Bairro possui 3.589 habitantes, destes 1.692 são homens e 1.897 são mulheres. Sua fundação começou com cinco famílias
O bairro Sagrado Coração de Jesus pode ser considerado autossuficiente, pois na rua Humberto de Campos é possível encontrar mercearias, videolocadora, farmácia, posto de gasolina, academia de ginástica e muito mais. No entanto, nem sempre foi assim. Vera Maria Silva vive no bairro há 57 anos, desde quando nasceu, ela conta que o seu avô, Olímpio Justino dos Santos foi um dos primeiros moradores do local. “Ele comprou uns terrenos e na época não tinha nada, era somente um monte de campos e tinha mais quatro famílias, isso aconteceu na década de 40”, conta.
O bairro ainda não tinha nome e pertencia ao Coral e somente em 1956 foi batizado pelo nome Sagrado Coração de Jesus.O bairro aos poucos foi sendo povoado e surgiu a necessidade de construir uma escola que no início funcionava junto com a capela. Vera e Ondina Neves Bleyer e a mãe Ligya Santos de Chaves lutaram para que a escola fosse construída.
Os primeiros comerciantes do bairro foram Antônio da Silva, conhecido como seu Nelo e Aldo Floriani. O pai de Vera, Álvaro Jairo de Chaves, teve a primeira marcenaria do bairro, a Marcenaria São José, que ficava na rua Humberto de Campos, porém hoje somente ficou o terreno. Os pais de Vera já estão falecidos, mas ajudaram a construir o Sagrado e deixaram como herança para a filha o carinho pelo bairro.“Minhas filhas nasceram, cresceram e se casaram aqui, tenho um carinho muito grande, conheço cada cantinho do bairro”, fala Vera.
Voluntárias trabalham com ervas
Maria Rosa deOliveira faz parte da Pastoral da Saúde e Sociais desde de 1982. A pastoral visa a promoção, e educação para a saúde. Atua na orientação sobre uma vida mais saudável, ajudando as pessoas a prevenirem as doenças, Valoriza a sabedoria popular com o uso das plantas medicinais. Ela e Zenira da Costa Rocha juntamente com Teresinha Viecelli, moram no Sagrado, mas ajudam famílias carentes de outro bairros.
Eles fabricam artesanalmente xarope de guaco, bala de gengibre, pomada de calêndula, cidral destilado e canudo para limpeza de ouvido. Ainda fazem sabão de sálvia para alergias e tempero completo para alimentos. A distribuição dos medicamentos é feita em 16 comunidades. “Estamos sempre fazendo cursos e aperfeiçoando o que aprendemos, muitas pessoas pedem para a gente dar cursos em outros bairros”, afirma Rosa.
Além disso, dão dicas de higiene, alimentação saudável e reaproveitamento de alimentos. Em um dos cursos elas aprenderam receitas com leite de alpiste, que ajuda a diminuir a pressão arterial, colesterol, e ainda estabiliza o diabetes. Elas se encontram todas as segundas-feiras. “É muito gratificante o que fazemos, eu sou mais feliz por poder ajudar as pessoas, é uma bênção, deixo tudo que tenho para fazer para me dedicar a este trabalho”, comenta Rosa.
Escola Ondina está com 55 anos
Foi batizada com este nome em homenagem há uma das incentivadoras da criação da isntituição
A Escola Municipal de Educação Básica Ondina Neves Bleyer, tem 55 anos, situa-se na rua Coronel Zeca Athanásio. Foi fundada em 10/03/1957, como Escola Isolada Sagrado Coração de Jesus, funcionando de 1ª a 4ª série. A escola é referência no bairro e, nos últimos anos, muitos pais acampam em frente à escola para conseguir uma vaga para seus filhos. Além disso, todos os dias há pedidos de vagas.
No último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) o 9° ano ficou em primeiro lugar no município, e o 5° ano em segundo lugar. “Damos prioridade para a qualidade do ensino, acredito que este é o motivo da procura dos pais por mais vagas. Os pais também são muito participativos, sempre que solicitados, comparecem à escola”, afirma a diretora, Silvana Arruda Lucena.
Em março de 1960 a escola adotou o nome da Professora Ondina Neves Bleyer. Em 05/10/1981 passou a grupo Escolar Ondina Neves Bleyer, o qual funcionou até 10/07/91 sob a administração do Governo Estadual, passando, a partir desta data, à escola municipalizada. Em 30/12/1997 transformou-se em Grupo Escolar Municipal e no dia 04/06/2002 passou à denominação de E.M.E.B. Ondina Neves Bleyer.
Atualmente, atende 459 alunos do 1º ao 9º ano – Educação Fundamental. São 18 turmas divididas em dois turnos: matutino e vespertino. Uma das prioridades da escola é o incentivo à leitura, sendo que entre os projetos está o “Semeando Leitores”, pelo qual, todas as terças-feiras, a escola para por 10 minutos para a leitura; ainda tem a “Ciranda do Livro”, onde pais e funcionários trocam de livros e também quem pega mais livros na biblioteca é premiado no final do ano, ainda tem o projeto “Cuidando da Natureza”, pelo qual os alunos trazem garrafas pet que são vendidas e a renda adquirida é para a compra de livros.
Após o horário de funcionamento das aulas, em dois dias, acontecem atividades, como Assistência Pedagógica de Matemática e Progressão Parcial de Matemática e o Projeto Bate Bola na Escola com aulas de Xadrez.
Capela do Sagrado
A capelinha do Sagrado foi fundada em 1956, em dois terrenos situados à rua Zeca Athanásio, doados, na época, por Áureo Lisboa. Ela foi construída através de doações. A 1° imagem do padroeiro da igreja foi doada por Abramo Báu e sua esposa Gema. Por intermédio de Isaura Antunes da Silva e Petronilha Netto Antunes a capela recebeu o nome Sagrado Coração de Jesus. Elas deram a sugestão para o padre Odilon, que aceitou.
Em 1967 a capela passou para a rua Humberto de Campos, onde está até hoje. Dia 8 de julho acontece a tradicional festa do padroeiro, que é realizada desde a fundação da igreja que antigamente realizava procissões e festas.
Na igreja são realizadas muitas atividades, entre elas a pastoral da família, com dois encontros anuais (um em maio e outro em outubro), onde participam 30 casais. Um encontro onde existe troca de experiências e o resgate dos valores matrimoniais. “O movimento acontece há 30 anos, trabalham 60 casais e três deles desde a fundação do grupo”, explica uma das participantes, Rosana Araújo. Além da pastoral da família, há a Legião de Maria (MCB), Liturgia, visitação de doentes, pastoral da acolhida grupo de jovens e pastoral da saúde.
Mercearia Dona Nega atende todo o bairro
O entra e sai da mercearia Dona Nega, não para. E isso se repete há 40 anos. Muitos clientes passam todos os dias no local para comprar o que falta em casa. Já é uma referência no bairro.
Nelzinha Schmitz Neto, é uma das pessoas mais conhecidas do Sagrado, mas não pelo seu nome de batismo, todos a conhecem como Dona Nega.
Ela possui uma das mercearias mais antigas do bairro. Localizada na Humberto de Campos, o empreendimetno começou tímido com uma área de cerca de 10 metros quadrados, onde permaneceu por dez 10 anos, com o crescimento do bairro, Dona Nega pode ampliar seu negócio. “Eu trabalhei na Casa Neto como balconista por 20 anos e decidi ter meu próprio negócio juntamente com meu marido, então abrimos a mercearia”, conta e orgulha-se de ter conseguido graduar as 4 filhas e os dois filhos, com o dinheiro vindo do empreendimento da família.
Hoje um filho e um neto ajudam a tocar o estabelecimento. Outro filho de dona Nega também montou uma filial da agência dos Correios no bairro. Ela tem 73 anos e não pensa em parar de trabalhar. “Eu amo o que faço. Fiz muitas amizades e vou continuar trabalhando até quando Deus quiser. Isso aqui é minha vida”, salienta dona Nega.
Fotos : Silviane Manrrich
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