Pesquisadores estão salvando riquezas arqueológicas da área da usina
Os costumes da população indígena e dos europeus que habitaram a região começaram a ser revelados. Uma equipe de pesquisadores está estudando pelo menos 65 sítios arqueológicos em pontos diferentes da área que será alagada pela Hidrelétrica Garibaldi, em Abdon Batista, no Meio-Oeste do Estado. Destes, 25 já foram escavados.
O trabalho faz parte do salvamento dos sítios arquelógicos do projeto de construção da usina. As atividades iniciaram em março deste ano e devem ser concluídas em julho de 2013, quando a área estudada deve ficar submersa com o alagamento.
As escavações revelaram, por exemplo, a existência de ferramentas em pedra como machadinhas, mão-de-pilão, além de projéteis de ponta de flecha, e pedaços de cerâmicas de argila. Mais de mil peças já foram encontradas, além de casas subterrâneas, os chamados “buracos de bugre”.
A historiadora e arqueóloga, Vânia Leandro de Sousa, uma das pesquisadoras, acredita que todo este material era usado por índios como xokleng e kaingang. “Nosso objetivo é buscar entender como viviam estes povos que ocuparam densamente esta região”, ressalta.
Pelo que foi descoberto até agora, os índios tinham o costume de viver nas beiras dos rios, pois eram nestes locais onde encontravam, com maior facilidade, o alimento como a caça e o peixe, além de água em abundância. Além disso, estes lugares facilitavam o seu deslocamento. “O que podemos afirmar é que eles tinham interação muito forte com a natureza”, disse Vânia.
Na propriedade de 17 hectares do agricultor Aquiles Küster, de 59 anos, na comunidade de Barra Grande, que fica a 18 Km do centro de Abdon Batista, onde até pouco tempo atrás era uma roça de milho, vários sítios foram encontrados. Ele diz estar surpreso com a descoberta.
“Nós sempre encontrávamos coisas por aqui (principalmente de cerâmicas), mas nunca dávamos importância. Só agora é que começamos a entender o que era aquilo”, revelou. Ele acredita que a descoberta possa estar ligada a seus antepassados, pois o seu bisavô paterno era índio. “Tenho sangue de índio”, disse.
Educação escolar
Os sítios também estão servindo para a educação escolar. Uma das turmas a visitar as estruturas foi a da escola Estadual José Zanchetti, de Abdon Batista. “Trata-se de uma oportunidade onde os estudantes veem na prática o que é passado na teoria, em sala de aula”, resumiu o professor de História, Fernando Borges.
Para o aluno Yure Ceregatti, de 16 anos, a visitação permite um maior conhecimento das práticas e hábitos dos antepassados, agregando mais conhecimento. “É muito bom ter este contato com esta riqueza arqueológica que existe em nosso município”.
Sítios históricos
Além das estruturas indígenas, foram descobertos na região, também, 10 sítios históricos que remetem ao período de ocupação europeia, como casas coloniais, moinhos e muros de taipas, por exemplo. “Todos estes povos contribuíram para a história da região e vale à pena descobrir mais deles”.
Além de Barra Grande, em Abdon Batista, já foram salvos sítios nas comunidades de São Paulinho e Santo Antônio. Ainda foram resgatadas estruturas em comunidades de Vargem e São José do Cerrito, que também serão atingidos pela barragem.
Projeto Arquelógico
O trabalho de salvamento dos sítios arquelógicos vem sendo executado pela contratada pela Rio Canoas Energia, responsável pela usina. As ações fazem parte do projeto de construção do empreendimento. A equipe de pesquisadores é formada por nove profissionais, entre historiadores, biólogos, arqueólogos, geógrafos, e pessoas da comunidade. Para agilizar, o trabalho está dividida em duas frentes.
Todo o material encontrado será levado para um laboratório e, depois, para uma instituição, como um museu, onde o acervo ficará exposto à população. O principal objetivo é o material para a educação patrimonial, conscientizando as pessoas sobre a importância de preservar os vestígios deixados pelos antepassados. Vânia defende que o material fique nos municípios sede da usina.
A Usina Hidrelétrica Garibaldi vai atingir cinco municípios: Abdon Batista, Cerro Negro, Campo Belo do Sul, São José do Cerrito e Vargem. As obras iniciaram no final de 2011 e a previsão é que sejam concluídas no segundo semestre de 2013. A capacidade de geração de energia será de 191,5 MW, o suficiente para abastecer uma cidade de aproximadamente 500 mil habitantes. O investimento total é de 780 milhões. No canteiro de obras, as atividades avançam. Cerca de 50% dos trabalhos já foram concluídos. Atualmente, cerca de 1.800 funcionários atuam no empreendimento.
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