Avenida de Palhoça recebia todo o tráfego da BR-282 até o ano de 2002. Hoje é somente uma pacata via do bairro Aririú
Quem andava pela BR-282, em direção a Florianópolis, antes de 2002, deve se lembrar de passar por uma rua de paralelepípedos e da estátua de um dinossauro. Era a localidade de Aririú, em Palhoça. Uma avenida de duas mãos, sem asfalto, que supria a necessidade de ligação entre a BR-282 e a BR-101 de forma provisória (durante muito tempo).
No que hoje é a avenida São Cristóvão, Sílvio Giarotto toma um café enquanto vê um Palmeiras e Corinthians na televisão da padaria. Mora há 17 anos no lugar e viu o movimento de carros quase sumir. Segundo cálculos dele próprio, a quantidade de veículos que passam por ali diminuiu 90% depois da construção do que hoje é a BR-282.
Na avenida, hoje com cara de rua, não há lugar para estacionar, e uma fina camada de asfalto foi colocada há cerca de um ano. Já apresenta buracos. Culpa, segundo Sílvio e outros populares, da prefeitura e das eleições. “Fazem obra só em época de eleições”, desdenha, falando da baixa qualidade.
Pacato, o local não dá mostras de já ter recebido milhares de carros e caminhões diariamente. O comércio, fruto daqueles tempos, ainda existe forte no local, mas nada comparado ao que já foi. Hoje se restringe em abastecer os moradores, que não são poucos. Cerca de 2.800 pessoas moram no entorno do que já foi a BR-282. “Agora tem bastante loteamento na região, e o movimento está voltando”, diz Sílvio. De fato, o movimento pode ter caído 90%, como ele disse, pois, em cerca de 15 minutos de conversa com a reportagem do Correio Lageano, talvez uma dezena de veículos tenham cruzado a avenida. A maioria é motocicleta.
O morador relata que, depois da mudança da BR-282, o local teve um incremento na qualidade de vida. Diminuiram a quantidade caminhões, agora é fácil atravessar a avenida, ou até mesmo andar no meio dela (dado as raras calçadas) como fazem os moradores.
O dinossauro continua de pé, no mesmo lugar, guardando a avenida, e por conta do movimento, não atrai tanto a atenção das crianças e dos turistas. A obra do artista Walmir Valmor Schindew, era para a criação de um parque pré-histórico e foi construída em 1984.
De pré-histórico, porém, apenas uma placa a 50 metros do dinossauro. Insólita jogada no canto da avenida, não passa despercebida por conta da cor preta. “Peixaria 282”, e uma flecha ao lado rememoram os tempos de rodovia da avenida.
Fotos:Thomas Michel
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