terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Artesãos expõem arte no centro de Lages

Artesãos expõem arte no centro de Lages
Lages, 06/02/2013, Correio Lageano



É tentando ganhar a vida que os artesãos montam suas bancas e vendem produtos como colares, pulseiras, anéis e brincos no calçadão Túlio Fiúza de Carvalho, no centro de Lages. Os trabalhos manuais são realizados na rua e a arte é ensinada de pai para filho.
Quem passa pelo centro da cidade nem sempre repara nas bancas de artesãos do local.


Eles produzem e vendem suas peças. Esse é o caso do boliviano Cesar Fernando Calle, de 35 anos, que optou por viver no Brasil em função das melhores condições econômicas no país. Para Calle, o diferencial no seu trabalho está na qualidade e raridade. “É interessante pois é diferente, poucos têm esse trabalho”, afirma.



As peças, na grande maioria bijuterias, são feitas com matéria-prima natural, como sementes, conchas e fios. Segundo Calle, a arte foi passada de geração em geração na família, e ele aprendeu as habilidades manuais com a sua mãe.



Há dez anos atuando como artesão, ele conta que os lageanos têm sido receptivos ao seu trabalho. “Eu gosto do que faço e as pessoas apreciam bastante, principalmente as coisas naturais, uma peça bem feita eles valorizam”, explica. Porém, nesse ramo, de acordo com Calle, o dinheiro que se ganha nem sempre dá para pagar todas as despesas e por isso opta por ficar no litoral durante o verão. Ainda sim ele se diz satisfeito. “Agradeço de coração as pessoas que gostam do que faço, me ajuda bastante”, completa.



Artista se diverte com o trabalho



Confeccionando suas peças, o lageano Júlio César Mateus, de 38 anos, também escolheu a banca no Calçadão como seu ambiente de trabalho. Há 14 anos ele produz e vende bijuterias e, assim como o colega Calle, opta por usar miçangas, sementes, bambu e madeira nos seus trabalhos.



Ele destaca que uma das dificuldades é conseguir matéria-prima, mas gosta da profissão. “É sofrido, mas é divertido, a gente vê bastante movimento e coisas engraçadas, também as pessoas e o cotidiano”, afirma Mateus, destacando que passar o dia no Calçadão faz com que ele observe mais atentamente quem passa pelo local todos os dias.



Para ele, a atividade deve ser classificada como artesanato e respeitada por isso. “Para fazer isso, a gente tem que separar as sementes, furar e polir, têm alguns feitos com arame e alicate, também faço o apanhador de sonhos, com fio, galho de chorão e penas”, completa. Mateus aprendeu as técnicas observando outras pessoas. “Aos poucos fui aprendendo e criando minhas próprias peças”, completa. A maioria de seus clientes são estudantes interessados em pulseiras, colares e tornozeleiras, especialmente aqueles confeccionados em macramê com fio encerado.


Fotos: Joana Costa

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