Lages, 24/12/2012, Correio Lageano, por Francielli Campiolo
Sete famílias estão envolvidas na extração de material para a construção civil em mineradora do bairro Bom Jesus
Na pedreira do bairro Bom Jesus, os trabalhadores utilizam somente as botas como proteção. Quando o serviço é feito na parte alta, o cinto também é utilizado. Os próprios homens afirmam que não são necessários outros Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados aos riscos. O local não é cercado e os estudantes passam por lá ao voltarem da escola para casa.
Quem exerce a atividade recebe por dia. Um dos homens, que extrai as pedras por dois ou três dias e depois para, reforça que eles trabalham só com a proteção do corpo mesmo. A remuneração é em torno de R$ 100 a R$ 150 por dia, dependendo do que se consegue extrair. Não há horário para começar ou terminar. Há quatro anos, vive assim. “A gente aprende olhando desde pequeno. Meu avô trabalhava ali”, diz.
Na mineração a céu aberto, rochas são extraídos para a construção. O impacto visual da pedreira no Bom Jesus pode ser comprovado de longe. Após cortarem a pedra, ela é puxada para cima do caminhão para ser vendida. Alguns contaram que, recentemente, um senhor machucou os quatro dedos de uma das mãos ao puxar as pedras com o cabo de aço que escapou. Outros, afirmaram que não teve nenhum acidente nas últimas semanas.
“Se tivessem luvas, talvez não teria acontecido”, um deles afirmou. O trabalhador considera o serviço bom, mas perigoso. Ele mesmo afirma que leva o filho para brincar na pedreira porque a água é limpa. No final de semana, não tem ninguém para impedir que as crianças brinquem no paredão.
Ambiente
Toda atividade de extração de recursos naturais, o processamento industrial e o descarte dos resíduos gerados nesses processos podem representar riscos ao equilíbrio ambiental. Para permitir estas atividades e evitar os riscos, a legislação brasileira exige das empresas o licenciamento ambiental. Em Santa Catarina, é a Fundação do Meio Ambiente (Fatma) a responsável legal por essa atribuição.
De acordo com o gerente regional da Fatma, Willy Brun, pela atividade ser familiar, quando há intervenções dos órgãos reguladores, os trabalhadores apelam dizendo que é a única fonte de renda que possuem. Brun informou que iria averiguar o caso pois não dispõe de técnicos suficientes para atender todas as questões de competência do órgão. Desde o início de dezembro deste ano até a semana passada, ninguém tinha ido verificar a situação no local.
Moradores em risco
Na casa da pedreira há uma placa informando a proibição da entrada de menores, pois a atividade é altamente perigosa, penosa, insalubre e estafante. Os infratores são punidos por lei. Um animal ainda estava se alimentando próximo à pedreira, no dia em que a reportagem do Correio Lageano foi até o lugar. Além disso, há quem afirme que drogas são consumidas no local.
Em torno de 15 pessoas passam por lá todos os dias. Valdir Tavares de Castro trabalha há oito meses, de segunda-feira a sexta-feira, onde o pai, Jerson de Castro, é arrendatário. Ele contou que as crianças só entram quando vão dar recado, mas logo saem. Outro arrendatário, Valmir Vieira, contou que trabalha há 50 anos na pedreira.
Segundo ele, são sete arrendatários. “Às vezes, alguém ‘maceta’ o dedo”, disse.
Ele vai um dia por semana no seu terreno e só ele e os dois filhos trabalham lá. Vieira afirmou que foram plantadas árvores ao redor feita uma cerca.
Patrick Maciel também é filho de um dos arrendatários e trabalha há um ano na pedreira, todos os dias. É ele quem explica que, se usar capacete, cai da cabeça; óculos deixam o rosto suado e as luvas rasgam. Esses equipamentos atrapalham o serviço. “Quando machuca, a fratura é feia”, conclui Maciel.
Ministério exige regras
O Ministério do Trabalho e Emprego determinou regras de segurança a serem seguidas, mas não é o que acontece. As exigências são, além dos EPI, fornecimento de água potável e abrigo destinado a proteger os trabalhadores contra intempéries e com condições sanitárias compatíveis com a atividade.
De acordo com informações da Polícia Ambiental, a licença foi concedida em dezembro de 2011 e tem a validade de 48 meses. Após esse período, é necessário novo processo de documentação.
Quinto andar permanece inativo no HTR
Mesmo com fim da greve da saúde na sexta-feira passada, o atendimento só será normalizado no Hospital Tereza Ramos a partir de 2 de janeiro. Ontem, os setores do quinto andar continuavam fechados. A direção não se manifestou, apenas informou que os trabalhos administrativos serão retomados na quarta-feira. “Mesmo com a volta dos funcionários que estavam em greve, os problemas não acabam, pois há funcionários de férias e outros que estão de atestado médicos”, informou a diretora do Sindsaúde, Rita Gonçalves.
Apesar do fim da paralisação, o sindicato não vai deixar de lado a mobilização. Ficou definido que será montada uma comissão dentro dos hospitais para fiscalizar o fornecimento de remédios e a utilização dos leitos. “Ontem (sábado) fui ao Hospital e fui informada que estavam faltando remédios”, conta Rita.
Familiares de pacientes que aguardavam na recepção comentaram que o atendimento estava dentro do esperado e que não houve nenhum transtorno. Cristiane Freitas acompanhou a filha que ganhou Sofia no sábado. A tia Ana Flávia esperava para ver a sobrinha. “Ela foi muito bem assistida e o atendimento foi pelo SUS”, salientou Cristiane.
Fotos:Francielli Campiolo
Sete famílias estão envolvidas na extração de material para a construção civil em mineradora do bairro Bom Jesus
Na pedreira do bairro Bom Jesus, os trabalhadores utilizam somente as botas como proteção. Quando o serviço é feito na parte alta, o cinto também é utilizado. Os próprios homens afirmam que não são necessários outros Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados aos riscos. O local não é cercado e os estudantes passam por lá ao voltarem da escola para casa.
Quem exerce a atividade recebe por dia. Um dos homens, que extrai as pedras por dois ou três dias e depois para, reforça que eles trabalham só com a proteção do corpo mesmo. A remuneração é em torno de R$ 100 a R$ 150 por dia, dependendo do que se consegue extrair. Não há horário para começar ou terminar. Há quatro anos, vive assim. “A gente aprende olhando desde pequeno. Meu avô trabalhava ali”, diz.
Na mineração a céu aberto, rochas são extraídos para a construção. O impacto visual da pedreira no Bom Jesus pode ser comprovado de longe. Após cortarem a pedra, ela é puxada para cima do caminhão para ser vendida. Alguns contaram que, recentemente, um senhor machucou os quatro dedos de uma das mãos ao puxar as pedras com o cabo de aço que escapou. Outros, afirmaram que não teve nenhum acidente nas últimas semanas.
“Se tivessem luvas, talvez não teria acontecido”, um deles afirmou. O trabalhador considera o serviço bom, mas perigoso. Ele mesmo afirma que leva o filho para brincar na pedreira porque a água é limpa. No final de semana, não tem ninguém para impedir que as crianças brinquem no paredão.
Ambiente
Toda atividade de extração de recursos naturais, o processamento industrial e o descarte dos resíduos gerados nesses processos podem representar riscos ao equilíbrio ambiental. Para permitir estas atividades e evitar os riscos, a legislação brasileira exige das empresas o licenciamento ambiental. Em Santa Catarina, é a Fundação do Meio Ambiente (Fatma) a responsável legal por essa atribuição.
De acordo com o gerente regional da Fatma, Willy Brun, pela atividade ser familiar, quando há intervenções dos órgãos reguladores, os trabalhadores apelam dizendo que é a única fonte de renda que possuem. Brun informou que iria averiguar o caso pois não dispõe de técnicos suficientes para atender todas as questões de competência do órgão. Desde o início de dezembro deste ano até a semana passada, ninguém tinha ido verificar a situação no local.
Moradores em risco
Na casa da pedreira há uma placa informando a proibição da entrada de menores, pois a atividade é altamente perigosa, penosa, insalubre e estafante. Os infratores são punidos por lei. Um animal ainda estava se alimentando próximo à pedreira, no dia em que a reportagem do Correio Lageano foi até o lugar. Além disso, há quem afirme que drogas são consumidas no local.
Em torno de 15 pessoas passam por lá todos os dias. Valdir Tavares de Castro trabalha há oito meses, de segunda-feira a sexta-feira, onde o pai, Jerson de Castro, é arrendatário. Ele contou que as crianças só entram quando vão dar recado, mas logo saem. Outro arrendatário, Valmir Vieira, contou que trabalha há 50 anos na pedreira.
Segundo ele, são sete arrendatários. “Às vezes, alguém ‘maceta’ o dedo”, disse.
Ele vai um dia por semana no seu terreno e só ele e os dois filhos trabalham lá. Vieira afirmou que foram plantadas árvores ao redor feita uma cerca.
Patrick Maciel também é filho de um dos arrendatários e trabalha há um ano na pedreira, todos os dias. É ele quem explica que, se usar capacete, cai da cabeça; óculos deixam o rosto suado e as luvas rasgam. Esses equipamentos atrapalham o serviço. “Quando machuca, a fratura é feia”, conclui Maciel.
Ministério exige regras
O Ministério do Trabalho e Emprego determinou regras de segurança a serem seguidas, mas não é o que acontece. As exigências são, além dos EPI, fornecimento de água potável e abrigo destinado a proteger os trabalhadores contra intempéries e com condições sanitárias compatíveis com a atividade.
De acordo com informações da Polícia Ambiental, a licença foi concedida em dezembro de 2011 e tem a validade de 48 meses. Após esse período, é necessário novo processo de documentação.
Quinto andar permanece inativo no HTR
Mesmo com fim da greve da saúde na sexta-feira passada, o atendimento só será normalizado no Hospital Tereza Ramos a partir de 2 de janeiro. Ontem, os setores do quinto andar continuavam fechados. A direção não se manifestou, apenas informou que os trabalhos administrativos serão retomados na quarta-feira. “Mesmo com a volta dos funcionários que estavam em greve, os problemas não acabam, pois há funcionários de férias e outros que estão de atestado médicos”, informou a diretora do Sindsaúde, Rita Gonçalves.
Apesar do fim da paralisação, o sindicato não vai deixar de lado a mobilização. Ficou definido que será montada uma comissão dentro dos hospitais para fiscalizar o fornecimento de remédios e a utilização dos leitos. “Ontem (sábado) fui ao Hospital e fui informada que estavam faltando remédios”, conta Rita.
Familiares de pacientes que aguardavam na recepção comentaram que o atendimento estava dentro do esperado e que não houve nenhum transtorno. Cristiane Freitas acompanhou a filha que ganhou Sofia no sábado. A tia Ana Flávia esperava para ver a sobrinha. “Ela foi muito bem assistida e o atendimento foi pelo SUS”, salientou Cristiane.
Fotos:Francielli Campiolo
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