Lages, 23 e 24 /03/2013, Correio Lageano, por Adecir Morais
Para manter os serviços, o órgão teve que emprestar materiais de estabelecimentos de saúde
A Vigilância Sanitária de Lages mandou recolher cerca de 150 quilos de materiais vencidos no Instituto Geral Perícias (IGP) de Lages. Os produtos como luvas, aventais, reagentes para exames laboratoriais, detergente e formol eram usados pelos funcionários mesmo estando sem condições. O material inadequado para o uso foi removido nesta sexta-feira (22).
De acordo com a gerente da Vigilância, Ester Santos de Souza, o IGP só não foi interditado porque a população ficaria sem atendimento. Para não interromper os serviços, o órgão precisou emprestar materiais de estabelecimentos de saúde da região como o Hospital Tereza Ramos, para os funcionários trabalharem.
Ela explicou que o problema chegou ao conhecimento da Vigilância por meio de denúncia e, na última terça-feira, o órgão foi notificado. O uso de materiais de proteção individual vencidos, disse, oferece risco à saúde dos funcionários, sobretudo para quem manipula cadáveres, além de alterar o resultado de exames. No caso das luvas, se estiverem vencidas elas rasgam com maior facilidade.
A gerente desconfia que os materiais, que foram encaminhados pela central do IGP de Florianópolis, podem estar sendo enviados com o prazo de validade vencido. “Vamos encaminhar um ofício à vigilância do Estado pedindo uma vistoria no almoxarifado do IGP da Capital, para verificarmos a situação dos materiais armazenados no local”, disse, salientando que o que aconteceu em Lages pode estar ocorrendo em todo Estado.
Outras irregularidades
A falta de alvará sanitário, segundo a gerente, foi outra irregularidade detectada no local. Por conta disso, o órgão foi notificado para providenciar a documentação procurando se adequar às exigências da prefeitura.
Além disso, a gerente afirmou que o estabelecimento não tem o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), que prevê a destinação segura dos resíduos, protegendo os trabalhadores e o meio ambiente. Assim, foi dado um prazo para o órgão se adequar às normas.
O coordenador do IGP, André Luiz de Melo, disse que fez pedido de novos materiais à central da Capital e aguarda uma resposta. Ele reforçou que teve que emprestar materiais regulares para manter os serviços funcionando. Questionado, admitiu que tinha conhecimento da situação, mas que apenas recebe o material de Florianópolis.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o IGP da Capital informou que vai se posicionar somente a partir do momento em que tomar conhecimento detalhado da situação.
Foto: Adecir Morais
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