Lages, 18/12/2012, Correio Lageano
Bairro São Cristóvão tem três pontos onde o pavimento cedeu por conta da erosão na galeria pluvial. O chão embaixo está oco
Um desabamento no início do Tunnel Liner, construído na rua Rio Grande do Norte, bairro São Cristóvão, em Lages, aumentou a desconfiança dos moradores em relação à obra. Segundo a Secretaria de Obras, o problema seria a rede antiga de escoamento de água da chuva.
No buraco de cerca de um metro de profundidade, os moradores colocaram um cartaz de protesto que alertava para 40 anos de alagamentos. O local sofreu com as chuvas de 22 de outubro deste ano. Na ocasião, a moradora Marta Sander contou ao Correio Lageano que a água borbulhava na boca de lobo.
O buraco fica quase na esquina da rua Acre com a Rio Grande do Norte, bem no início do Tunnel Linner. Segundo Gastão Carsten, arquiteto da Secretaria de Obras, o problema é a ligação da rede antiga. “Os tubos da galeria estão trabalhando”, explica.
Quando isso acontece, a água corre fora dos tubos e causa erosão embaixo dos paralelepípedos; o chão fica oco e a pavimentação desaba. O chapeador Odair Fogaça, que trabalha em frente ao local, conta que o buraco apareceu por volta do meio-dia de ontem. “Está tudo oco, vai desabar essa rua inteira”, relatou.
Gastão diz que isso não acontecerá, uma vez que o túnel é construído com paredes de aço. Mas problemas como o da esquina com a rua Acre podem se repetir em outros pontos. Perto da rua Amazonas, um decaimento no meio da rua revela que ali, também, o chão está oco. Segundo Gastão, a rede antiga não estaria bem conectada.
Outro agravante é a rede antiga acima do início do Tunnel Linner. A rua Acre possui um trecho elevado no entroncamento com a avenida Dom Pedro II, e a água desce rapidamente, causando turbilhonamento na entrada do Tunnel, sendo uma das prováveis causas do desencaixe dos tubos na região.
Para Fogaça, o buraco é “apenas mais um incômodo”. “A rua ficou fechada muito tempo e eu perdia clientes, agora começa a desabar tudo”, reclamou. A construção do Tunnel Linner do São Cristóvão levou dois anos e custou R$ 1,7 milhão aos cofres municipais. A obra faz parte de um pacote de investimentos para solucionar as cheias na área urbana.
Problemas na avenida Brasil não têm relação
Em outubro, quando aconteceram cheias na região da avenida Brasil, alguns moradores afirmaram que as obras do Tunnel Liner influenciaram no alagamento. Calçadas ficaram estufadas e a água entrou dentro das casas pelo banheiro e em alguns pontos da avenida ela brotou do chão. O arquiteto da Secretaria de Obras, Gastão Carsten, explica que o problema não tem nada a ver com o Tunnel Linner. “Ali a tubulação é pequena, é o próximo problema que temos de resolver”, explicou.
A saga e a herança de uma obra de dois anos
Na manhã de 23 de agosto de 2010, funcionários da Secretaria de Obras começavam a fazer o primeiro poço para a construção do Tunnel Liner. O método de construção não abriria toda a rua, como normalmente é feito em obras de implantação e modificação de galerias pluviais.
Operários passavam o dia debaixo da terra escavando até chegar ao próximo ponto de vistoria. Tal método não pode ser usado em toda obra, uma vez que a região no entorno da escola Belisário Ramos possui solo arenoso. A solução foi abrir a rua e implantar o sistema de drenagem no método tradicional.
O tubo de paredes de aço tem 700 metros e serve como espinha dorsal do sistema de escoamento de águas da região entre as avenidas Presidente Vargas e a Dom Pedro II. Chuvas constantes e instabilidade do terreno atrasaram o cronograma de obras, e o túnel ficou pronto depois de dois anos de trabalho.
Em outubro, no primeiro grande teste, a estrutura de R$ 1,7 milhão falhou. Os 67 milímetros de água que caíram em duas horas, no dia 22 daquele mês, foram suficientes para alagar a avenida Brasil e parte da rua Rio Grande do Norte.
Fotos: Thomas Michel
Bairro São Cristóvão tem três pontos onde o pavimento cedeu por conta da erosão na galeria pluvial. O chão embaixo está oco
Um desabamento no início do Tunnel Liner, construído na rua Rio Grande do Norte, bairro São Cristóvão, em Lages, aumentou a desconfiança dos moradores em relação à obra. Segundo a Secretaria de Obras, o problema seria a rede antiga de escoamento de água da chuva.
No buraco de cerca de um metro de profundidade, os moradores colocaram um cartaz de protesto que alertava para 40 anos de alagamentos. O local sofreu com as chuvas de 22 de outubro deste ano. Na ocasião, a moradora Marta Sander contou ao Correio Lageano que a água borbulhava na boca de lobo.
O buraco fica quase na esquina da rua Acre com a Rio Grande do Norte, bem no início do Tunnel Linner. Segundo Gastão Carsten, arquiteto da Secretaria de Obras, o problema é a ligação da rede antiga. “Os tubos da galeria estão trabalhando”, explica.
Quando isso acontece, a água corre fora dos tubos e causa erosão embaixo dos paralelepípedos; o chão fica oco e a pavimentação desaba. O chapeador Odair Fogaça, que trabalha em frente ao local, conta que o buraco apareceu por volta do meio-dia de ontem. “Está tudo oco, vai desabar essa rua inteira”, relatou.
Gastão diz que isso não acontecerá, uma vez que o túnel é construído com paredes de aço. Mas problemas como o da esquina com a rua Acre podem se repetir em outros pontos. Perto da rua Amazonas, um decaimento no meio da rua revela que ali, também, o chão está oco. Segundo Gastão, a rede antiga não estaria bem conectada.
Outro agravante é a rede antiga acima do início do Tunnel Linner. A rua Acre possui um trecho elevado no entroncamento com a avenida Dom Pedro II, e a água desce rapidamente, causando turbilhonamento na entrada do Tunnel, sendo uma das prováveis causas do desencaixe dos tubos na região.
Para Fogaça, o buraco é “apenas mais um incômodo”. “A rua ficou fechada muito tempo e eu perdia clientes, agora começa a desabar tudo”, reclamou. A construção do Tunnel Linner do São Cristóvão levou dois anos e custou R$ 1,7 milhão aos cofres municipais. A obra faz parte de um pacote de investimentos para solucionar as cheias na área urbana.
Problemas na avenida Brasil não têm relação
Em outubro, quando aconteceram cheias na região da avenida Brasil, alguns moradores afirmaram que as obras do Tunnel Liner influenciaram no alagamento. Calçadas ficaram estufadas e a água entrou dentro das casas pelo banheiro e em alguns pontos da avenida ela brotou do chão. O arquiteto da Secretaria de Obras, Gastão Carsten, explica que o problema não tem nada a ver com o Tunnel Linner. “Ali a tubulação é pequena, é o próximo problema que temos de resolver”, explicou.
A saga e a herança de uma obra de dois anos
Na manhã de 23 de agosto de 2010, funcionários da Secretaria de Obras começavam a fazer o primeiro poço para a construção do Tunnel Liner. O método de construção não abriria toda a rua, como normalmente é feito em obras de implantação e modificação de galerias pluviais.
Operários passavam o dia debaixo da terra escavando até chegar ao próximo ponto de vistoria. Tal método não pode ser usado em toda obra, uma vez que a região no entorno da escola Belisário Ramos possui solo arenoso. A solução foi abrir a rua e implantar o sistema de drenagem no método tradicional.
O tubo de paredes de aço tem 700 metros e serve como espinha dorsal do sistema de escoamento de águas da região entre as avenidas Presidente Vargas e a Dom Pedro II. Chuvas constantes e instabilidade do terreno atrasaram o cronograma de obras, e o túnel ficou pronto depois de dois anos de trabalho.
Em outubro, no primeiro grande teste, a estrutura de R$ 1,7 milhão falhou. Os 67 milímetros de água que caíram em duas horas, no dia 22 daquele mês, foram suficientes para alagar a avenida Brasil e parte da rua Rio Grande do Norte.
Fotos: Thomas Michel
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