A revelação da atriz americana Angelina Jolie, na última semana, de que fez cirurgia para retirada das mamas, a mastectomia, para reduzir as chances de ter câncer nos seios, desencadeou debates em diversos países sobre a realização de testes genéticos, detecção de mutações que podem aumentar o risco da doença, custo e em que casos são indicados. A atriz revelou que decidiu fazer a cirurgia preventiva ao descobrir que era portadora de mutação no gene BRCA1 e BRCA2, que aumenta o risco para câncer de mama e de ovário, decisão que foi reforçada pelo seu histórico familiar, pois, em 2007, sua mãe Marcheline Bertrand morreu de câncer de ovário, aos 56 anos.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre mulheres. São, em média, 52 mil novos casos e cerca de 13 mil mortes por ano.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre mulheres. São, em média, 52 mil novos casos e cerca de 13 mil mortes por ano.
De acordo com o médico cirurgião geral Marcos Farias, a cirurgia de retirada da mama pode ser realizada através de diversas técnicas cirúrgicas, mas ocorre somente em casos especiais. Mesmo detectando possibilidade de câncer, há ainda mais opções para a paciente, como fazer um acompanhamento mais frequente, com exames de seis em seis meses, que permitirão o diagnóstico precoce de tumores, como a mamografia e a ressonância magnética. Ele salienta que a mastectomia consiste na retirada de uma ou das duas mamas como forma de prevenção do câncer de mama. É indicada para as mulheres que já tiveram câncer em uma das mamas ou que apresentam grandes chances de desenvolver a doença, por possuir os marcadores genéticos relacionados ao câncer de mama e de ovário.
O médico explica que, quando há casos de câncer de mama e ovário na família, é indicado o fazer o exame de mapeamento genético, que vai detectar os genes que sofrem mutação. “O exame vai apontar se a pessoa tem tendência a desenvolver o câncer, mas não pode afirmar que ela terá. A mastectomia, nesse caso, é preventiva”, explica Marcos.
Falando do caso de Angelina, ele salienta que as possibilidades de ela desenvolver o câncer eram de quase 90% nas mamas e mais de 50% nos ovários, por isso, a decisão pela mastectomia. “No caso da Angelina, acredito que tenha sido uma decisão acertada, pois o histórico familiar a contempla e o exame apontou grandes possibilidades de desenvolver a doença”, avalia.
Prevenção
A prevenção do câncer de mama pode ser realizada de outras formas que não a mastectomia preventiva. São indicadas a prática regular de atividade física, alimentação balanceada e realização de exames regulares, como mamografia, ressonância magnética e ultrassons, pois o câncer de mama tem grandes chances de cura quando é detectado precocemente. “As mulheres devem fazer o autoexame, exame contra outros tipos de cânceres também e, sobretudo, ficar mais atentas quanto à sua saúde, fazendo exames de controle com mais frequência”, orienta.
Custo
A mastectomia não é indicada para todo e qualquer caso, mas através de uma análise criteriosa de um médico oncologista. Em 2012, 9.161 mulheres de todo o mundo passaram pelo procedimento.
A cirurgia preventiva ainda não pode ser feita gratuitamente, assim como a análise genética que detecta precocemente mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2. A análise completa dos genes custa, no Brasil, em torno de R$ 6 mil.
A cirurgia de reconstrução da mama, através de implante de silicone, para pacientes de baixa renda que tiveram de fazer a mastectomia é obrigatória pelo SUS desde abril deste ano. No caso de impossibilidade de reconstrução imediata, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia imediatamente após alcançar as condições clínicas requeridas.
O cirurgião explica que, com a mastectomia, a mulher tem próteses de silicone implantadas, apenas para a satisfação estética. “Pela perda de sensibilidade na área da mama, a mulher perde ou tem diminuído seu estímulo sexual”, ressalta Marcos.
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