denuncia o descaso.
A cobertura do pavilhão que fica do lado da rua Humberto de Campos tem a armação comprometida, telhas quebradas e vigas corroídas. Os dois acessos à arquibancada nova para deficientes e que levam até o muro estão tomados pelo mato. As salas de baixo são usadas basicamente para depósitos. Vidros sujos e quebrados completam o panorama.
A pintura já se confunde com o cimento em alguns pontos. Quando chove o túnel de acesso ao gramado enche atingindo, 70 centímetros de água. Como foi feito perto de um minador, uma bomba ligada noite e dia e o ano inteiro tenta esgotá-lo.
E quem se assusta com o que vê ficará ainda mais admirado com o que não está tão perceptível assim. Os vestiários e banheiros estão deploráveis com infiltração de água e rede elétrica perigosa e sucateada. As paredes quando não mostram descascados apresentam bolor.
Uma pintura em menos de dois anos tentou maquiar o problema e o assoalho está todo desnivelado. Do jeito que as coisas caminham, após o sonho da inauguração lá em 1954, a fantasia de receber a primeira divisão aponta para o despertar da dura realidade do capitalismo. Só o laudo realizado pelos Bombeiros vai definir o melhor a ser feito.
O batismo
O nome do Estádio Vidal Ramos Júnior homenageia o político que foi prefeito de Lages entre 1947 e 1951. Seu pai, Vidal José de Oliveira Ramos Júnior, foi interventor estadual, senador, deputado estadual e federal, e embora ambos tenham o mesmo nome, o estádio é uma homenagem ao filho, que era chamado de Vidalzinho.
A justificativa para homenagear Vidal Ramos Júnior é o fato de as obras do novo estádio terem se iniciado durante sua gestão como prefeito, em 1951, e também por ter sido Vidalzinho jogador de um antigo clube de futebol lageano, o Humaytá, e diretor do Lages Futebol Clube nos anos 40 e 50.
Acessibilidade
O presidente da Associação Serrana de Deficientes Físicos (ASDF), João Carlos de Liz, explica que a acessibilidade é assunto que está sendo discutido e que na primeira reunião do conselho neste mês vai voltar à pauta.
João de Liz que também é presidente do Conselho de Pessoas com Deficiência de Lages e ainda membro do Conselho Estadual, diz que a norma ABNT 9050 de 2004 assegura o acesso às edificações pública e de reunião de público a pessoas independentemente da deficiência.
A ABNT estabelece os parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações mobiliárias e espaços equipamenentos urbanos a condições de acessibilidade.
“Isso permite maior quantidade de pessoas no local independente da limitação de mobilidade ou percepção a utilizar de maneira autônoma e segura os ambientes e edificações. “No Vidal essa norma não é respeitada”, lamenta.
Sete entradas e saídas no Vidal
O Estádio Vidal Ramos Júnior possue 7 portões localizados nas quatro ruas do seu entorno. Na Antonio Rodrigues de Atayde o portão 6 é destinado para entrada e saída da torcida adversária. O portão 5 é usado pelos Bombeiros, ambulância, Polícia Militar e Administração.
Na Jairo Luis Ramos fica o portão 4 entrada de emergência e torcida visitante. No 2 fica a bilheteria e entrada de público e ainda há o 3 que abriga o estacionamento, vestiário dos jogadores dos dois clubes e arbitragem.
Na Humberto de Campos o portão 1 serve de entrada e saída. O portão 7 atrás da arquibancada nova (em frente a Praça Erasmo Furtado e na Wlamor Ribeiro) acolhe a bilheteria que está desativada.
Não é caso de interdição, dizem engenheiros
A falta de manutenção é apontada pelo engenheiro civil José Augusto Fornari Sousa como causa dos problemas estruturais do Estádio Vidal Ramos Júnior. Mesmo motivo que usou na avaliação do Ginásio Ivo Silveira.
O engenheiro acredita que antes de fazer qualquer reparo o ideal seria fazer um levantamento da obra para ver qual atenderia as finanças da prefeitura. “Deve-se avaliar o custo entre a recuperação ou a construção de uma arquibancada nova no caso da que está interditada”, aconselha.
O engenheiro eletricista Guiomar Andrade Miranda ficou preocupado com o estado das instalações elétricas do Vidal Ramos. “Estão todas fora das normas”, diz ele. Na vistoria do Bombeiro acompanhou os profissionais, representando o Crea e AEA (Associação dos Engenheiros e Agrônomos de Lages) apenas ao Ivo Silveira.
Para emitir a sua opinião sobre a estrutura ele analisou as fotos usadas na reportagem. “Não é a ideal, mas está funcionando. Até agora não matou ninguém, mas não está livre de acontecer algum acidente”. Ele destaca que mesmo assim não é caso de interdição.
Fotos:Begair Godóy
O Estatuto do Torcedor prevê a obrigatoriedade de entrega, pelos clubes, de laudos de segurança, vistoria de engenharia, de prevenção e combate de incêndio e condições sanitárias e de higiene. Assim poderá sediar competição com público
Quase idoso, o Estádio Vidal Ramos Júnior completa 60 anos em 2014, mas a festa de aniversário está comprometida. Não abriga um time que encha de orgulho o lageano e já sente os problemas da ação do tempo que poderia ser amenizada com a manutenção periódica.
Os problemas são claramente percebidos por quem passa pelo estádio municipal. Aliás, nem é preciso fazer uma grande apreciação, basta olhar. A arquibancada velha interditada desde 2009 com parte da proteção de madeira solta provocada pela ventania da semana passada é uma cena que se vê de longe e denuncia o descaso.
A cobertura do pavilhão que fica do lado da rua Humberto de Campos tem a armação comprometida, telhas quebradas e vigas corroídas. Os dois acessos à arquibancada nova para deficientes e que levam até o muro estão tomados pelo mato. As salas de baixo são usadas basicamente para depósitos. Vidros sujos e quebrados completam o panorama.
A pintura já se confunde com o cimento em alguns pontos. Quando chove o túnel de acesso ao gramado enche atingindo, 70 centímetros de água. Como foi feito perto de um minador, uma bomba ligada noite e dia e o ano inteiro tenta esgotá-lo.
E quem se assusta com o que vê ficará ainda mais admirado com o que não está tão perceptível assim. Os vestiários e banheiros estão deploráveis com infiltração de água e rede elétrica perigosa e sucateada. As paredes quando não mostram descascados apresentam bolor.
Uma pintura em menos de dois anos tentou maquiar o problema e o assoalho está todo desnivelado. Do jeito que as coisas caminham, após o sonho da inauguração lá em 1954, a fantasia de receber a primeira divisão aponta para o despertar da dura realidade do capitalismo. Só o laudo realizado pelos Bombeiros vai definir o melhor a ser feito.
O batismo
O nome do Estádio Vidal Ramos Júnior homenageia o político que foi prefeito de Lages entre 1947 e 1951. Seu pai, Vidal José de Oliveira Ramos Júnior, foi interventor estadual, senador, deputado estadual e federal, e embora ambos tenham o mesmo nome, o estádio é uma homenagem ao filho, que era chamado de Vidalzinho.
A justificativa para homenagear Vidal Ramos Júnior é o fato de as obras do novo estádio terem se iniciado durante sua gestão como prefeito, em 1951, e também por ter sido Vidalzinho jogador de um antigo clube de futebol lageano, o Humaytá, e diretor do Lages Futebol Clube nos anos 40 e 50.
Acessibilidade
O presidente da Associação Serrana de Deficientes Físicos (ASDF), João Carlos de Liz, explica que a acessibilidade é assunto que está sendo discutido e que na primeira reunião do conselho neste mês vai voltar à pauta.
João de Liz que também é presidente do Conselho de Pessoas com Deficiência de Lages e ainda membro do Conselho Estadual, diz que a norma ABNT 9050 de 2004 assegura o acesso às edificações pública e de reunião de público a pessoas independentemente da deficiência.
A ABNT estabelece os parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações mobiliárias e espaços equipamenentos urbanos a condições de acessibilidade.
“Isso permite maior quantidade de pessoas no local independente da limitação de mobilidade ou percepção a utilizar de maneira autônoma e segura os ambientes e edificações. “No Vidal essa norma não é respeitada”, lamenta.
Sete entradas e saídas no Vidal
O Estádio Vidal Ramos Júnior possue 7 portões localizados nas quatro ruas do seu entorno. Na Antonio Rodrigues de Atayde o portão 6 é destinado para entrada e saída da torcida adversária. O portão 5 é usado pelos Bombeiros, ambulância, Polícia Militar e Administração.
Na Jairo Luis Ramos fica o portão 4 entrada de emergência e torcida visitante. No 2 fica a bilheteria e entrada de público e ainda há o 3 que abriga o estacionamento, vestiário dos jogadores dos dois clubes e arbitragem.
Na Humberto de Campos o portão 1 serve de entrada e saída. O portão 7 atrás da arquibancada nova (em frente a Praça Erasmo Furtado e na Wlamor Ribeiro) acolhe a bilheteria que está desativada.
Não é caso de interdição, dizem engenheiros
A falta de manutenção é apontada pelo engenheiro civil José Augusto Fornari Sousa como causa dos problemas estruturais do Estádio Vidal Ramos Júnior. Mesmo motivo que usou na avaliação do Ginásio Ivo Silveira.
O engenheiro acredita que antes de fazer qualquer reparo o ideal seria fazer um levantamento da obra para ver qual atenderia as finanças da prefeitura. “Deve-se avaliar o custo entre a recuperação ou a construção de uma arquibancada nova no caso da que está interditada”, aconselha.
O engenheiro eletricista Guiomar Andrade Miranda ficou preocupado com o estado das instalações elétricas do Vidal Ramos. “Estão todas fora das normas”, diz ele. Na vistoria do Bombeiro acompanhou os profissionais, representando o Crea e AEA (Associação dos Engenheiros e Agrônomos de Lages) apenas ao Ivo Silveira.
Para emitir a sua opinião sobre a estrutura ele analisou as fotos usadas na reportagem. “Não é a ideal, mas está funcionando. Até agora não matou ninguém, mas não está livre de acontecer algum acidente”. Ele destaca que mesmo assim não é caso de interdição.
Fotos:Begair Godóy
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