sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Obras das marginais geram transtornos

Lages, 05/09/2012, Correio Lageano




A entrada de uma servidão e várias casas ficaram abaixo do nível da rua. Moradores reclamam que não foram avisados


Pelo menos doze famílias se reuniram para consertar o bloqueio da servidão que dá acesso às suas casas. O problema aconteceu por conta da elevação do nível da rua onde hoje estão sendo construídas as marginais da BR-282, no bairro Passo Fundo.


A lixeira, que antes ficava mais alta que um adulto, agora pode ser acessada por um cachorro. A camionete que fica na oficina mecânica não pode mais sair da garagem porque o aclive formado é muito grande. “Só se um trator puxar”, explica o morador Eniovaldo Lima.


A reclamação é geral. Ninguém entende a razão de terem elevado tanto a rua. As casas, que antes ficavam no nível das ruas, agora têm em sua frente pedregulho e cascalho. Várias garagens ficaram inutilizadas, e as entradas das casas precisaram ser refeitas.


Os moradores contam que houve uma reunião no batalhão do exército, onde explicaram que só haveria problemas no lado leste da avenida Camões, ou seja, em direção à Florianópolis e que essa versão não se cumpriu.


Eniovaldo diz que já procurou o Dnit, onde se argumentou que em Correia Pinto, as marginais da rodovia seguem o nível das casas. Eles reclamam que apenas “ricos e empresas possuem esse privilégio. Uma chácara que fica aqui perto tem a marginal no mesmo nível.


Com exceção de um posto do outro lado da rodovia, uma loja maçônica e o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia também estão no mesmo nível. As discrepâncias ficam somente onde há casas”, reclama. Nas chácaras e indústrias o nível está de acordo com a entrada dos imóveis.


Explicações do DNIT


A servidão que teve problemas vai ser toda revitalizada, informa o engenheiro do Dnit, Ênio Spieker. Ele explica que houve um equívoco da empreiteira que está fazendo a obra. “Eles já podiam ter arrumado a entrada da servidão”, diz. Agora é preciso que o tempo melhore para que isso seja feito. Os moradores confirmam que receberam desculpas do órgão por conta desse erro.


Quanto à elevação do nível da rua, Spieker explica que foi feito uma média de altura. “Se fosse colocar a marginal no nível de cada casa, iria virar um tobogã”. Ele ainda diz que a rua era para ser mais alta do que já é.


Quanto ao fato de indústrias e chácaras terem a entrada dos terrenos no nível das marginais, ele diz que por conta destes terem terrenos maiores, fica mais fácil fazer a correção de nível. No caso das casas, como elas são a 30 metros umas das outras, isso é mais complicado.


Quanto à possibilidade de alagarem as casas que ficam no nível abaixo da rua, Spieker explica que isso não vai acontecer. A marginal e a calçada possuem uma inclinação que leva a água para o lado contrário das residências, onde existe um sistema de drenagem.


Casas estão em área onde não se pode edificar


Além da área de domínio da rodovia, existe uma ‘área não edificandi’, explica Ênio Spieker. A área de domínio é respeitada, mas existem outros 15 metros ao lado da rodovia que não pode receber edificações.


Spieker afirma que o DNIT não vai pedir que essa área seja respeitada, uma vez que as casas estão consolidadas no local. “Mas se a justiça resolver demolir as casas, ela pode”, afirma.


Outras retificações


Além de elevar o nível da rua, vários postes da rede elétrica precisarão ser relocados, porque impedem a construção de calçadas. O engenheiro do Dnit, Ênio Spieker, diz que alguns muros de casas precisarão ser recuados. Isso pode até melhorar o acesso às casas que ficaram recuadas.

Nenhum comentário: