sábado, 25 de agosto de 2012

Laboratórios já sentem reflexos da greve

Laboratórios já sentem reflexos da greve
Lages, 25 e 26/08/2012,Correio Lageano



Exames mais complexos como os para diagnosticar hepatite e alergias foram interrompidos em alguns laboratórios de Lages



Hospitais e laboratórios em alguns estados do Brasil já deixaram de fazer exames por falta de reagentes e insumos, que não estão chegando por causa da greve dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os reflexos da greve já estão afetando, também, os laboratórios de Lages.



No último dia 8, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que 70% dos servidores da Anvisa, lotados em áreas essenciais, mantenham as atividades. A greve, iniciada no dia 16 de julho, tem prejudicado a importação e o armazenamento de produtos sujeitos à fiscalização da Vigilância Sanitária, como insumos e equipamentos laboratoriais.



No laboratório Pacheco, em Lages, os exames mais complexos como os para diagnosticar hepatites e alergias, por exemplo, não estão sendo realizados. Exames que antes demoravam cerca de cinco dias para ficarem prontos, hoje atrasam cerca de 15 a 20 dias. “Estamos com dificuldade de liberação de alguns kits e quando os produtos chegam, estão com o prazo de validade vencido e são descartados”, explica o proprietário do laboratório Pacheco, Márcio Pacheco de Andrade.



Sondas para exames de DNA também estão faltando. Somente os insumos e reagentes para exames mais comuns que têm um prazo de validade maior estão com estoque razoável.
O mesmo acontece no laboratório Saldanha. A bioquímica Luciana Eli de Oliveira informou que na tarde de ontem precisou encomendar alguns kits e não conseguiu. “Ainda estamos realizando todos os exames, mas como não conseguimos encomendar mais kits a situação nos próximos dias será complicada, irei usar outro aparelho que ainda tenho um estoque de reagentes para continuar realizando os exames por algum tempo”, afirma Luciana.



O presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica, Paulo Azevedo, lembrou que 90% dos materiais utilizados para diagnóstico são importados e têm prazo de validade curto, o que impede que laboratórios e clínicas mantenham grandes estoques.



Para ele, ainda que 70% dos servidores da Anvisa tenham retomado as atividades, serão necessários entre dois e três meses para que a liberação desses produtos volte à normalidade. “Precisamos de um tempo para melhorar. A coisa não é automática. Se voltarem a trabalhar com vontade de resolver o problema, ele vai ser resolvido”, disse o presidente.
Segundo ele, ainda, há registro de falta de kits para diagnóstico do vírus HIV.



Ministro nega que faltem insumos



O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, negou, essa semana, que faltem medicamentos ou insumos médicos por causa da greve dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele atribuiu eventuais atrasos na entrega dos produtos a outros problemas na relação entre fornecedores, indústria e unidades de saúde.



“Dos casos apresentados de ontem para hoje [de falta de medicamentos ou insumos], nenhum tem qualquer tipo de relação com retenção de cargas pela Anvisa. A agência vai continuar a fazer um monitoramento diário com o setor privado e quando este informar qualquer situação [de problema] que possa existir, a Anvisa estabeleceu um fluxo prioritário, com remanejamento de servidores e envio do procedimento para Brasília, se necessário, para que não exista interrupção no abastecimento de medicamentos e insumos essenciais na área da saúde pública”, disse o ministro, durante coletiva realizada no Rio de Janeiro.

 Foto: Silviane Mannrich

Nenhum comentário: