terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Qualidade de vida em Otacílio avança quase 50% em 20 anos

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Otacílio Costa, 16/12/2013 Correio Otaciliense
 
Emprego, renda, saúde e educação. Estes são alguns aspectos que fazem uma população melhorar de vida. Embora esteja em uma das regiões mais pobres do Estado, Otacílio Costa, na Serra Catarinense, apresenta um novo cenário de crescimento. Desponta-se como uma das melhores cidades para se viver da região.
Segundo pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o município  tem o segundo melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região. O estudo leva em conta três itens principais: educação, longevidade e renda.
Entre 1991 e 2010, o IDH municipal local subiu 45,9%. Passou de “baixo”, numa escala que vai de 0,500 a 0,599, para “alto” (0.740). O avanço colocou o município na segunda colocação entre as 18 cidades da Serra, atrás apenas de Lages.
Com um orçamento médio de R$ 44 milhões e população estimada em 16 mil habitantes, Otacílio Costa tem uma posição geográfica privilegiada. É cortado pela SC 114, antiga 425, que por um lado liga à BR 470, e por outro à BR 282. Estas duas vias representam a espinha dorsal do Estado e são usadas para escoar a maior parte da riqueza catarinense.
Conhecido como Capital Catarinense da Madeira, o município tem a produção de pinus como principal combustível da economia. Detém a maior concentração de florestas com mais de 50 mil hectares plantados, correspondente a cerca de 55% da cobertura de seu território. Diariamente, toneladas e toneladas de madeira saem das florestas para abastecer fábricas do município, como a Klabin e Sudati, consideradas as duas maiores empresas do município. Juntas, elas geram mais de mil empregos diretos. Ou seja, o cultivo de pinus é o “carro-chefe” da economia local.
Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) de Otacílio Costa chega a R$ 501.6 milhões. A cidade ocupa a 52º maior economia do Estado. Entre 2002 e 2009, O PIB apresentou um crescimento de 91,45%.
Um dado emblemático do novo cenário é a valorização imobiliária local. Segundo o corretor de imóveis, Anderson Venturi, há uma década um terreno no bairro Pinheiros, considerado uma área nobre da cidade, custava em torno de R$ 100 mil, mas hoje o valor já superou R$ 400 mil.
A geração de empregos também representa um termômetro do crescimento do município. Entre 2000 e 2010, a taxa de emprego da população de 18 anos ou mais passou de 61,23% para 68,24%. Ao mesmo tempo, o percentual de desempregados recuou de 12,69% para 4,72%. 
Uma pesquisa do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) divulgada ano passado 2012 revelou que Otacílio Costa subiu 87 posições no ranking catarinense em termos de crescimento, chegando a 74ª posição. A geração de emprego foi o grande responsável pelo bom resultado. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, entre 2010 e 2012 o saldo de empregos formais na cidade (diferença entre a quantidade de vagas geradas e demissões), foi positivo em mais de mil vagas. 
 
Educação teve o maior peso
 
Dentre os componentes analisados pelo Pnud, a educação foi o que mais avançou. Entre 2000 a 2010, a proporção de crianças de 5 a 6 anos na escola cresceu 15,82%, e 110,31% entre 1991 e 2000. De 11 a 13 anos, período final do ensino fundamental, o aumento foi de 21,76%, entre 2000 e 2010, e 45,12% entre 1991 e 2000. O índice de jovens entre 15 e 17 anos com ensino fundamental completo, aumentou 45,89% no período de 2000 a 2010, e 53,50% entre 1991 a 2000. Por fim, a proporção de jovens entre 18 e 20 anos com ensino médio completo teve um incremento de 59,15%, entre 2000 e 2010, e 207,24%, entre 1991 e 2000.
Pesquisa do Ministério da Educação (MEC) divulgada em 2008 mostrou que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de Otacílio Costa foi o melhor da Serra. A nota dada ao ensino nas escolas básicas da cidade atingiu 4,5, acima da média nacional, que foi de 3,4, e da estadual, 4.1
O resultado positivo é fruto de políticas de investimento, incentivo e desenvolvimento da educação, implementadas pelo Governo Municipal, e com base na formação continuada de professores, graduação e especialização do corpo docente e ações pedagógicas em sala de aula.
Na categoria longevidade, a expectativa de vida ao nascer aumentou 7,7 anos nas últimas duas décadas. A cidade tem hoje 1.602 pessoas com mais de 60 anos de idade, o que corresponde a cerca de 10% da população.
O aumento da expectativa de vida dos otacilienses foi beneficiado pela queda na mortalidade infantil, que caiu 52%, passado de 28,0 por mil nascidos vivos, em 2000, para 13,4 10 anos depois. A população do município também está com mais dinheiro no bolso. A renda per capita média cresceu 77,38% nas últimas duas décadas, passando de R$ 382,04, em 1991, para R$ 677,67, em 2010.
A desigualdade também recuou, baixando de 0,49, em 2000, para 0,40 em 2010 (o índice varia de 0 a 1, sendo que o 0 representa a situação de total igualdade). A extrema pobreza (família com renda domiciliar per capita inferior a R$ 70,00) passou de 6,19% em 1991 para 3,38%, em 200, para 1,48%, em 2010.
 
Um município que nasceu de um galpão
 
Otacílio Costa surgiu a partir das terras de um político que atuou desde os 16 anos na vida pública. Otacílio Vieira da Costa ergueu um galpão para pernoite e descanso dos tropeiros na estrada que ligava Lages a Curitibanos. O local ficou conhecido como Encruzilhada. Mais tarde, a construção de um botequim, que foi pintado de branco, mudou o nome do local para Casa Branca. Com a chegada de fazendeiros e a aquisição de grandes áreas de terra, a região desenvolveu-se com rapidez.
Em 1959, virou Distrito de Lages. Em 10 de maio de 1982, porém, ganhou emancipação e conta, hoje, com 31 anos. Com uma área de 847 quilômetros quadrados, desponta como umas das principais economias da Serra. A transformação do município impressiona. O centro, que até num passado recente era calmo e acanhado, ficou agitado nos últimos anos. A cidade tem, hoje, aproximadamente 9 mil veículos, uma média de 2 para cada habitante. Hoje, cerca de 70% das vias urbanas são pavimentadas com asfalto.
Apesar da agitação do trânsito, sobretudo nos horários de pico, a cidade ainda cultiva aspectos típicos de cidades do interior. Na praça central arborizada, pessoas passeiam, sentam e conversam e ruas dos bairros são calmas e tranquilas. O aposentado Ari de Lima Silva, de 87 anos, é pioneiro na cidade. Natural de Bocaina do Sul, chegou há 40 anos para trabalhar na empresa Manvillle, hoje Klabin. Assim, ajudar a construir a riqueza da cidade. “Antes era tudo diferente aqui. Tinha pouca gente e casas, mas hoje a cidade cresceu e se desenvolve”, lembra. “Aqui muito bom de viver aqui”, completa.
 
Emprego é “carro-chefe”
 
Para o ex-prefeito Denilson Padilha (PMDB), a geração de emprego teve o principal impacto na melhora da qualidade de vida da população. Avalia que o trabalho reflete diretamente os índices de desenvolvimento. “Não existe melhora de vida sem emprego, que traz dignidade às pessoas”, sustenta.
Ele lembra que, com a instalação da Brandili – empresa do ramo têxtil que emprega basicamente mulheres, expandiu a oferta de postos de trabalho. Em operação há quatro anos, a unidade gera, hoje, cerca de 300 empregos diretos. “A empresa trouxe uma renda complementar as famílias, o que ajudou a aumentar a renda das pessoas”, observa, acrescentando que as políticas públicas e a força do comércio local, também elevaram o padrão da vida da população.
O prefeito Luiz Carlos Xavier, Tio Ligas (PDT), atribui à alta do IDH ao processo de industrialização na última década, a partir da chegada de empresas como a Brandili e Sudati. “Quando vêm investimentos, geram-se mais empregos e renda, melhorando a vida da população”, defende.
No social, afirma que houve avanços expressivos em políticas públicas direcionadas para as famílias mais pobres, como o Bolsa Família do Governo Federal. Avalia que o programa de distribuição de renda veio dar um novo norte às pessoas carentes, influenciado diretamente no social.
Tio Ligas comenta, por outro lado, que o município tem desafios para continuar se desenvolvendo. Um deles é a criação do plano municipal de saneamento básico, que vai cuidar da questão da água, esgoto e destinação dos resíduos sólidos, previsto pela Lei 11.445/2007. “A previsão é que o plano, que é uma exigência do Governo Federal, fique pronto em março de 2014. Com isso, vamos melhorar ainda mais a vida da população”, conclui o prefeito.
 
Quem faz a diferença
 
A história da comerciante Eliane Floriani Nava, de 23 anos, traduz o retrato do desenvolvimento de Otacílio Costa nos últimos anos. Assim como outros milhares de otacilienses, ela resolveu apostar no potencial do município e não pensa arredar o pé tão cedo de sua cidade natal.
A jovem empreendedora é dona da uma loja de perfumes e cosméticos no Centro da cidade, há dois anos. Antes, vendia os produtos de porta em porta, mas com o passar dos anos, decidiu abrir uma loja para trabalhar e crescer junto com a cidade.
“Nosso município está crescendo e temos que apostar nele”, diz ela, revelando que já teve proposta para se instalar em outra cidade, mas não aceitou. “Não quero ir embora”, insiste ela, que já está pensando até em expandir o negócio.
Aliás, Eliane fez o caminho inverso da maioria dos jovens da cidade pequena, que geralmente depois de estudar e se formar, procura uma cidade maior para viver. “Minha família é daqui e nunca pensei em sair da cidade”, completa.

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