Lages, 21/05/2013, Correio Lageano, por Afonso Rodrigues
Agredida pelo marido, ela começa o tratamento que deve reabilitá-la
Depois da dor, o início do tratamento. Após ser agredida violentamente pelo marido na madrugada de 3 de maio com uma machadinha, ficar duas semanas no hospital e passar por duas cirurgias, Júlia Graziele Velaske começa a recuperação que deve restaurar os dentes, a maxila e a mandíbula que ficaram comprometidas com a violenta agressão.
Júlia foi atendida ontem pela primeira vez fora do hospital pelo cirurgião traumatologista bucomaxilofacial Jefferson Viapiana, que assumiu o caso depois dos primeiros atendimentos de urgência realizados.
Na opinião do cirurgião, a cicatrização está indo bem e Júlia está evoluindo com um quadro favorável. “Como ela é jovem, deve fazer o enxerto ósseo e ter os dentes reimplantados. Ela não perdeu os molares, os dentes que ficam mais para trás. Ainda sim será difícil a recuperação da anatomia óssea”, comenta.
De acordo com o dentista, deve demorar até três anos para haver uma recuperação completa. Um dos momentos mais tensos do tratamento até agora foi a cirurgia realizada na segunda-feira passada
Após mais de três horas de procedimento cirúrgico, foi possível estabilizar as fraturas faciais através da fixação rígida dos ossos fraturados com o uso de placas e parafusos de titânio, onde foi possível devolver o contorno anatômico facial e o “fechamento” da boca da paciente.
Um dos grandes entraves no tratamento é o custo de toda a reabilitação. De acordo com o Dr. Jefferson, não será cobrado o preço do acompanhamento odontológico do tratamento, mas os materiais, mesmo a um preço de custo, têm um valor elevado.
Assim, ele deve buscar parcerias junto à Uniplac para tentar, com os fornecedores, uma redução no valor. “Todo o tratamento custará entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. Vamos tentar fazer a cirurgia do enxerto ósseo pelo SUS, já que sabemos das condições da paciente”, lembra.
Próximas etapas
Nas próximas etapas do tratamento, será confeccionada uma prótese dentária parcial removível, tanto nas mandíbulas inferior e superior, com previsão de conclusão para a segunda quinzena do mês de junho.
Além disso, deve ser necessária ainda mais uma cirurgia no maxilar e na mandíbula, prevista para outubro de 2013, para a colocação de enxerto ósseo a partir do osso ilíaco, que fica na região da bacia. Por fim, serão colocados os implantes e próteses dentárias, com previsão de conclusão para o final do ano que vem.
Mãe pede auxílio
Dona Arlete Aparecida Peixe, mãe de Júlia, acompanhou a filha na primeira visita ao dentista. Ela agradece todas as doações que têm chegado, e conta que no primeiro fim de semana em casa depois do que aconteceu, a família tem recebido muitas visitas. No momento, ela espera ter condições de construir uma casa para a filha, nos fundos do terreno onde mora. “No momento precisamos de madeira para construir um cômodo para Júlia morar, atrás da minha casa”, admite.
Foto: Afonso Rodrigues
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