segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Passam de dois mil os registros de violência

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Curitibanos, 25/11/2013 A Semana por Franciele Gasparini
 
Segundo delegado Leandro, casos de violência em Curitibanos seguem padrão nacional
Quebrar tabus e defender os direitos à liberdade e à igualdade. Essa é uma das barreiras enfrentadas pelas mulheres, no entanto, a violência, ainda é tema central de discussões sobre o sexo feminino e estará novamente em evidência hoje, segunda-feira (25), Dia da Não Violência Contra a Mulher. Em Curitibanos, a busca pela não violência começa dentro dos lares, quando mulheres que sofreram agressões verbais ou físicas ou mesmo ameaças, injúrias e abusos buscam a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idosos (Dpcami).
Somente este ano, denúncias de violência doméstica somam 2.300 registros. A média é de 209 por mês, sete por dia. “São números bastante altos em Curitibanos. A violência é grande e não foge da realidade nacional”, observou o delegado Leandro Carlos Consolo.
De janeiro deste ano até a última segunda-feira (18), foram instaurados 234 inquéritos e realizadas 31 prisões em flagrante. Desses números, que configuram violência doméstica, ameaça contra adolescente tem 13 registros este ano; ameaça contra mulher, 158; e, injúria, 76. Nos casos de lesão corporal dolosa, foram oito registros contra adolescente; cinco contra criança; cinco contra homens; e, liderando os registros, 89 contra mulheres.
Dentro das estatísticas, um índice que também chama a atenção é o de reincidentes. Isso porque, em 80% casos registrados na Dpcami de Curitibanos, os homens voltam a ser violentos.
Uma das medidas que fez crescer o volume de ocorrências na Delegacia do município foi a mudança nos procedimentos para denúncia e registro. Agora, mesmo que solicite a retirada da queixa, a mulher não pode mais desfazê-la. “O processo segue normalmente, sem intervenção da vítima, apenas com andamento na Justiça”, informou o delegado.
Ele analisa que, geralmente, os casos de violência doméstica contra mulheres têm como característica principal a desestrutura familiar. Companheiros embriagados ou sob efeito de outras drogas, ciúme e instabilidade do relacionamento têm contribuído para engrossar os números na Dpcami.
Presente nas estatísticas e fato preocupante, o índice de abuso sexual também tem alarmado a equipe da Dpcami local. “No âmbito de violência doméstica, esses casos têm muitos registros e merecem atenção das famílias, pois, em muitos casos, ocorrem nas residências, entre os familiares”, alertou.

COMO DENUNCIAR
 
Além de orientar e buscar a proteção das mulheres em situações de violência, a Dpcami , assim que recebe o registro, investiga, ouve vítima e testemunhas, faz interrogatório e exames de delito. As medidas visam dar seguimento a procedimentos que podem punir os agressores com a prisão. “Em casos mais graves, como em lesão corporal, o agressor pode ser penalizado com detenção de três meses a três anos”, exemplificou.
Leandro Carlos destacou que é possível realizar denúncias anônimas, através do Disque 100, conhecido como Disque Direitos Humanos, ou pelo 197, ou mesmo presenciais sem identificação. “Sempre mantemos o sigilo e a identidade dos denunciantes. É importante que a comunidade colabore, pois toda denúncia será averiguada”, salientou.

SOBRE A DATA

A data de 25 de novembro de 1960 ficou conhecida mundialmente devido ao maior ato de violência cometido contra mulheres na história. As irmãs dominicanas Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas”, que lutavam por soluções para problemas sociais de seu país, foram perseguidas e presas, diversas vezes, até serem brutalmente assassinadas.
A partir daí, 25 de novembro passou a ser uma data de grande importância, principalmente para aquelas que sofrem ou já sofreram violência. O dia 25 de novembro, como o “Dia da Não Violência Contra a Mulher”, foi definido por organizações de mulheres de todo o mundo, em Bogotá, na Colômbia, em 1981, em homenagem às irmãs.
Em 1999, a Assembleia Geral da ONU proclamou essa data como o ”Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher”, a fim de estimular que governos e sociedade civil organizada, nacionais e internacionais, a realizem eventos anuais como necessidade de extinguir a violência que destrói a vida de mulheres, considerada um dos grandes desafios na área dos direitos humanos.

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