Com 5.7 nos anos iniciais e 4.7 nos anos finais, Santa Catarina ficou a cima da média nacional, que é de 5.1 nos iniciais e 3.9 nos finais. Especialistas e gestores educacionais acreditam que não é hora de se acomodar, pois ainda há muito a ser feito
Santa Catarina evoluiu consideravelmente no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011. A informação é do Ministério da Educação (MEC), que divulgou os dados na última semana. Embora os números tenham sido positivos, especialistas e gestores educacionais acreditam que ainda há muito a ser feito pela educação, especialmente na Serra, onde o índice foi menor do que em cidades litorâneas.
As médias catarinenses ficaram acima das nacionais e também aumentaram em comparação com 2009. No ensino fundamental a média nacional nos anos iniciais é 5.1 e em Santa Catarina 5.7, nos anos finais 3.9 nacional e 4.7 no Estado. Já no Ensino Médio, enquanto no Brasil a média é 3.4, em SC o índice sobe para 4.0.
O presidente da Comissão de Educação Básica do Conselho Estadual de Educação, Gilberto Sá, ressalta que Santa Catarina se destacou, mas que os índices da região ainda preocupam. Para ele, embora os resultados tenham sido animadores, ainda é preciso tomar algumas medidas para melhorar a qualidade da educação. “Agora é hora de analisar as deficiências, com base nas notas, e executar ações para melhorar”, diz.
Gilberto acredita que fatores como o acompanhamento familiar dentro das escolas, o acompanhamento pedagógico, com o desenvolvimento de projetos pedagógicos especiais, apoio aos professores em suas dificuldades, dinamismo dos gestores e o envolvimento de toda a comunidade escolar, contribuíram para os bons resultados no Estado.
Ele credita os índices mais baixos na Serra Catarinense à fatores socioeconômicos. “Se a nossa renda média é baixa, ela vai impactar no envolvimento da família e consequentemente no desempenho escolar”.
Para Gilberto Sá, melhorar os índices na Serra Catarinense depende de ações conjuntas entre os municípios da região. “Aqui na Serra, temos que acelerar as ações referentes à educação, não é hora de estagnar. As metas foram cumpridas, mas precisamos de ações mais efetivas para o futuro”.
Para a pró-reitora de Ensino da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Cássia Ferri, o que se pode esperar destes índices é que subsidiem uma reflexão sobre o que e como a escola trabalha para que os alunos possam, de fato, aprender. “Para isso, é preciso que se faça uso destes resultados para provocar mudanças em todos os níveis: da política pública à sala de aula. A melhoria da qualidade da escola pública e da educação como um todo no país depende da implantação de políticas públicas que sejam efetivas”, concluiu o professor Gilberto Sá.
Em Lages, melhores notas foram das ecolas da rede municipal de ensino
Em Lages, os melhores resultados foram das escolas municipais Juscelino Kubitschek de Oliveira, no bairro Santa Maria, e Ondina Neves Bleyer, no Sagrado Coração de Jesus, que conquistaram índice de 6.7.
De acordo com a diretora de Ensino da Secretaria Municipal de Educação, Marli Coscodai, das 21 unidades escolares avaliadas, sete não conseguiram atingir a meta estipulada pelo Ministério da Educação (MEC). “Houve evolução nos anos finais, que ficaram a cima das metas projetadas, porém os resultados foram mais positivos nos anos iniciais”, analisa. As Escolas Municipais Professora Belisária Rodrigues (3.7) e Lupércio de Oliveira Koeche (3.8), tiveram os índices mais baixos de Lages.
Para a diretora da EMEB Juscelino Kubitschek de Oliveira, Sandra Ronconi, o resultado positivo se deve graças à participação da comunidade e empenho de todos os membros da unidade escolar.
A diretora do Ondina, Silvana Arruda Lucena, também credita o bom resultado à coletividade. “Uma das características de nossa escola é participação das famílias na educação. Aqui temos a gestão compartilhada, com um Conselho de Pais e Professores que é atuante, o Grêmio Estudantil tem voz. A participação das famílias também é fundamental”.
Silvana reforça que os resultados nos anos iniciais foram mais significativos. Segundo ela, a maior dificuldade dos anos finais foi nas questões de matemática. “Houve acréscimo em língua portuguesa, mas diminuíram em matemática. Identificada a deficiência, vamos trabalhar em cima dela. Nossa meta agora é melhorar a matemática”, avalia.
Participação das famílias contribui para conquista de resultados positivos
A participação da família na educação das crianças e adolescentes, é apontada pelos gestores como um dos principais fatores que contribuem para os bons resultados. Isso se dá através da participação efetiva dentro da escola, da colaboração com os deveres escolares e, em alguns casos, os familiares participam das aulas ministradas em sala.
O aposentado Raul Nouls, é avô de Amanda Nouls Branco, que cursa o 8º ano no Ondinda. Na última sexta-feira (17), ele esteve na turma da neta, onde participou de uma aula de Português, ministrada pela professora Daiane Vale. Sua presença, teve como objetivo relatar suas memórias ao alunos, sobre a vida em Lages há algumas décadas. A professora explica que a “aula do vovô”, faz parte da preparação dos alunos para a Olimpíada de Língua Portuguesa.
A dona de casa Valéria de Fátima Machado Oliveira, 47 anos, é mãe de dois meninos, Alessandro, 12 anos, e Fábio, 9 anos. Os dois são alunos do Ondina desde quando começaram a vida escolar. O mais velho, cursa o 7º ano e o mais novo o 4º.
Satisfeita com a educação que os filhos recebem, Valéria conta que acompanha assiduamente os estudos dos garotos. Seja participando de reuniões, assembleias e palestras nas escola, ou ajudando a fazer o dever de casa. “O índice da escola dos meus filhos no Ideb é resultado da união de esforços dos alunos, professores, pais e comunidade. A dedicação, que começa em casa, faz toda a diferença”, completa.
O que é o Ideb?
Criado em 2007, o Ideb tem como objetivo medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino em todo o país. O Ideb é calculado com base no desempenho do estudante em avaliação, como o Prova Brasil, e em taxas de aprovação. Desta forma, para que o índice de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita o ano e frequente a sala de aula.
O índice é medido a cada dois anos e o objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, tenha nota 6, que corresponde à qualidade do ensino em países desenvolvidos, no ano de 2022.
Ranking Regional - Ensino Fundamental rede pública
Escolas com as maiores notas na Serra Catarinense
Nome Escola Nota
Anita Garibaldi EEB Padre Antônio Vieira 6.2
Otacílio Costa EEB Elza Deeke 6.2
Otacílio Costa EB Municipal Pedro Álvares Cabral 6.1
Otacílio Costa EB Catarina Fuhrman 6.0
Otacílio Costa EEB Fazenda Olinkraft 5.9
São Joaquim EEB Ary de Souza Borges 5.9
Otacílio Costa EB Municipal Marechal Rondon 5.8
Urubici Escola Valdirene Arruda da Cunha Borguezan 5.7
Bom Retiro Núcleo Municipal São José 5.3
Correia Pinto EB Municipal Olintho D’Ávila Mesquita 5.3
Escolas com as menores notas na Serra Catarinense
Nome Escola Nota
Capão Alto EB Municipal Belisário J Muniz 3.3
Capão Alto AM Valmor Antunes dos Santos 3.5
Bom Jardim da Serra EEB Municipal São Gerônimo 3.6
Anita Garibaldi EEB Isidoro Silva 3.9
Campo Belo do Sul EB Municipal Lago Azul 3.9
Otacílio Costa EEB Agar Alves Nunes 3.9
Ponte Alta EB Municipal São Francisco 3.9
Anita Garibaldi EEF Municipal José Borges da Silva 4.0
Anita Garibaldi Núcleo de Ensino Municipal Vila Aliança 4.0
São Joaquim EBM Maria Aparecida Nunes 4.1
Ranking de Lages - Ensino Fundamental rede pública
Escolas com as maiores notas
Escola Nota
EMEB Juscelino Kubitschek de Oliveira 6.7
EMEB Ondina Neves Bleyer 6.7
EEB Vidal Ramos Jr 6.2
EEB Belisário Ramos 6.1
EEB Professor Flordoardo Cabral 6.0
EMEB Professor Osni de Medeiros Regis 5.9
EMEB Professora Fausta Rath 5.7
EEB Aristiliano Ramos 5.6
EEB Professor Egídio Baraúna 5.6
EEB Rubens de Arruda Ramos 5.6
Escolas de Lages com as menores notas
EMEB Professora Belisária Rodrigues 3.7
EMEB Lupécio de Oliveira Koeche 3.8
EMEB Nossa Senhora dos Prazeres 4.1
EMEB Professor Antônio Joaquim Henriques 4.1
EMEB Coronel Manoel Thiago de Castro 4.2
EEB Professor Jorge Augusto Neves Vieira 4.2
EMEB Bom Jesus 4.3
EEB Lucia Fernandes Lopes 4.3
EMEB Izidoro Marin 4.4
EEB Frei Nicodemos e EEB Maria Quitéria 4.5
Fonte: http://sistemasideb.inep.gov.br/resultado/
Fotos: Núbia Garcia
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