Conheça a história de duas pessoas que frequentam o CAPSad
A dona de casa, que preferiu não se identificar e será chamada de Maria, tem 57 anos. Ela fumava desde o 17 anos por influência de amigos e já tentou várias vezes parar com a dependência, mas o vício sempre foi mais forte. Por não aguentar mais, há 10 meses Maria procurou o CAPSad, frequentou o grupo de terapia e precisou da ajuda de medicamentos.
Há cinco meses, Maria não fuma mais. “A sensação de não precisar de nicotina é muito boa. Hoje sinto melhor o cheiro e o sabor da comida, meu peso aumentou quatro quilos, respiro e durmo melhor. Estou muito feliz”, comemora.
Mesmo assim ela ainda visita o CAPSad para não ter uma recaída e dar o exemplo a seus colegas que é possível parar com o cigarro. Seu colega, que também preferiu não se identificar e será chamado de João, tem 43 anos e ainda não conseguiu parar com o vício. Também por influência dos amigos, João iniciou sua vida como fumante aos 14 anos.
Os 40 cigarros por dia que ele fumava transformaram-se em um alerta para um futuro tumor no fígado, conhecido como cirrose. Depois que João entrou para o CAPSad, esse consumo diminuiu para 10 cigarros.
“Fumo até às 14 horas, depois não coloco nenhum cigarro na boca. A gente não imagina como é difícil, tem que ter muita força de vontade, mas vale muito a pena. Quero parar totalmente de fumar e sei que vou conseguir”, comenta.
Programas auxiliam no combate ao fumo
Dos que já passaram pelo CAPSad, a maioria conseguiu parar de fumar
Cerca de R$ 21 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) foram gastos para o tratar doenças relacionadas ao tabaco, no ano passado. Esse foi um levantamento feito pela organização não governamental Alianças do Controle do Tabagismo (ACT). No último dia 29 de agosto comemorou-se o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Lages registra um ponto positivo. Dos que procuram por ajuda, 70% consegue largar a dependência do cigarro.
O combate ao tabagismo e a redução de danos, em Lages, é realizado pelo Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPSad). Um serviço do Sistema Único de Saúde (SUS) especializado em saúde mental que atende pessoas com problemas decorrentes do uso ou abuso de álcool e outras drogas.
Em dois anos, já passaram pelo CAPSad mais de 600 pessoas que procuraram ajuda para combater o vício, seja ele do álcool ou das drogas. Dessas, 387 pessoas consumiam somente o cigarro. Do número total, 70% conseguiram largar a dependência após frequentarem grupos de terapia ou realizarem tratamento medicinal.
Em média, as pessoas que procuram o CAPSad são de meia idade e começaram a fumar quando eram jovens por influência da família ou pelos amigos. A maioria deles fumavam em média 40 cigarros por dia.
Há um número expressivo de donas de casa que freqüentam o centro porque, em sua maioria, são influenciadas pelos filhos que recebem orientações do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), na escola.
Como o CAPSad trabalha
O CAPSad trabalha com o Programa Municipal de Controle ao Tabagismo. O tratamento é através de grupos de terapias. Antes de entrar para o grupo, o dependente passa por um estudo para avaliar o grau de dependência que possui.
Hoje há dois grupos formados, com 30 pessoas cada. Eles se reúnem todas as quintas-feiras pela manhã e à noite. Durante o tratamento, os profissionais criam estratégias que visam reduzir os danos causados pelo consumo do cigarro.
A meta é ao longo das semanas diminuir o número de cigarros que fuma até cessar. Por exemplo, dos que consomem 40 cigarros por dia, em 15 dias, fumam apenas 15 cigarros e depois cinco. Segundo o psicólogo do CAPSad de Lages, Paulo Panatto, o maior problema aparece quando o dependente precisa parar de fumar.
Quando o grupo não é mais suficiente, o dependente é encaminhado a um médico ou um psicólogo para a terapia individual. Nesses casos, é comum o uso de medicamentos.
Panatto explica que para ter sucesso no tratamento é fundamental incluir no dia a dia o exercício físico, alimentação saudável, muita água, evitar o café e o chimarrão. Quando o dependente consegue parar, a mudança comportamental e física é visível. O paciente sente melhor o gosto dos alimentos, a pele melhora e o peso aumenta de dois a quatro quilos.
Fotos:Suzani Rovaris
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