Lages, 05/11/2012, Correio Lageano
Município teve incremento de 15,28% entre 2009 e 2010.
Também se constata uma diversificação tímida da economia local
Lages está diversificando a economia, mas ainda é muito
dependente de uma única empresa. A Ambev, principal arrecadadora de ICMS na
cidade, responde por 34,86% de tudo que o município produz. Caso similar só
acontece em Jaraguá do Sul (quarta maior arrecadadora do estado). Por outro
lado, a arrecadação no município está acima da média estadual e a dependência da
fábrica de bebidas caiu: em 2007 era de 38,58%.
Os dados são referentes ao ano de 2010 e foram divulgados
pela Secretaria da Fazenda do estado no final de outubro. O secretário municipal
de Finanças, Walter Manfrói, disse que vai haver uma análise em Florianópolis e
depois se pronunciará.
A dependência da empresa é ‘perigosa’. Isso é visto nos
municípios vizinhos de Otacílio Costa e Correia Pinto, onde as papeleiras
diminuíram a produção por conta da crise. As duas principais fontes de
arrecadação em Correia Pinto são a fabricação do papel e a produção de produtos
deste material. Nos dois setores, a cidade viu uma queda substancial.
Nos produtos a queda do ICMS foi de 9,65%, já na fabricação
de papel o resultado foi pior: redução de 19,94%.
Para os lageanos, o cenário é bom. A produção de bebidas
alcoólicas rendeu um crescimento de 104% na arrecadação de ICMS entre 2006 e
2010. Neste último ano, foram R$ 797 milhões arrecadados somente neste imposto.
O valor reflete o regime diferenciado, em que bebidas alcoólicas pagam mais
impostos do que a maioria dos outros produtos.
Em contrapartida, um setor importante que cresce pouco é o
abate e fabricação de produtos de carne. Tradicionalmente ele ocupa a terceira
colocação em ICMS arrecadado em Lages. Em 2010, o crescimento foi de 2,42%
(abaixo da inflação, o que significa queda) e caiu para a quinta
colocação.
Lages ocupa no cenário estadual a 9ª posição, atrás de
cidades de menor porte, como Brusque e Jaraguá do Sul. Já a produção de bebidas
alcoólicas em Lages é a 11ª atividade que mais arrecada. Não representa nem 30%
da maior arrecadadora: o comércio atacadista especializado de Itajaí.
O município que mais arrecada ainda é Joinville. A fundição
Tupi é o destaque, com quase R$ 1,1 bilhão pago em ICMS. Ainda sim, isso não
representa nem 10% do que o município produz. O valor é praticamente a metade do
que Lages inteira produz do imposto. Dos maiores municípios, o que mais
diversifica a economia é Blumenau. A confecção, atividade que mais rende ICMS, é
responsável por R$ 697 milhões, ou pouco mais que 10% da arrecadação da
cidade.
Otacílio Costa começa a se recuperar
Depois de dois resultados negativos na arrecadação do ICMS, o município
começa a se recuperar. A comparação entre 2009 e 2010 mostra um aumento de
40,85%. O movimento econômico também teve crescimento expressivo, pouco mais de
31%. Isso significa que o município vai receber mais recursos em 2013.
Qual a importância para municípios?
O ICMS é o principal imposto de sustentação dos municípios
de porte médio e grande. De tudo que o município arrecada dele, 75% fica na
conta do governo estadual. Os outros 25% são divididos entre os municípios.
Desta parte, 15% é partilhado igualmente e o resto varia de acordo com o Índice
de Participação dos Municípios (IPM).
Este índice é calculado de acordo com o movimento econômico
de cada município. Isto é calculado de acordo com a diferença entre vendas e
compras das empresas. Com exceção dos dois municípios novos, Pescaria Brava e
Balneário Rincão, o movimento econômico mais baixo do estado é da Serra
Catarinense. Rio Rufino tem um índice de 0,057. Para se ter uma ideia, em Lages
esse valor é de 1,937, ou 3298% maior. A região ainda tem Bocaina do Sul e Cerro
Negro na lista dos 10 piores IPMs.
Foto: Ilustrativa/Divulgação
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