quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Busto de Cezário Amarante aparece enforcado no centro de São Joaquim

Busto Cezário Amarante (1)
Só pode ter sido uma brincadeira de mau gosto?
Pescoço do Busto de Cezário Amarante foi utilizado (sabe-se lá pra quê?) para esticar um fio elétrico
Pescoço do Busto de Cezário Amarante foi utilizado (sabe-se lá pra quê?) para esticar um fio elétrico

Como diria uma célebre frase do pensador Willyan Johnes: “Um povo sem cultura não se levanta. Se ajoelha!” E exatamente assim que se encaminha toda a moral e oscostumes joaquinenses.
Cada vez mais a cultura e história de São Joaquim está sendo menos lembrada, mas como o esquecimento não é o suficiente, as pessoas ainda insistem em depredar e destruir o que ainda se resta de monumentos e obras de arte na elegíaca cidade da neve.
Se não bastasse a destruição das obras de arte do gênio Elson Outuki em homenagem ao ex prefeito Tio Pruda e todo o ponto turístico do Mirante dos Pinheiros, agora resolveram avacalhar com a imagem do também ex-prefeito Cezário Amarante o enforcado em plena praça pública.
Na placa de bronze a justa homenagem diz: "O Preito de Gratidão do povo de São Joaquim"
Na placa de bronze a justa homenagem diz: “O Preito de Gratidão do povo de São Joaquim” 

(‘Preito’ significa: Homenagem, respeito)

Pelo visto o serviço faz parte da decoração de Natal da Praça que leva o mesmo nome do ex-prefeito, mas não precisava (em momento nenhum) utilizar o pescoço do busto do saudoso homem para esticar um fio. Fato que causou a revolta dos familiares de Cezário Amarante.
A Secretaria de Turismo foi cobrada e declarou que já entrou em contato na semana passada com o CDL pedindo a retirada do fio que enforca o busto.
A praça ficou um lindo espetáculo com a decoração natalina, algo que merece todas as congratulações e méritos ao CDL, mas os serviços tem que serem fiscalizados, não adianta colocar luzes na praça se a própria memória e imagem do homenageado está sendo conspurcada, sujada, avacalhada e vilipendiada!
Depois vamos ter que aguentar aquelas velhas piadinhas dos realistas dizendo que São Joaquim é a Capital Nacional do já teve:
São Joaquim já teve cinema… já teve estradas boas… já teve festas da maçã com presidentes… já teve um Mirante dos Pinheiros… Já teve um Bistek… Já teve obras de arte… já teve cultura… e etc…

Quem foi Cezário Amarante

O Coronel Cezário Joaquim do Amarante nasceu em Lages, em 24/02/1853, filho de Felisberto Joaquim do Amarante e Carlota Joaquina da Luz. Conforme Certidão de Casamento, em poder da historiadora Maria Batista Nercolini, em 06/09/1885, na cidade de Lages, casou-se com Belisária Ribeiro, filha do Cel. João da Silva Ribeiro e Ismênia Batista de Souza.
Governou São Joaquim no período de 1898-1926, pelo Partido Republicano, reeleito em vários pleitos, onde demonstrou capacidade de conciliação e liderança em torno dos interesses da incipiente sociedade joaquinense.
Talvez pelo fato de ser um rico fazendeiro da época, fundador da Fazenda Barreiro, hoje importante destino para o Turismo Rural no município de Urupema, Cezário Amarante nunca aceitou receber salários pela superintendência que exercia no município. Conforme noticiou o Jornal “Região Serrana”, de Lages, em janeiro de 1899 (exemplar constante do acervo do Museu Histórico Thiago de Castro – Lages), o superintendente Cesário Amarante devolvia os seus honorários à municipalidade porque “tinha muito amor a sua terra”. (Fonte Revista Blumenau em cadernos, Ed. 371, Nov/Dez de 1987- Historiadora Maria Batista Nercolini)
Nos anos 80 o então Prefeito Rogério Tarzan demoliu o antigo Grupo Escolar Manoel Cruz no Centro de São Joaquim e no local mandou construir um centro de “Informações Turísticas”, uma “Casa da Cultura”, uma “Biblioteca Municipal” e uma Praça que denominou com o nome de Cezário Amarante em homenagem ao ex-prefeito.
De lá para cá a praça vem sofrendo com problemas de falta de iluminação, virou um ponto para usuários de drogas, a Casa da Cultura funciona apenas para algumas reuniões, as apresentações culturais pela qual ela foi projetada praticamente morreram, a Informações Turísticas e uma Central de Posto Telefônico são as únicas coisa que funcionam na praça. Já a Biblioteca foi transferida para o longínquo CAIC, deixando o povo ainda mais longe da cultura e mais um vez se transformando em uma miserável piadinha: “Em São Joaquim já teve uma biblioteca”…

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