quinta-feira, 18 de julho de 2013

Polícia Federal cumpre mandado em casa de suspeito de ameaça de bomba

Polícia Federal cumpre mandado em casa de suspeito de ameaça de bomba
Lages, 18/07/2013, 2013, CLMais, por Fabiana Nonjah, com informações da Polícia Federal e do testemunho de Djalma Furtado Goulart Filho (apontado como suspeito de ameaça de bomba no prédio do fórum de Lages



O aposentado Djalma Furtado Goulart Filho dá entrevista ao CLMais, se apresenta como o suspeito visado pela polícia e se defende



Na manhã desta quinta-feira (18) a Polícia Federal (PF) esteve em uma casa na rua Otacílio Vieira da Costa, no Centro de Lages, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um suspeito da autoria de ameaça de bomba no fórum de Lages, que  na tarde desta quarta-feira (17) levou à interdição do prédio por 1h45min.



Sem dar maiores informações à imprensa, a PF apenas confirmou a ação e, que se tratava de um mandado expedido pela Justiça Federal. Ainda pela manhã o suspeito, Djalma Furtado Goulart Filho, engenheiro químico aposentado por invalidez resultante de problemas cardíacos, procurou o Correio Lageano e concedeu entrevista ao CLMais, para dar sua versão dos fatos.



Com uma pasta cheia de documentos ele relatou a história de uma ação trabalhista  coletiva que se estende desde 1989 e na qual esteve envolvido. Detalhadamente, descreveu fatos que aconteceram nos últimos 24 anos, até chegar a acontecimentos que vivenciou desde a semana passada, inclusive os desta quarta e quinta-feira, e que teriam o tornado o principal suspeito da ameaça de bomba.



O primeiro documento que Djalma mostra é uma intimação para depor na delegacia da Polícia Federal na manhã da próxima segunda-feira (22). Ele diz que encontrou o documento na caixa de correspondência de casa na tarde desta quarta-feira, quando voltou do prédio da Justiça do Trabalho, que fica atrás do prédio do Fórum Nereu Ramos.



Djalma conta que esteve lá por volta das 15 horas, depois que as atividades do Fórum Nereu Ramos já tinham sido liberadas e enquanto a Polícia Militar (PM) vasculhava uma a uma as salas do prédio do fórum em busca de indícios da bomba .


O aposentado justifica  ter ido à Justiça do Trabalho falar com a secretária de uma juíza para pedir uma audiência. Ele foi eliminado da lista de beneficiários da ação coletiva e há anos tenta receber valores referentes ao processo. Queria que a juíza ouvisse ele e antigos colegas de trabalho na mesma situação.



Na última terça-feira (16) o advogado que cuidava do caso de Djalma renunciou a defesa de seus interesses. O aposentado afirma que a decisão foi tomada depois do defensor perder um prazo recursal, o que o prejudicou. O questionamento ao próprio representante é tido, pelo aposentado, como o que gerou um "boato de ameaça de bomba". "Eu disse que ia ao Ministério Público para denunciar (envolvidos na ação judicial). Souberam e para impedir armaram isso tudo. Ficaram com medo. Chamaram a polícia", declara o aposentado.



Djalma acredita que o advogado comentou com a secretária da juíza que estava renunciando a defesa e que o aposentado teria ameaçado explodir uma bomba no prédio da Justiça do Trabalho. Para ele, esta é a razão de ter se tornado alvo de investigações da Polícia Federal.



Na sequência Djalma apresenta cópia de uma medida cautelar que o proíbe de acessar ou frequentar o Fórum Trabalhista de Lages e, de manter contato com servidores e juízes que lá trabalham. Djalma deve guardar distância mínima de 300 metros desse local e das pessoas mencionadas. O aposentado tem prazo de cinco dias para se manifestar a respeito da medida cautelar.


Na descrição cronológica dos fatos e aparentando bastante calma, Djalma ainda comenta ter sido abordado por dois policiais militares na avenida Presidente Vargas, na tarde de ontem, quando retornava da Justiça do Trabalho. "Questionaram o que estava fazendo. Disse que não tinha que dar satisfação e que fui ao Fórum tirar xérox (cópias) de ação trabalhista". Ele foi liberado pelos policiais.


Na manhã desta quinta-feira (18) teria saído para caminhar, como afirma fazer rotineiramente, quando foi avisado por telefone, segundo ele por um escrivão da PF, que estavam com mandado e ele devia voltar para casa. Caso contrário, entrariam na residência.


O mandado (cópia na galeria de imagens desta notícia) descreve que policiais federais deviam procurar armas, munições, produtos químicos e outros objetos necessários às investigações (do caso de ameaça de bomba). Djalma diz que os policiais não encontraram nada que pudesse incriminá-lo. Já a PF não nega, nem confirma ter apreendido algo na casa. Apenas reforça que a investigação é sigilosa.



Fotos:Joana Costa e Núbia Garcia

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