Lages, 28/09/2012,Correio Lageano, por Thomas Michel
O menino foi achado vagando, sozinho, na manhã de quinta-feira (27) . A
família já foi localizada. O garoto teria fugido de casa
Doraci Rodrigues Madruga e Bento de Lima Oliveira tiveram uma manhã
incomum. Por volta de 6h30min, viram uma criança caminhando sozinha no
campo em frente à rua Vital Brasil, no bairro Penha. O menino, que
aparenta ter 4 anos, estava indo em direção à rodovia. Bento correu e
foi ajudar o menino a atravessar a rua. Ele estava procurando a mãe, que
não estava ali.
A solução do casal foi acolher a criança. O menino não tem a fala bem
desenvolvida, prejudicando a identificação. Além disso, não tinha nome,
filiação e apontava para qualquer direção quando era questionado sobre
sua residência.
A vestimenta se resumia a uma camisa e uma calça de moletom. A
temperatura estava abaixo de 10ºC. “Ele tremia, então vestimos e demos
café”. Doraci colocou uma blusa de lã e meias no garoto, que começou a
ser chamado de Lucas (o nome descoberto posteriormente não era esse).
Ligaram para uma rádio para achar sua família. Sem sucesso, foi
contatado o Conselho Tutelar.
Lucas era bagunceiro e estava à vontade na casa dos estranhos. Mesmo
com a chegada da imprensa, ele ria da situação e brincava com as
câmeras, microfones e gravadores.
A única ligação foi de uma mulher de São Paulo, mãe de Lukas Wésley
Barbosa, de três anos. Este menino desapareceu na porta de casa, dia 23
de setembro. “Ligaram de São Paulo achando que fosse o filho deles”,
contaram Bento e Doraci.
O caso do Lucas lageano já foi resolvido. No fim da manhã, o Conselho
Tutelar chegou na casa de Doraci e procurou o Centro de Referência em
Assistência Social (Cras), do bairro Penha. Apesar de ninguém reconhecer
o garoto, acharam que ele era parecido com uma das famílias que mora ao
lado do campo, no loteamento Nadir. No Cras, o menino quase fugiu mais
uma vez, depois de fazer um lanche.
No campo em que Lucas foi encontrado, existe uma trilha onde moradores
do loteamento Nadir se deslocam até a parte alta da Penha. A casa da
família do garoto fica ao lado deste terreno.
Sobre a família
O garoto fugiu de casa pela manhã, após a mãe ter ido ao Centro da
cidade. Quem ficou responsável foi o irmão de 20 anos. O conselheiro
tutelar Paulo Roberto Coelho de Oliveira explica que houve negligência,
mas como não foi intencional, não é grave.
A mãe tem sete filhos, sendo que três já são casados. Uma das irmãs
mora próximo à casa de Doraci. Segundo Paulo, não houve nenhum caso
semelhante de negligência na família. “Receberam uma advertência e agora
serão acompanhados”, diz o conselheiro.
Ele ainda explica que o fato de o menino estar com pouca roupa em um
dia frio também é mais uma forma de negligência. No caso de precisar
sair, o ideal é deixar a criança sob a supervisão de um adulto
responsável, recomenda.
Cadastro de desaparecidos
O caso de Lucas é mais um entre vários de desaparecidos. A Polícia
Civil de Santa Catarina mantém um site específico para crianças
desaparecidas: o criancadesaparecida.org e tem um cadastro de 20 jovens
que estão fora de casa. Consta que o serviço já ajudou a achar 25
pessoas.
Somente este ano, a Serra Catarinense foi palco de quatro casos de
desaparecimento. Um deles foi de Lauro Fábio Muniz da Silva, que foi
encontrado morto no Salto Caveiras.
Outros dois, que foram encontrados eram de jovens que haviam fugido de
casa. Uma adolescente de 13 anos em São Joaquim, tinha saído por conta
de um namoro que os pais desaprovavam. Já Caribe Antunes Gonçalves
estava na Serra Catarinense quando parou de dar notícias para sua
família. Também foi encontrado.
Foto: Thomas Michel