Florianópolis, 05/08/2014, Fecomércio-Sc
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) analisou o pedido da
distribuidora Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A.(Celesc) nesta
terça-feira (05) pela manhã e decidiu por aplicar um aumento de 22,47%
na conta de energia para residências. O aumento médio será de 22,62%.
No mês passado, a distribuidora catarinense pediu um reajuste de
20,49%. O reajuste começa a valer a partir de quinta-feira (07). A
decisão foi divulgada às 11 horas desta terça-feira, em uma audiência
realizada por diretores técnicos da agência reguladora, em Brasília.
Desde 2010, quando a Aneel passou a permitir que a distribuidoras
entregassem um pleito para reajuste de tarifas, é a primeira vez que a
agência reguladora aplica um aumento acima do que a Celesc havia
solicitado. Em termos comparativos, em 2013 o reajuste solicitado pela
Celesc foi de 25,33%, sendo que o concedido pela Aneel foi de apenas
13,73%, ou seja, panorama muito diferente do atual.
Isso tem relação direta com a má situação econômica e financeira das
distribuidoras de energia em todo o país. A forte seca de 2013 forçou o
Brasil a utilizar as usinas termelétricas, o que encareceu sobremaneira o
custo da energia. Desta maneira, aliado ao fato do preço da energia já
estar artificialmente contido pelo governo federal, as distribuidoras
passaram a apresentar péssimos resultados financeiros.
Para sanar estas dificuldades, além dos reajustes tarifários maiores,
foram contratados dois vultosos empréstimos junto aos bancos públicos,
direcionados para o sistema elétrico brasileiro. Serão R$ 6,5 bilhões
para irrigar o caixa da Eletrobras, sendo R$ 4 bilhões do Banco do
Brasil e outros R$ 2,5 bilhões contratados junto à Caixa.
Está acertada, também, a segunda tranche do empréstimo às empresas
distribuidoras de energia, no montante de R$ 6,5 bilhões. Esse valor
será assim distribuído: R$ 3 bilhões do BNDES e R$ 3,5 bilhões dos
demais bancos, inclusive BB e Caixa, além dos grandes do setor privados.
O valor de cada um será proporcional à participação que a instituição
teve no empréstimo de R$ 11,2 bilhões.
A Fecomércio considera que os atuais reajustes são indispensáveis
para sanar a situação das distribuidoras como a Celesc, já que os mesmos
são frutos de uma situação extraordinária do nosso sistema elétrico.
Entretanto, é necessário criticar a leniência das grandes obras de
aumento da capacidade energética nacional, que já deveriam estar
finalizadas, como é o caso de Belo Monte, por exemplo. Se estas obras,
juntamente com todo o restante das obras envolvendo a infraestrutura
nacional, estivessem finalizadas, o paradigma de custos e a
competitividade brasileira seriam muito beneficiados, fator que,
infelizmente, não vem ocorrendo.
Foto:Divulgação/Ilustrativa