Lages, 115/03/2013, Correio Lageano
Para especialistas, a Serra Catarinense, que já foi destaque no setor leiteiro, precisa de investimentos
Com produção diária em torno de 100 mil litros, a Serra Catarinense é responsável por uma fatia muito pequena do mercado leiteiro de Santa Catarina. O Estado é hoje o quinto maior produtor de leite no Brasil, com produção diária de 6 milhões de litros. Deste total, cerca de 2 milhões são produzidos na região Oeste. Mesmo tendo potencial e qualidade genética de destaque, a Serra ainda precisa se desenvolver.
Com qualidade genética reconhecida e clima propício para criação de gado leiteiro, o setor precisa de investimentos e estímulos para que volte a ter destaque no cenário nacional, como já teve há cinco décadas.
“As vacas sofrem de estresse térmico por causa do calor e isso prejudica a produção. Nosso clima é propício, mas está faltando orientação adequada e estímulos para que os produtores entendam isso e tenham um modelo de produção de elite que seja adequado para a nossa região”, analisa o presidente da Aproleite e do Núcleo da Associação Catarinense dos Criadores de Bovino (ACCB) em Lages, Décio da Fonseca Ribeiro.
Embora o setor tenha perdido prestígio no decorrer das últimas décadas, segundo Décio, o valor genético, especialmente do gado Jersey, ainda é preservado. Para ele, os produtores precisam se conscientizar de que devem buscar tecnologia e se adequar, para aproveitar os benefícios que a região oferece.
“O importante é que o produtor use a tecnologia a seu favor, iniciando pela boa comida, o manejo dos animais, sanidade (bem estar animal) e até mesmo a genética apurada. Assim terão animais que produzirão bastante leite e com longevidade, sem precisar serem descartados precocemente”, avalia.
Segundo ele, a Associação Catarinense dos Criadores de Bovinos (ACCB), foi incumbida pelo Ministério da Agricultura a preservar o patrimônio genético das espécies. “Queremos que a genética catarinense, que é de ponta no Brasil, seja conhecida em todo o território nacional”.
De acordo com a presidente da ACCB, Maria Rosinete Effing, está sendo discutida uma forma para que a Associação contribua no fomento do setor na região, oferecendo auxílio e instigando os produtores a exercerem a atividade de forma adequada, para melhorar a produção.
Maria Rosinete ressalta que, para produzir com qualidade, é preciso que genética e nutrição andem juntas. “A Serra tem grande potencial para desenvolver o setor, mas precisa focar nas pastagens, genética e oferecer assistência ao pequeno produtor. A partir daí a produção pode começar a mudar”, afirma.
PRODUÇÃO DE LEITE
Produção diária (em litros)
Santa Catarina – 6 milhões
Região Oeste – 2 milhões
Serra Catarinense – 100 mil
Santa Catarina – 6 milhões
Região Oeste – 2 milhões
Serra Catarinense – 100 mil
Em todo o estado, são aproximadamente 60 mil produtores e, na Região Serrana, este número não chega a 1.000.
Foto: Arquivo CL
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