Lages, 12/03/2013,Correio Lageano, por Adecir Morais
O assunto foi debatido semana passada na Câmara de Vereadores. A Polícia Civil investiga o caso
O presídios regionais de Lages viraram caso de polícia. Somente em um único final de semana, foram feitas mais de 3.500 ligações de celulares de dentro de uma das unidades. O dados foram interceptados pela Polícia Civil, que investiga o caso.
De acordo com o juiz corregedor dos presídios de Lages, Geraldo Corrêa Bastos, as ligações foram realizadas nos dias 2 e 3 de março. Praticamente todas elas partiram do Presídio Regional I, no bairro São Cristóvão, que abriga atualmente cerca de 300 detentos.
“Nas ligações os presos conversaram com namoradas e filhas deles, por exemplo, mas também ocorreram ligações relacionadas a crimes”, explicou o magistrado, destacando que as informações foram discutidas durante reunião do Conselho da Comunidade de Lages.
Bastos informou que a polícia está investigando o caso. Por outro lado, disse que, em face ao grande número de ligações, sugeriu ao conselho a compra de dois bloqueadores para serem instalados um em cada uma nas duas unidades prisionais do município.
O assunto também chegou à Câmara de Vereadores. O vereador Gerson dos Santos (PMDB) encaminhou ao Governo do Estado pedido de instalação de bloqueadores de telefonia móvel nas duas unidades da cidade. O custo para implantar os serviços, segundo ele, é entre R$ 10 mil a R$ 15 mil por unidade.
O diretor do Presídio Regional I, Quintino Lauri Eineck, assegurou que a direção da unidade vem trabalhando constantemente para evitar a entrada de celulares, mas admitiu que é uma tarefa difícil impedir que os presos tenham acesso aos aparelhos.
“Diariamente estamos recolhendo celulares aqui. Essa questão de celular nas cadeiras não é uma exclusividade de Lages. O problema está em todos os presídios do Brasil. Acho que a única forma de evitar isso é instalando bloqueadores”, disse, admitindo que a unidade também é frágil na segurança.
Para evitar a entrada de objetos, a unidade conta duas cadeiras, masculino e feminino, que substituem a revista íntima e detectam a presença de metais escondidos no corpo. Além disso, existem três detectores manuais.
Operação pente-fino
Em fevereiro deste ano, a unidade foi alvo de uma operação pente-fino. Na ocasião, agentes do Departamento de Administração Prisional (Deap) apreenderam dentro das celas nove aparelhos de celular, carregadores e chips de telefonia móvel, além de droga e facas artesanais.
Operadoras são cobradas
O assessor de gabinete do Deap, Marcelo Souza, disse que o órgão desconhece as irregularidades, no entanto, admite que há, no sistema prisional catarinense, problemas relacionados ao uso de aparelhos celulares dentro das prisões.
Em Santa Catarina, há uma lei estadual que exige que as operadoras de telefonia arquem com as despesas para a instalação de bloqueadores de sinal nas unidades prisionais do Estado. Contudo, as empresas recorreram à Justiça e o caso está no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Enquanto não resolver essa briga judicial, não há como resolver o problema”, comentou Souza, observando que pelo menos cinco unidades prisionais do Estado dispõem de aparelhos para bloquear o sinal de celular, impedindo a comunicação dos presos com a população externa.
Sistema prisional de SC
- 5 prisões têm bloqueadores de celular
- 49 unidades fazem parte do sistema prisional catarinense.
- 17 mil detentos compõem a população carcerária do Estado.
Foto:Arquivo/CL
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