Bocaina do Sul, 26/06/2013, Correio Lageano, por Silviane Mannrich
As dívidas do São José, em Bocaina do Sul, chegam a R$ 1 milhão. Prefeitura está impedida de contratar com a instituição
Sem condições financeiras, o hospital São José, de Bocaina do Sul, enfrenta problemas de infraestrutura e o atendimento é precário. As dívidas estão em torno de R$ 1 milhão. Na terça-feira (25), uma audiência pública foi realizada para discutir com a população a contratação de serviços de urgência e emergência do hospital. Desde janeiro, o serviço, que era pago pela prefeitura, deixou de acontecer.
A principal questão debatida na audiência pública foi a impossibilidade de o município contratar os serviços de urgência e emergência, tendo em vista que o presidente do hospital é também vereador do município e, segundo a Lei Orgânica do Município, vereadores, prefeito e vice-prefeito não podem ter nenhum tipo de contrato com a prefeitura.
De acordo com assessoria de comunicação da prefeitura de Bocaina, o município tem interesse em continuar a contratar o hospital São José para a prestação dos serviços de urgência e emergência.
Durante a audiência, a prefeitura encaminhou como proposta a reforma do estatuto do hospital, possibilitando uma nova composição de diretoria e permitindo que novas pessoas se associem. Também deverá ser realizada uma eleição para que outra diretoria assuma o comando do hospital. Pelo menos 250 pessoas participaram da audiência e votaram a favor de que uma nova diretoria assuma o hospital.
Compareceram na audiência: o prefeito do município, Luiz Carlos Schmüler, o vice-prefeito Valmir Martins, a presidente da Câmara de vereadores, Mariana Oliveira de Liz, representando o hospital São José. O presidente do hospital, Célio José Assink, não foi encontrado para falar sobre o assunto.
Hospital não pediu ajuda
Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Lages (SDR), o hospital São José não solicitou ajuda financeira para o Estado como aconteceu com outros hospitais da região, a exemplo do hospital Frei Rogério de Anita Garibaldi, que recebeu, no ano passado, uma ajuda de R$ 200 mil. No entanto, o Estado somente libera recursos se os hospitais estiverem com as contas em dia.
Nova sala ao atendimentos de urgência
O prefeito Luiz Carlos Schmüler explica que desde dezembro do ano passado vem conversando com o presidente do hospital para que ele faça adequações à direção para que o contrato volte a ser firmado. “Em abril foi convocada uma nova eleição, porém, por causa de denúncias de irregularidades, o juiz anulou a votação e o Célio voltou à presidência do hospital inviabilizando, novamente, que o contrato fosse renovado”, explica o prefeito.
Na audiência, o presidente do hospital disse que irá esperar a decisão da justiça e não fará uma nova eleição. “Ele está impedindo que a população receba o atendimento, por isso iremos alugar uma nova sala e equipá-la para atender os casos de emergência e urgência. Iremos buscar uma entidade filantrópica que administre o local e receba os recursos”, afirma o prefeito.
A prefeitura irá repassar à entidade, R$ 25 mil mensais para a manutenção do local e pagamento de médicos platonistas.
Os números do hospital
1968 - ano de inauguração
60 - número de leitos
R$ 1 milhão de dívidas
R$ 57, 00 recebido por cada atendimento do SUS
Entre R$ 70 mil e R$ 80 mil é a renda mensal
R$ 100 mil são as despesas mensais
60 - número de leitos
R$ 1 milhão de dívidas
R$ 57, 00 recebido por cada atendimento do SUS
Entre R$ 70 mil e R$ 80 mil é a renda mensal
R$ 100 mil são as despesas mensais
Foto:Arquivo CL
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