Dados do setor de Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em Lages, apontam que desde janeiro deste ano até dia 31 de julho, 49% das pessoas que fizeram testes práticos e teóricos reprovaram. A estatística abrange 16 municípios da Serra Catarinense
Com um índice de reprovação de 49%, alunos de autoescolas da região de Lages que fazem os testes de volante para a Carteira Nacional de Habilitação, reclamam da dificuldade e alegam que alguns peritos fazem pressão psicológica. Os altos índices de reprovação têm sido uma constante em todo o Brasil. Em Belo Horizonte, por exemplo, já chegou a 84%.
A delegada regional da Polícia Civil, Luciana Rodermel, afirma que as reprovações ocorrem porque os alunos chegam mal preparados para os testes. Já os alunos dizem que reprovam por outros motivos.
A mãe de uma aluna que repetiu duas vezes no teste para moto, acredita que alguma coisa está errada. Ela prefere não se identificar, porque a filha ainda não foi aprovada e garante que quando acompanhou a filha no segundo teste, muitas pessoas foram reprovadas. Algumas delas já haviam sido examinadas outras vezes, sem sucesso. “No começo achei que essas pessoas tinham dificuldades, mas depois percebi que os peritos reprovam por maldade, porque muitas pessoas não erram nada e mesmo assim, reprovam”.
Ela conta que no laudo do teste da filha, o perito disse que ela estava muito devagar. “Ele não viu toda a prova e percebi que fez isso em outros testes. Pesquisamos no manual da autoescola e não há velocidade mínima para se transitar em uma via”, diz.
Ela comenta ainda, que os peritos são arrogantes e em muitos testes não dão uma explicação razoável para a reprovação. Além disso, destaca que as aulas e os testes de moto ocorrem em um lugar fechado e não no trânsito. “Eles não são preparados para as situações de improviso que ocorrem no trânsito, acho isso muito errado”.
Além do nervosismo que todo aluno sente quando reprova, a mãe reclama da taxa que precisa ser paga para ao reteste. É preciso pagar R$ 90,00 para habilitações na categoria AB (carro e moto), R$ 70,00, na categoria B (moto), e R$ 50,00 para habilitação de carro. “Algo muito errado está acontecendo, porque é pago uma taxa quando não passa no teste e muita gente reprova”, completa.
Autoescolas precisam índice de aprovação de 60%
Com altos índices de reprovação em todo o país, em 2010, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) criou a resolução 358, estabelecendo que uma das condições para que as autoescolas tenham o seu credenciamento renovado a cada ano, terão atingir cota mínima de aprovação de 60% de seus alunos.
O órgão alega que a medida visa controlar a qualidade das autoescolas no processo de formação de condutores. Em tese, um índice mínimo de aprovação é uma maneira de pressionar os estabelecimentos a melhorar a qualidade dos cursos e a obrigar os alunos a cumprir a jornada mínima de 45 aulas teóricas e 20 práticas para tirar a carteira de motorista.
Por que isso acontece?
Irineu Oliveira Ortiz Junior, possui 13 anos de prática como instrutor de autoescola. Ele afirma que o índice alto de reprovação mostra três culpados no processo de habilitação da carteira de motorista. “O nervosismo dos alunos, a falta de preparo de alguns instrutores e os peritos exageradamente exigentes, são as causas da alta reprovação”, disse.
O instrutor afirmou que todos devem melhorar para melhorar este índice. “Os alunos devem estar mais preparados psicologicamente, alguns instrutores devem aprender a ensinar e os peritos precisam ser mais maleáveis”, completa.
Polícia Civil dá sua versão
A delegada regional da Polícia Civil, Luciana Rodermel, afirma que os alunos estão mal preparados para as provas. “É só olhar para as nossas ruas e perceber como o nosso trânsito é um caos”, disse.
Ela afirma que cobrou dos examinadores ou peritos como são chamados popularmente, o motivo do alto índice de reprovação. “Recebi provas concretas que os alunos chegam mal preparados”, frisa.
A delegada afirma que o nervosismo é também um fator importante a ser considerado. “Há uma falha didática dos instrutores, há centros de formação que fazem mais barato e achamos que fazem menos horas e dias de aula”.
Ela explica que as aulas e testes de moto não são feitas no trânsito porque é seguido o padrão estabelecido pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Rodermel destaca que é melhor o índice de reprovação ser alto, do que o aluno ser aprovado e não ter condições de dirigir. “Quando as pessoas vêm reclamar, falamos para agradecer pela reprovação, porque talvez estejamos salvando tua vida”.
Caso o aluno achar que sua reprovação foi indevida, deve procurar a corregedoria do Detran, pelo site ou procurar o setor de Carteira Nacional de Habilitação (CNH), na Central de Polícia Civil, no Centro. A próxima prova do aluno, pode ser feita por uma junta. “Os alunos dizem que às vezes reprovam e não sabem o motivo, mas isso é mentira, pois assinam a prova depois de o teste ter terminado”. A delegada salienta que os peritos não ganham nada a mais para reprovar os alunos.
Os dados abrangem as cidades
- Lages
- Otacílio Costa
- Correia Pinto
- Anita Garibaldi
- São José do Cerrito
- Campo Belo do Sul
- Capão Alto
- Bocaina do Sul
- Bom Retiro
- Celso Ramos
- Abdon Batista
- Alfredo Wagner
- Cerro Negro
- Painel
- Ponte Alta
-
Palmeira
Você acha o teste prático de volante difícil?
Ana Paula Melo, atendente de farmácia
"Acho que são poucas aulas, para quem não tem prática é muito ruim.”
Ana Dilda dos Santo, auxiliar de produção
"Acho que o teste é muito difícil e são poucas aulas para aprender.”
Daniele de Oliveira Branco, atendente de caixa
Fiz quatro testes para conseguir passar, estava muito nervosa.”
Edilcéia Gonçalves, estudante
"O perito me ajudou, passei no segundo teste, no primeiro errei tudo.”
Morgana Aparecida Pereira, promotora de vendas
"Ouço muitas pessoas dizendo que é difícil, mas eu não pretendo fazer, estou sem tempo e dinheiro.”
Euclébia dos Santos Pereira Lopes, vendedora
"Já dirigia desde os 14 anos, passei e achei fácil.”
Fotos: Susana Küster
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