Só pode ter sido uma brincadeira de mau gosto?
Pescoço do Busto de Cezário Amarante foi utilizado (sabe-se lá pra quê?) para esticar um fio elétrico
Como diria uma célebre frase do pensador Willyan Johnes: “Um povo sem cultura não se levanta. Se ajoelha!” E exatamente assim que se encaminha toda a moral e oscostumes joaquinenses.
Cada vez mais a cultura e história de São Joaquim está sendo menos
lembrada, mas como o esquecimento não é o suficiente, as pessoas ainda
insistem em depredar e destruir o que ainda se resta de monumentos e
obras de arte na elegíaca cidade da neve.
Se não bastasse a destruição das obras de arte do gênio Elson Outuki
em homenagem ao ex prefeito Tio Pruda e todo o ponto turístico do
Mirante dos Pinheiros, agora resolveram avacalhar com a imagem do também
ex-prefeito Cezário Amarante o enforcado em plena praça pública.
Na placa de bronze a justa homenagem diz: “O Preito de Gratidão do povo de São Joaquim”
(‘Preito’ significa: Homenagem, respeito)
Pelo visto o serviço faz parte da decoração de Natal da Praça que
leva o mesmo nome do ex-prefeito, mas não precisava (em momento nenhum)
utilizar o pescoço do busto do saudoso homem para esticar um fio. Fato
que causou a revolta dos familiares de Cezário Amarante.
A Secretaria de Turismo foi cobrada e declarou que já entrou em
contato na semana passada com o CDL pedindo a retirada do fio que
enforca o busto.
A praça ficou um lindo espetáculo com a decoração natalina, algo que
merece todas as congratulações e méritos ao CDL, mas os serviços tem que
serem fiscalizados, não adianta colocar luzes na praça se a própria
memória e imagem do homenageado está sendo conspurcada, sujada,
avacalhada e vilipendiada!
Depois vamos ter que aguentar aquelas velhas piadinhas dos realistas dizendo que São Joaquim é a Capital Nacional do já teve:
São Joaquim já teve cinema… já teve estradas boas… já teve festas da
maçã com presidentes… já teve um Mirante dos Pinheiros… Já teve um
Bistek… Já teve obras de arte… já teve cultura… e etc…
Quem foi Cezário Amarante
O Coronel Cezário Joaquim do Amarante nasceu em Lages, em 24/02/1853,
filho de Felisberto Joaquim do Amarante e Carlota Joaquina da Luz.
Conforme Certidão de Casamento, em poder da historiadora Maria Batista
Nercolini, em 06/09/1885, na cidade de Lages, casou-se com Belisária
Ribeiro, filha do Cel. João da Silva Ribeiro e Ismênia Batista de Souza.
Governou São Joaquim no período de 1898-1926, pelo Partido
Republicano, reeleito em vários pleitos, onde demonstrou capacidade de
conciliação e liderança em torno dos interesses da incipiente sociedade
joaquinense.
Talvez pelo fato de ser um rico fazendeiro da época, fundador da
Fazenda Barreiro, hoje importante destino para o Turismo Rural no
município de Urupema, Cezário Amarante nunca aceitou receber salários
pela superintendência que exercia no município. Conforme noticiou o
Jornal “Região Serrana”, de Lages, em janeiro de 1899 (exemplar
constante do acervo do Museu Histórico Thiago de Castro – Lages), o
superintendente Cesário Amarante devolvia os seus honorários à
municipalidade porque “tinha muito amor a sua terra”. (Fonte Revista
Blumenau em cadernos, Ed. 371, Nov/Dez de 1987- Historiadora Maria
Batista Nercolini)
Nos anos 80 o então Prefeito Rogério Tarzan demoliu o antigo Grupo
Escolar Manoel Cruz no Centro de São Joaquim e no local mandou construir
um centro de “Informações Turísticas”, uma “Casa da Cultura”, uma
“Biblioteca Municipal” e uma Praça que denominou com o nome de Cezário
Amarante em homenagem ao ex-prefeito.
De lá para cá a praça vem sofrendo com problemas de falta de
iluminação, virou um ponto para usuários de drogas, a Casa da Cultura
funciona apenas para algumas reuniões, as apresentações culturais pela
qual ela foi projetada praticamente morreram, a Informações Turísticas e
uma Central de Posto Telefônico são as únicas coisa que funcionam na
praça. Já a Biblioteca foi transferida para o longínquo CAIC, deixando o
povo ainda mais longe da cultura e mais um vez se transformando em uma
miserável piadinha: “Em São Joaquim já teve uma biblioteca”…
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