sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Polícia Civil investiga suspeita de necrofilia

Polícia Civil investiga suspeita de necrofilia
Lages, 05/09/2012, Correio Lageano, Adecir Morais





A Polícia Civil de Lages investiga um suposto caso de necrofilia (prática de sexo com cadáver) em um corpo sepultado no Cemitério Penha. Maria do Espírito Santo Antunes, de 62 anos, foi sepultada por volta das 12 horas de quarta-feira. O túmulo dela foi aberto e o caixão arrombado. O caso está sendo investigado pela 2ª Delegacia, do Coral.


Ontem, peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) colheram secreção vaginal para examinar se há vestígio seminal. O material será encaminhado para o IGP de Florianópolis, e o laudo deve sair entre três a quatro meses. A polícia ainda não tem pistas do possível violador, e não descarta também suposto crime de magia negra.


Maria estava hospitalizada e morreu de Acidente Vascular Cerebral (AVC), o derrame”. Foi sepultada por volta das 12 horas da última quarta-feira (3). O túmulo foi encontrado violado na manhã de ontem por funcionários do cemitério. O caixão estava com tampa aberta e parte do corpo exposto.


O que chama atenção é que o corpo estava sem calças e parte das pernas para fora do caixão, uma pista que reforça a hipótese de necrofilia. A calça foi encontrada em uma lixeira cerca de 100 metros distante do túmulo com uma perna cortada.


Familiares de Maria, que moram no bairro Várzea, estão revoltados com o fato e esperam uma ação rápida da polícia afim de identificar os culpados pela violação. Eles também reclamam da falta de segurança no cemitério, que não conta com guardas durante a noite.


Volni Antônio Gonçalves, que trabalha na manutenção do cemitério, confirma que o local não tem vigias. Os funcionários só trabalham durante o dia e à noite tudo fica sozinho. Segundo ele, é comum o cemitério servir de esconderijo de usuários de droga e álcool, por exemplo.


Ele informa que a família ficou extremamente abalada com o fato, e diz nunca ter visto algo parecido antes. “Trabalho aqui há anos, mas nunca vi nada igual a isso. Lembro que algumas sepulturas foram violadas, mas essa coisa de tirar a roupa nunca tinha acontecido”, relata.


A assistente administrativa da Secretaria de Meio Ambiente, Naiara Salete da Silva, diz não ser “possível colocar um vigilante para cuidar do cemitério”, e destaca que o local tem apenas uma câmera de vigilância na portaria como segurança. O restante fica à mercê do vandalismo.


“Tinha um guarda que cuidava, mas ele foi agredido por diversas vezes e tivemos que tirá-lo de lá. Além disso, ele não podia usar arma, o que dificultava o trabalho dele”, relata.


Outras violações


Este não foi o primeiro caso de violação de túmulo em cemitérios da Serra Catarinense. Em São Joaquim, cerca de 80 km distante de Lages, várias sepulturas foram violadas no últimos anos.


A última foi a de Tânia Aparecida Góss, no Cemitério Anjo da Guarda, em maio deste ano, 15 dias depois de ser sepultada. No total foram sete túmulos violados no município desde 2009. Em outubro de 2011, dois suspeitos chegaram a ser presos, mas foram soltos dias depois.



Foto: Adecir Morais

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