Otacílio Costa, 16/12/2013 Correio Otaciliense
Emprego,
renda, saúde e educação. Estes são alguns aspectos que fazem uma
população melhorar de vida. Embora esteja em uma das regiões mais pobres
do Estado, Otacílio Costa, na Serra Catarinense, apresenta um novo
cenário de crescimento. Desponta-se como uma das melhores cidades para
se viver da região.
Segundo pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o município tem o segundo melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região. O estudo leva em conta três itens principais: educação, longevidade e renda.
Entre
1991 e 2010, o IDH municipal local subiu 45,9%. Passou de “baixo”, numa
escala que vai de 0,500 a 0,599, para “alto” (0.740). O avanço colocou o
município na segunda colocação entre as 18 cidades da Serra, atrás
apenas de Lages.
Com
um orçamento médio de R$ 44 milhões e população estimada em 16 mil
habitantes, Otacílio Costa tem uma posição geográfica privilegiada. É
cortado pela SC 114, antiga 425, que por um lado liga à BR 470, e por
outro à BR 282. Estas duas vias representam a espinha dorsal do Estado e
são usadas para escoar a maior parte da riqueza catarinense.
Conhecido
como Capital Catarinense da Madeira, o município tem a produção de
pinus como principal combustível da economia. Detém a maior concentração
de florestas com mais de 50 mil hectares plantados, correspondente a
cerca de 55% da cobertura de seu território. Diariamente, toneladas e
toneladas de madeira saem das florestas para abastecer fábricas do
município, como a Klabin e Sudati, consideradas as duas maiores empresas
do município. Juntas, elas geram mais de mil empregos diretos. Ou seja,
o cultivo de pinus é o “carro-chefe” da economia local.
Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) de
Otacílio Costa chega a R$ 501.6 milhões. A cidade ocupa a 52º maior
economia do Estado. Entre 2002 e 2009, O PIB apresentou um crescimento
de 91,45%.
Um dado emblemático do novo cenário é a valorização imobiliária local. Segundo
o corretor de imóveis, Anderson Venturi, há uma década um terreno no
bairro Pinheiros, considerado uma área nobre da cidade, custava em torno
de R$ 100 mil, mas hoje o valor já superou R$ 400 mil.
A
geração de empregos também representa um termômetro do crescimento do
município. Entre 2000 e 2010, a taxa de emprego da população de 18 anos
ou mais passou de 61,23% para 68,24%. Ao mesmo tempo, o percentual de
desempregados recuou de 12,69% para 4,72%.
Uma pesquisa do Índice
Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) divulgada ano passado 2012
revelou que Otacílio Costa subiu 87 posições no ranking catarinense em
termos de crescimento, chegando a 74ª posição. A geração de emprego foi o
grande responsável pelo bom resultado. Segundo o Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego,
entre 2010 e 2012 o saldo de empregos formais na cidade (diferença entre
a quantidade de vagas geradas e demissões), foi positivo em mais de mil
vagas.
Educação teve o maior peso
Dentre os componentes analisados pelo Pnud, a
educação foi o que mais avançou. Entre 2000 a 2010, a proporção
de crianças de 5 a 6 anos na escola cresceu 15,82%, e 110,31% entre 1991
e 2000. De 11 a 13 anos, período final do ensino fundamental, o aumento
foi de 21,76%, entre 2000 e 2010, e 45,12% entre 1991 e 2000. O índice
de jovens entre 15 e 17 anos com ensino fundamental completo, aumentou
45,89% no período de 2000 a 2010, e 53,50% entre 1991 a 2000. Por fim, a
proporção de jovens entre 18 e 20 anos com ensino médio completo teve
um incremento de 59,15%, entre 2000 e 2010, e 207,24%, entre 1991 e
2000.
Pesquisa do Ministério da Educação (MEC) divulgada em 2008 mostrou que o Índice
de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de Otacílio Costa foi o
melhor da Serra. A nota dada ao ensino nas escolas básicas da cidade
atingiu 4,5, acima da média nacional, que foi de 3,4, e da estadual, 4.1
O
resultado positivo é fruto de políticas de investimento, incentivo e
desenvolvimento da educação, implementadas pelo Governo Municipal, e com
base na formação continuada de professores, graduação e especialização
do corpo docente e ações pedagógicas em sala de aula.
Na
categoria longevidade, a expectativa de vida ao nascer aumentou 7,7
anos nas últimas duas décadas. A cidade tem hoje 1.602 pessoas com mais
de 60 anos de idade, o que corresponde a cerca de 10% da população.
O
aumento da expectativa de vida dos otacilienses foi beneficiado pela
queda na mortalidade infantil, que caiu 52%, passado de 28,0 por mil
nascidos vivos, em 2000, para 13,4 10 anos depois. A população do
município também está com mais dinheiro no bolso. A renda per capita
média cresceu 77,38% nas últimas duas décadas, passando de R$ 382,04, em
1991, para R$ 677,67, em 2010.
A
desigualdade também recuou, baixando de 0,49, em 2000, para 0,40 em
2010 (o índice varia de 0 a 1, sendo que o 0 representa a situação de
total igualdade). A extrema pobreza (família com renda domiciliar per
capita inferior a R$ 70,00) passou de 6,19% em 1991 para 3,38%, em 200,
para 1,48%, em 2010.
Um município que nasceu de um galpão
Otacílio
Costa surgiu a partir das terras de um político que atuou desde os 16
anos na vida pública. Otacílio Vieira da Costa ergueu um galpão para
pernoite e descanso dos tropeiros na estrada que ligava Lages a
Curitibanos. O local ficou conhecido como Encruzilhada. Mais tarde, a
construção de um botequim, que foi pintado de branco, mudou o nome do
local para Casa Branca. Com a chegada de fazendeiros e a aquisição de
grandes áreas de terra, a região desenvolveu-se com rapidez.
Em
1959, virou Distrito de Lages. Em 10 de maio de 1982, porém, ganhou
emancipação e conta, hoje, com 31 anos. Com uma área de 847 quilômetros
quadrados, desponta como umas das principais economias da Serra. A
transformação do município impressiona. O centro, que até num passado
recente era calmo e acanhado, ficou agitado nos últimos anos. A cidade
tem, hoje, aproximadamente 9 mil veículos, uma média de 2 para cada
habitante. Hoje, cerca de 70% das vias urbanas são pavimentadas com
asfalto.
Apesar
da agitação do trânsito, sobretudo nos horários de pico, a cidade ainda
cultiva aspectos típicos de cidades do interior. Na praça central
arborizada, pessoas passeiam, sentam e conversam e ruas dos bairros são
calmas e tranquilas. O aposentado Ari de Lima Silva, de 87 anos, é
pioneiro na cidade. Natural de Bocaina do Sul, chegou há 40 anos para
trabalhar na empresa Manvillle, hoje Klabin. Assim, ajudar a construir a
riqueza da cidade. “Antes era tudo diferente aqui. Tinha pouca gente e
casas, mas hoje a cidade cresceu e se desenvolve”, lembra. “Aqui muito
bom de viver aqui”, completa.
Emprego é “carro-chefe”
Para
o ex-prefeito Denilson Padilha (PMDB), a geração de emprego teve o
principal impacto na melhora da qualidade de vida da população. Avalia
que o trabalho reflete diretamente os índices de desenvolvimento. “Não
existe melhora de vida sem emprego, que traz dignidade às pessoas”,
sustenta.
Ele
lembra que, com a instalação da Brandili – empresa do ramo têxtil que
emprega basicamente mulheres, expandiu a oferta de postos de trabalho.
Em operação há quatro anos, a unidade gera, hoje, cerca de 300 empregos
diretos. “A empresa trouxe uma renda complementar as famílias, o que
ajudou a aumentar a renda das pessoas”, observa, acrescentando que as
políticas públicas e a força do comércio local, também elevaram o padrão
da vida da população.
O
prefeito Luiz Carlos Xavier, Tio Ligas (PDT), atribui à alta do IDH ao
processo de industrialização na última década, a partir da chegada de
empresas como a Brandili e Sudati. “Quando vêm investimentos, geram-se
mais empregos e renda, melhorando a vida da população”, defende.
No
social, afirma que houve avanços expressivos em políticas públicas
direcionadas para as famílias mais pobres, como o Bolsa Família do
Governo Federal. Avalia que o programa de distribuição de renda veio dar
um novo norte às pessoas carentes, influenciado diretamente no social.
Tio
Ligas comenta, por outro lado, que o município tem desafios para
continuar se desenvolvendo. Um deles é a criação do plano municipal de
saneamento básico, que vai cuidar da questão da água, esgoto e
destinação dos resíduos sólidos, previsto pela Lei 11.445/2007. “A
previsão é que o plano, que é uma exigência do Governo Federal, fique
pronto em março de 2014. Com isso, vamos melhorar ainda mais a vida da
população”, conclui o prefeito.
Quem faz a diferença
A
história da comerciante Eliane Floriani Nava, de 23 anos, traduz o
retrato do desenvolvimento de Otacílio Costa nos últimos anos. Assim
como outros milhares de otacilienses, ela resolveu apostar no potencial
do município e não pensa arredar o pé tão cedo de sua cidade natal.
A
jovem empreendedora é dona da uma loja de perfumes e cosméticos no
Centro da cidade, há dois anos. Antes, vendia os produtos de porta em
porta, mas com o passar dos anos, decidiu abrir uma loja para trabalhar e
crescer junto com a cidade.
“Nosso
município está crescendo e temos que apostar nele”, diz ela, revelando
que já teve proposta para se instalar em outra cidade, mas não aceitou.
“Não quero ir embora”, insiste ela, que já está pensando até em expandir
o negócio.
Aliás,
Eliane fez o caminho inverso da maioria dos jovens da cidade pequena,
que geralmente depois de estudar e se formar, procura uma cidade maior
para viver. “Minha família é daqui e nunca pensei em sair da cidade”,
completa.
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