Usando chinelos de dedo e com os pés acorrentados, Juliano Pereira Alves, de 29 anos, ouviu ontem, por volta das 17h40min, a sentença do juiz Geraldo Corrêa Bastos, depois de quase oito horas de julgamento. Ele foi considerado culpado pela morte da enfermeira Rosângela Aparecida Castro, de 38 anos.
O réu foi condenado a 17 anos de prisão, no entanto, a pena foi reduzida a um terço porque ele foi considerado semi-imputável (aquele que compreende apenas parcialmente o crime que cometeu). Assim, a condenação foi fixada em 11 anos e quatro meses de reclusão em regime fechado.
Juliano respondeu por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, de acordo com acusação do Ministério Público. O crime aconteceu no dia 20 de janeiro deste ano por volta das 7 horas da manhã, no bairro Santa Catarina, em Lages.
Rosângela foi morta a golpes de guidão de bicicleta em via pública, quando se deslocava para o trabalho. Foi golpeada várias vezes na cabeça e no rosto, ficando com o crânio esfacelado
O crime chocou a população, já que ela era bastante conhecida na cidade. Trabalhava no Hospital Nossa Senhora dos Prazeres e no posto de saúde do Caic Nossa Senhora dos Prazeres, no bairro Santa Catarina. Juliano foi preso logo após os fatos.
O réu era morador de São Joaquim. Chegou a Lages um dia antes do crime. Segundo os familiares, ele veio para Lages para receber tratamento médico, já que, segundo eles, apresentava problemas mentais e era usuário de droga.
O advogado de defesa, Clauri Olávio da Silva, informou que vai entrar com recurso junto ao Tribunal de Justiça do Estado na tentativa de derrubar a sentença. Ele concorda que Juliano sofre de problemas mentais.
“Não estamos diante de um bandido, mas de um cidadão doente. Os autos nos mostram de forma clara isso”, afirmou.
Protesto silencioso
O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri do Fórum, que ficou lotado de estudantes de Direito, dentre outras pessoas. Familiares da vítima também acompanharam o júri. Vestidos com camisetas com a foto de Rosângela e com uma faixa, eles pediram justiça e ficaram descontentes com a sentença. “A pena poderia ter sido maior”, disseram alguns deles.
A sessão começou às 10 horas e terminou por volta das 17h40min. O juiz Geraldo Corrêa Bastos, que presidiu o júri ao lado do promotor de Justiça, Fabrício Nunes, destacou a participação maciça da população no evento.
Ele também comentou, por outro lado, que a justiça de Lages está bastante ágil na resolução de julgamentos se comparar ao que vem acontecendo no Estado e até em âmbito nacional.
Fotos: Adecir Morais
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