Bocaina do Sul, 03/12/2013 Correio Otaciliense por Robson Ribeiro
Assim
pode-se definir alguns municípios da Região Serrana, mais precisamente
as localidades próximas a Bacia do Rio Canoas. Algumas cidades da região
são, segundo produtores, as únicas no estado no país e em todo o mundo,
que produzem o mel de melato, conhecido por “Mel Preto”, podendo se
considerar o melato, uma das grandes riquezas da região.
Nove municípios são
citados como produtores da espécie: Urubici, Bom Retiro, Rio Rufino,
Bocaina do Sul, Lages, Otacílio Costa, Ponte Alta, Palmeira e Correia
Pinto. Esta qualidade de mel é oriunda da secreção da Bracatinga, quando
a árvore é atacada pela cochonilha, que produz o melato.
A qualidade é produzida a
cada dois anos, por isso o motivo da grande procura. Análises em
laboratórios apontam que o melato possui grandes propriedades
medicinais, fazendo com que a países da Europa procurem intensivamente
pelo produto. Sendo a Alemanha, o país com mais procura pelo mel.
Desde a infância no meio das abelhas
Em Bocaina do Sul, uma
das maiores produtoras de mel na região, o apicultor Charles Becker,
conta há 30 anos trabalha com mel. Ele observa que iniciou na
apicultura, quando tinha ainda 10 anos de idade, a atividade foi passada
pelo seu pai, que ele tem como função até os dias atuais. Becker
adianta que a função já esta sendo passada também aos filhos. “A
produção fica por conta de toda a família”, ponderou.
Durante a vida em meio às
abelhas, Charles lembra que já foi picado por várias vezes, sendo que
nunca se acostumou com a dor. “É essencial o uso do equipamento”,
destacou, avaliando que com a passagem dos anos as espécies de abelhas
foram se misturando.
Para ele a espécie
Africana é mais brava e venenosa e o segredo da produção está em saber
lidar com os bichos. “Sabendo lidar com o bichinho e fazendo o manejo
correto, com certeza se tem uma boa produção de mel”, esclareceu.
O produtor estima que
produz em média de quinze a vinte toneladas de mel por ano, metade da
produção é do mel floral e a outra metade é do mel de melato. Sendo que
tem em sua propriedade, e em propriedades arrendadas, ao todo 400
caixas.
Ele explica que a
diferença entre as duas qualidades, é que o mel floral cristaliza e o
melato não. Adiantando que o melato está em risco de extinção, devido ao
grande desmatamento. Particularmente, Charles prefere o melato.
“O melato com um pãozinho e uma nata, não tem coisa melhor”, destacou sobre risos o homem das abelhas.
O homem avalia que a
atividade do mel, está em um momento muito bom em termo de
lucratividade, sendo que o melato chega até R$ 7,50 por quilo. Ele
observa que a renda da família vem da produção de mel, e do gado
leiteiro. A maior parte do mel produzido pela família, não fica no
município, e sim é exportada, principalmente para Europa.
Associação Regional do Mel deve ser criada
Preocupados com a extinção do melato, produtores da região optaram por criar a Associação do Mel. O nome da associação,
estatuto social e assuntos gerais são os temas da assembleia. A sede da
associação ficaria localizada no município de Bocaina do Sul.
A secretária da
associação, Maiza Becker, explica que com a criação da Associação
Regional, será feita uma demarcação geográfica, com os pontos onde se
produz o melato e denominação de origem. “No mundo todo, só na nossa
região se produz o melato.
Em alguns países da
Europa e na China, se produz um mel semelhante, mas propriedades
químicas e medicinais são diferentes. Estamos tentando fazer com que a
origem seja exclusiva da região”, explicou Maiza.
Ela adianta que todos os
apicultores da região, foram convidados a participar da assembleia. A
associação deve agregar os seguintes municípios: Urubici, Bom Retiro,
Rio Rufino, Bocaina do Sul, Lages, Otacílio Costa, Ponte Alta, Palmeira e
Correia Pinto.
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