Lages, 20/06/2013, Correio Lageano, por Joana Costa
Notificado e ameaçado de interdição, setor do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres está funcionando e precisa de reforma
A ala psiquiátrica do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres (HNSP) foi notificada pela Vigilância Sanitária para readequar os seus espaços físicos dentro de um prazo de 30 dias, que encerrou no início desta semana. O hospital pediu um prazo maior para estudar como fará as melhorias. Enquanto isso, o setor permanece funcionando.
Diferente do que o Correio Lageano informou na edição de quarta-feira (19), a ala psiquiátrica Clínica São Luiz, do HNSP, não está interditada. O diretor administrativo do hospital, Canísio Isidoro Winkelmann, explica que uma notificação foi feita após a vistoria anual da Vigilância Sanitária.
O hospital pediu prazo maior para as adequações, evitando a interdição. “Como se trata de questões estruturais, precisamos de mais tempo para avaliação e execução”, afirma.
A gerente de Vigilância Sanitária, Ester Santos Souza, explica que, apesar da vistoria realizada no HNSP apontar as deficiências, a psiquiatria não será fechada. Para ela, a estrutura é muito antiga e sofreu com a ação do tempo. “A gente pediu que o hospital tome providências”.
A intenção não é interditar o local imediatamente, pois o prejuízo seria maior aos pacientes, que ficariam sem atendimento. “Não foi tomada nenhuma medida drástica porque não há como os pacientes serem realocados”, acrescenta.
Uma análise interna vai averiguar a possibilidade do atendimento das exigências. Para Winkelmann, uma reforma não seria o suficiente. “Tem que derrubar e construir uma unidade nova”. Os problemas são piso deteriorado, necessidade de ampliação de áreas de acesso e áreas externas, telhado danificado, infiltrações e fiação exposta.
Destino dos pacientes preocupa
O HNSP pediu prazo de mais 60 dias para que seja decidido se as adequações podem ser feitas, ou se a única opção é o fechamento compulsório da ala. Caso a segunda opção seja inevitável, os pacientes internados não serão mandados embora imediatamente.
Num primeiro momento, o hospital deixará de receber novos pacientes e encerraria as atividades à medida que os pacientes internados fossem recebendo alta. “Não temos nenhum interesse de abandonar na rua alguém que esteja internado”, destaca o diretor Canísio Winkelmann.
A ala psiquiátrica tem capacidade para 30 leitos e trabalha normalmente com 95% deste toral. “No dia em que a Vigilância Sanitária veio, nós tínhamos 33 leitos por causa de internação judicial, que eu não posso recusar”, destaca.
Faltam recursos para reforma
Foi aprovado em 2012, pelo Conselho de Desenvolvimento Regional, o repasse de recursos ao HNSP para reforma na cozinha e aquisição de equipamentos para Unidade de Tratamento Intensivo e emergência. No entanto, de acordo com o diretor Canísio Winkelmann o dinheiro ainda não foi repassado. Por isso, ele acha difícil conseguir mais verba para as melhorias na psiquiatria.
A gerente regional de saúde, Beatriz Montemezzo, informa que o hospital deve receber dinheiro do Governo do Estado para o setor de atendimento psicossocial. A ideia é que o estabelecimento passe a receber repasses maiores quando for instalada a referência em psiquiatria.
Em relação à ameaça de interdição do hospital, ela informa que o atendimento do HNSP é fundamental, pois ele recebe pacientes de toda a região e as adequações necessárias precisam ser realizadas. “O que nós precisamos é adequar a estrutura física e dar qualidade ao atendimento. Todo o paciente merece cuidado e atenção e só assim a gente terá atendimento de qualidade”, declara.
Atendimento dos profissionais é elogiado
A Vigilância Sanitária destacou que o atendimento humano realizado dentro da ala psiquiátrica é bom, apesar da estrutura física deficitária. “Em relação aos procedimentos técnicos com pacientes está tudo normal. O que precisa é de uma reforma mesmo”, afirma a gerente Ester Souza, da Vigilância Sanitária. Alimentação, projeto terapêutico multiprofissional com psicólogo, terapeutas e proximidade com hospital geral foram elogiadas.
Foto:Joana Costa
