Blog Paulo Chagas

A eleição para prefeito em Lages tem outros ingredientes e que podem ter reflexos em 2014. Lembro até que chegou a ser cogitada a possibilidade de ter em Lages uma única candidatura neste ano, exatamente para evitar os conflitos de uma campanha eleitoral e aproveitar o fato de o Município contar com o governador de Santa Catarina. O assunto sequer foi levado adiante, em nem encabeçado pelas lideranças empresariais, que em tempos em tempos idealiza campanhas tipo “serrano vota em serrano”.
Com longos anos de observação em meios políticos, creio que é não é difícil constatar a influência deste pleito, especialmente para a comunidade lageana. Os interesses não estão apenas na eleição que se avizinha, mas também na próxima. Não por convicção apenas, mas por ditos de analistas experientes, derrotar o candidato do Governador em Lages é um grande passo para desestabilizar o projeto de reeleição dele no próximo pleito. Aliás, são situações que já aconteceram em outras épocas e sempre vão acontecer. O alvo é futuro também.
Neste caso, a vitória de Ceron para prefeito de Lages seria dupla para Raimundo Colombo. Lhe daria tranquilidade para planejar a reeleição sem o “espinho” de não ter eleito seu parceiro de partido na cidade natal. A população em geral não analisa tal questão, mas os estrategistas políticos das cúpulas estão intrinsicamente ligados à intenção de dar a “rasteira” em Colombo em 2014, a começar por agora.
No jogo político e na busca do poder não tem santo. Lages está vivendo um momento impar nestas eleições, quando de um lado o governador se empenha pessoalmente para eleger Antonio Ceron, e de outro, o vice, Eduardo Pinho Moreira, o senador Luiz Henrique entre outros, também entram de corpo e alma pela chance de eleger Elizeu Mattos. Uma “guerra” de interesses de gigantes.
Logicamente o eleitor vai dar seu voto, e muitos não vão sequer imaginar que o jogo acumula questões bem maiores do que se imagina. Por outro lado, não tiro aqui o direito de ninguém em candidatar-se. A democracia existe para todos. Os interesses de bastidores fazem parte da sempre complexa disputa eleitoral, uma ligada a outra, de dois em dois anos.
O resultado dela, no caso de Lages, é o que realmente interessa, levando em conta o acumulado das estratégias das cúpulas dentro do Estado. Nesse caso, o risco de a tríplice aliança esfacelar está muito perto. Isso é também fato. Os sinais de desgaste são visíveis, e as próprias eleições municipais denotam que os amigos de ontem e de hoje, podem não estar mais tão alinhados para o amanhã. A proximidade entre o PSD e o PP entra também no rol das estratégias, num desenho de como as coisas devem ficar logo adiante no tempo. Assim, tanto o PMDB como o PSD, entre outras siglas, lançam suas primeiras cartas em 7 de outubro, e nada melhor do que conquistar os primeiros pontos a partir de Lages, para somar nas eleições de 2014.