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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Região da Coxilha Rica desperta interesse do setor agrícola

Região da Coxilha Rica desperta interesse do setor agrícola
Lages, 15 e 16/06/2013,Correio Lageano, por  Adecir Morais



Plantações de grãos poderão se alastrar pela Coxilha, impulsionadas pela construção de uma rodovia. Local é considerado um berço cultural e histórico em Lages



A Coxilha Rica, em Lages, na Serra Catarinense, sempre atraiu os olhares da sociedade por causa de suas belezas naturais, mas, recentemente, também despertou o interesse do setor agrícola. A Coopercampos pretende investir cerca de R$ 10 milhões na construção de duas unidades de armazenamento de grãos na região.




O investimento foi anunciado após o governador Raimundo Colombo confirmar a pavimentação de uma estrada na região, que vai ligar a BR-116 até a comunidade de São Jorge, totalizando 44,3 quilômetros. A via será usada para o escoamento da produção. O projeto da obra está sendo elaborado.



“Coxilha Rica é um patrimônio natural riquíssimo que pode agregar atividades culturais e turísticas, e a pavimentação da estrada será uma alavanca nesse processo”, resume o secretario de Desenvolvimento Regional (SDR) de Lages, Gabriel Ribeiro.



Segundo a Coopercampos, os estudos de viabilidade agrícola para o investimento começaram em 2012. As obras de terraplanagem da primeira unidade de grãos, às margens da 116, devem começar esta semana. A ideia é transformar os campos da região em lavouras de milho, soja e trigo, por exemplo.



A unidade terá capacidade para armazenar 40 mil sacas de 60 kg. Além disso, contará com balança, escritório, duas moegas (equipamentos destinados a dosagem de materiais provenientes dos silos, destinando-os à recepção de ensacados), dois silos de armazenagem, moradia para funcionário e uma área de reflorestamento.



O investimento previsto é de R$ 2,5 milhões. Já a segunda unidade deve ser  erguida na localidade de São Jorge.



Caminhos das Tropas


Para o diretor-presidente da empresa, Luiz Carlos Chiocca, a chegada da cooperativa marca uma nova era na região conhecida como o Caminho das Tropas, onde os pecuaristas poderão explorar novas atividades, nos seus cerca de 100 quilômetros quadrados de extensão.



“A bela região de planícies possui grandes áreas favoráveis à produção de grãos e a Copercampos, após estudos de viabilidade e aprovação da diretoria, iniciou o projeto com a aquisição de um terreno. Agora, inicia-se a terraplanagem para a construção da unidade”, destaca.



Segundo Chiocca, inicialmente será construída uma unidade de transbordo que atenderá aos agricultores associados e clientes da cooperativa que possuem terreno na Coxilha. Com isso, acredita-se que haverá novas oportunidades para os proprietários de terras da região.



O associado Luís Antônio Zanatta produz soja na região. “A Coxilha e a região têm potencial agrícola. Estamos realizando investimentos na área para produzir mais e, com a chegada da cooperativa, ficará mais fácil para o agricultor armazenar a produção”, diz.



Exploração precisa ser sustentável


A exploração agrícola da Coxilha Rica é vista com desconfiança por alguns setores da sociedade. O temor é que o desenvolvimento avance, descaracterizando a configuração natural do local.



Robério Biachini, que organizada cavalgadas no local, defende que haja uma exploração agrícola sustentável, isso para preservar o patrimônio cultural, natural e histórico.
“Criaram-se regras para o cultivo de pinus na região, por exemplo, que agora devem ser aplicadas também na produção agrícola. Deve haver um equilíbrio entre exploração agrícola e preservação dos aspectos ambientais e turísticos”, comenta.



Ele pontua que a região tem atraído, cada vez mais, os olhares do mundo, tanto que recebe, por ano, cerca de 300 turistas estrangeiros que procuram o local para realizar atividades como cavalgadas.



Além da exploração agrícola, a Coxilha também é vista pelo setor elétrico como uma boa opção de investimento. Tanto que está prevista a construção da Usina Hidrelétrica Pai Querê, no Rio Pelotas, além de pequenas usinas.



Iphan: exploração deve obedecer as leis de proteção da localidade



A Coxilha Rica é considerada Patrimônio Cultural. A região concentra o maior e mais importante acervo de bens culturais relacionados à história do tropeirismo em Santa Catarina. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), um mapeamento identificou um número expressivo de sedes de fazendas com casarões centenários, galpões e mangueirões de taipa de pedra.



Além disso, há corredores e passos de tropas que se espalham pelos campos de toda a região, testemunhando, assim, o papel relevante da economia pastoril. No local, encontram-se remanescentes físicos deste percurso, constituídos por corredores de taipas de pedra que delimitavam os caminhos e inúmeras sedes de fazendas.



Ainda, o patrimônio cultural acumulado ao longo dos séculos, apresenta diversidade cultural resultante das trocas envolvidas no tropeirismo, que mesclavam os conhecimentos do Sul e do centro do Brasil.



O local também é composto de antigos cemitérios cercados por taipas de pedra, que serviam às fazendas; a paisagem única, formada pela alternância de campos nativos e capões de araucária; além de uma infinidade de tradições e manifestações culturais de natureza imaterial, com destaque para a gastronomia serrana.  


Com isso, o Iphan alerta que, qualquer atividade de exploração na Coxilha Rica, seja por meio da abertura de asfalto ou produção agrícola, deve obedecer à legislação vigente. O local é protegido pelas portarias 230, de 2002, e 07 de 1988 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que visam a assegurar a preservação do patrimônio cultural e arqueológico da região, uma das mais bonitas do Sul do Brasil.



ASFALTAMENTO DA COXILHA RICA


  • 2012 foi o ano em que a Coopercampos iniciou os estudos de viabilidade projetando os investimentos na construção de unidades de armazenamento de grãos.


  • R$ 2,5 milhões será o investimento que a cooperativa fará na construção da primeira unidade, às margens da BR-116, em Capão Alto.


  • 40 mil sacos de grãos será a capacidade de armazenamento da primeira unidade da Coopercampos.


  • 44,3 quilômetros será a extensão da rodovia, ligando a BR-116 até a comunidade de São Jorge, no interior de Lages.


RODOVIA ESTADUAL

  • Nome: SC-390 (continuação da estrada que vai em direção a Anita Garibaldi).
  • Trecho: Entrada na comunidade de Vigia até a bifurcação que dá acesso às comunidades de São Jorge e Bodegão, no centro da Coxilha Rica.
  • Extensão: 44,3 quilômetros.
  • Valor do Projeto: R$ 1,4 milhão.



Foto: Zé Rabelo/Divulgação