quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sinotruk vai impulsionar o setor metal mecânico em Lages

Sinotruk vai impulsionar o setor metal mecânico em Lages

Lages, 05/09/2013, Correio Lageano, por Susana küster



Ter um emprego no setor metal mecânico em Lages agora é realidade, graças à vinda da Sinotruk e de cerca de 20 empresas que darão suporte ao empreendimento chinês. Mais de mil empregos diretos e indiretos devem ser criados.



Depois de muita burocracia, a empresa foi habilitada no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto), etapa fundamental para as obras começarem no início do ano que vem.



O empresário lageano Mauro Wolfart sente-se orgulhoso de ter sido ele o idealizador da vinda da Sinotruk para Lages, mas confessa que ao mesmo tempo tem um sentimento de frustração. “Já era para a fábrica estar funcionando, mas a burocracia e os empecilhos feitos do Governo Federal, por pressão de empresas do país, complicaram. A fábrica começará com as atividades em 2015”, comenta.



Uma das dificuldades enfrentadas pelos empresários foi o fato de 400 caminhões terem ficado um ano, no porto de Santos, em São Paulo. “Não conseguíamos ter as licenças federais para a fábrica vir e tivemos um prejuízo enorme pagando aluguel de um ano para os caminhões ficarem no porto, pois não tínhamos a liberação do IPI”, lamenta.



O empresário afirma que se não fosse a força política do governador Raimundo Colombo, a empresa não viria para Lages. Com o prejuízo financeiro de um ano de aluguel do porto e sem as 26 concessionárias que foram montadas pelo país  poderem vender ou comprar peças, foi preciso mudar os planos.



Investimento


Para construir a fábrica são necessários R$ 300 milhões. Para ter os recursos foi criado uma joint venture (associação de empresas) que reuniu sete empresários, uma empresa de São Paulo, a Sinotruk e o governo estadual. Eram 10 empresários, mas três desistiram do negócio, influenciados pela crise financeira. O percentual de participação de cada um será decidido nesta semana durante reuniões na China.



Como surgiu


Mauro Wolfart, junto com empresários brasileiros, começou há três anos importar peças da Sinotruk. Com o aumento de 30% de IPI em produtos importados a vantagem financeira de comprar as peças chinesas acabou. Isso fez com que a Sinotruk decidisse trazer uma fábrica para o Brasil.



Lages não era o local ideal para a empresa, não tinha estrutura (aeroporto),  faculdade ou ensino técnico no setor e nem mão de obra qualificada. “Em uma pesquisa, Lages perdeu em tudo”, lembra. Porém, o empresário conta que os incentivos e concessões criados pelo governo estadual fizeram os chineses decidirem pela cidade.



Futuro


O mercado em expansão e a necessidade de renovação da frota de caminhões, que hoje tem em média 14 anos, quando o ideal é 6 anos, é um dos pontos que faz Lages entrar no ramo ideal de negócios. O empresário Mauro Wolfart, diz que a ideia da empresa é usar a marca ZF na transmissão dos caminhões. “Lages pode virar um polo acadêmico do setor”.



Poder público se une pela empresa


O secretário de Desenvolvimento Econômico, Luís Carlos Pinheiro, diz que será feita uma força tarefa para que a terraplanagem inicie logo. “Já pedi para a Fatma a Licença Ambiental de Instalação do parque industrial. Vamos fazer uma reunião com os órgãos envolvidos para tudo ser rápido”, conta.


O terreno destinado à Sinotruk que tem 1,6 milhão de metros quadrados, na Localidade de Índios, já tem Licença Ambiental Prévia (LAP). Os recursos para a terraplanagem que será feita pela prefeitura também estão assegurados.


O presidente da SCPar, Paulo da Costa, diz que não dá para garantir os prazos, mas tudo leva a crer que em janeiro de 2015, a fábrica comece a funcionar. “A burocracia é muito grande. Foram 8 meses só para conseguir o Inovar-Auto”, lamenta.


Incentivos


Além da doação do terreno, no protocolo de intenções formulado pelo Governo, o Estado se comprometeu em diminuir a alíquota de ICMS, isenção de ICMS de todo o material de construção adquirido em Santa Catarina e utilizado na infraestrutura  da construção da fábrica e ainda apoio no treinamento da mão de obra que irá trabalhar na empresa.



Linha do tempo
  •  Dia 6 de setembro: Assinatura do contrato e criação de uma joint venture (associação de empresas para explorar o negócio sem perder personalidade jurídica).

  •  Janeiro a dezembro de 2014: Treinamento e contratação da mão   de obra

  •  De outubro a fevereiro de 2014: Terraplanagem

  •  Março a dezembro de 2014: Construção e montagem do maquinário da fábrica

  •  Janeiro de 2015: Iniciam-se as operações


Foto: Susana Küster

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