O Brasil conta com 212 bancos e 110 postos de coleta de leite materno. A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (RBLH) é a maior e mais complexa do mundo, exportando tecnologia e conhecimento para países da Iberoamérica e África. Toda mulher que amamenta pode doar leite para que os bancos consigam atender à demanda de recém-nascidos prematuros e de baixo peso. A iniciativa busca a redução da mortalidade infantil.
Para sensibilizar as mulheres, o Ministério da Saúde lançou a campanha de 2012 com o slogan: “Doar leite materno é multiplicar vida com esperança; é somar saúde com solidariedade; é dividir o alimento mais completo que existe; é diminuir a mortalidade infantil; é igual ao amor – quanto mais a gente doa, mais a gente tem”.
A campanha deste ano valoriza as doadoras e as crianças que sobreviveram graças a este ato de solidariedade de mães brasileiras. O leite passa pelo processo de pasteurização e adquire qualidade certificada para ser distribuído a mais de 135 mil recém-nascidos, principalmente aos que ficam hospitalizados. Em Lages, as coletas externas do Hospital Tereza Ramos (HTR) não acontecem há anos.
O banco de leite funciona como uma central de orientação e assistência às mães para a amamentação dos bebês. Em agosto de 2010, o Correio Lageano publicou uma reportagem em que os responsáveis pelo setor informavam que, um projeto seria enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a retomada do serviço. Isso não aconteceu. A diretora administrativa, Ivone Koeche, justificou dizendo, que em 1998, 98% das mães afirmaram que amamentavam seus filhos.
Portanto, não há necessidade de uma mãe doar o leite para que outro bebê se alimente. Dessa forma, não há interesse em voltar a ter uma equipe para fazer as coletas nas residências. Ela ressalta que não é utilizado leite industrializado no hospital a não ser por prescrição médica.
Já a coordenadora do Banco de Leite, Samira de Liz, diz que é o Ministério da Saúde preconiza que o Banco funcione estimulando o aleitamento de mãe para filho. Liz explica que quando não há a estimulação da mama, o leite vai deixando de ser produzido pelo corpo.
Orientação para o aleitamento materno
As gestantes participam de reunião mensal nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Na maternidade, uma equipe passa todos os dias nos quartos orientando sobre alimentação, a ter uma boa noite de sono e ambiente tranquilo para amamentar, além da maneira correta de posicionar o bebê.
As mães de outras cidades que voltaram para casa e não conseguiram amamentar ou aquelas que estão com seus bebês na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou berçário ficam hospedadas no hospital. As que moram em Lages passam o dia e voltam para casa à noite. Em geral, passam de 10 a 15 mulheres por dia no Banco de Leite.
Há um mês, Francielle Barbosa fica no hospital das 8 horas às 20 horas para retirar o leite e alimentar o filho Lucas. Ele nasceu prematuro e toma 36ml a cada três horas. Ela sabe que até os seis meses ele não precisa ingerir outro alimento. “É melhor para ele e até os seis meses não precisa dar outro alimento. Quero amamentar por um ano”, diz. Francielle faz a coleta a cada duas horas e não tem dificuldades. No início, sentiu dor e desconforto, mas agora é tranquilo. Os outros dois filhos foram amamentados até os oito meses, de acordo com a mãe.
Amamentação em Lages
A coordenadora do programa Saúde da Criança e do Adolescente, da Secretaria Municipal de Saúde, Leandra Borges, afirma que o leite materno evita a diarreia e infecções respiratórias no bebê. Assim, combate a mortalidade infantil. Ela percebe que as mães adolescentes não têm a preocupação em amamentar para o seio não ficar flácido. Muitas delas procuram a Secretaria para receberem leite de farinha, fornecido a crianças desnutridas ou com intolerância à lactose.
“Essas meninas dizem que não conseguem amamentar. No início é mais difícil, sai pouco e elas pensam que o leite é fraco”, conta Borges. As orientações são para evitar que as crianças tomem leite de farinha sem necessidade.
A partir do aleitamento, o organismo da mãe vai se organizando e voltando ao normal. As mulheres mais experientes de 30 a 35 e que já tem a cultura familiar de amamentação, não veem empecilho e amamentam até um ou dois anos. “A gente fala que o leite materno é a primeira vacina do bebê e está na temperatura ideal”, completa Borges.
Foto: Francielli Campiolo