quarta-feira, 6 de março de 2013

Chávez criou polêmicas e causou amor e ódio



Chávez criou polêmicas e causou amor e ódio
Venezuela, 06/03/2013, Correio Lageano



O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou, no final da tarde de ontem, em rede de rádio e televisão, a morte do presidente Hugo Chávez. Maduro confirmou a notícia dada na noite anteior sobre o agravamento do estado de saúde de Chávez.
O presidente morre aos 58 anos, depois de enfrentar longo tratamento contra um câncer na região pélvica (detalhes da doença nunca foram divulgados). Ele não era visto desde dezembro do ano passado, quando foi submetido a uma cirurgia em Havana.



Pouco antes de anunciar a morte do presidente, que ficou por 14 anos no poder da vizinha Venezuela, o vice Nicolás Maduro – nomeado como sucessor pelo próprio Hugo Chávez  – afirmou que o câncer de Chávez “teria sido inoculado pelos inimigos do país”. Acusou americanos de causarem a doença e de fazerem gestões com militares para uma interferência externa no país.



A tese do “ataque científico” contra o presidente foi apresentada em reunião com a presença de Maduro, ministros, Alto Comando militar e representantes dos poderes públicos, além de 20 governadores aliados ao presidente Hugo Chávez.



“Sabemos que a doença do presidente Chávez foi um ataque, e isso tem que ser investigado. Os inimigos buscam danificar a saúde de Chávez e isto vai ser investigado”, declarou Maduro. Ele lembrou a doença do líder palestino Yasser Arafat que, segundo Maduro, também teria sido inoculada pelos Estados Unidos e por Israel.



O vice-presidente venezuelano informou que um funcionário da Embaixada dos Estados Unidos, David del Mónaco, teria se aproximado de militares para planejar uma intervenção militar estrangeira no país, no que o vice-presidente chamou de um ataque para a “destruição da democracia”. O funcionário foi expulso da Venezuela, comunicou o vice-presidente.



Maduro pediu que o povo venezuelano enfrente este momento “com  o amor que Chávez ensinou”. O vice-presidente encerrou a fala com a frase: “Viva Hugo Chávez! Viva para Sempre”.



Três mulheres e quatro filhos



Hugo Rafael Chávez Frías nasceu em 28 de julho de 1954. Foi o 56º e era o atual presidente da Venezuela. É o segundo de seis filhos de Hugo de los Reyes Chávez e de Elena Frías de Chávez, ambos professores de carreira. Hugo e o seu irmão mais velho foram viver com a avó paterna Rosa Inés a pedido do pai, ainda durante a infância.



Frequentou a escola primária no Grupo Escolar Julián Pino, em Sabaneta. O ensino secundário foi cursado no Liceu Daniel Florencio O’ Leary, na cidade de Barinas. Desde a sua juventude, Chávez é um apreciador de atividades esportivas, em particular do baseball.



Aos dezessete anos, Chávez ingressou na Academia Militar da Venezuela, graduando-se, em 1975, em Ciências e Artes Militares, ramo de Engenharia. Prosseguiu na carreira militar, atingido o posto de tenente-coronel.



Chávez casou-se duas vezes: a primeira com Nancy Colmenares, com quem teve três filhos (Rosa Virginia, María Gabriela e Hugo Rafael) e a segunda com a jornalista Marisabel Rodríguez, de quem se separou em 2003 e com quem teve uma filha, Rosinés. Além disso, Chávez também manteve uma relação amorosa por cerca de dez anos com a historiadora Herma Marksman enquanto era casado com a sua primeira esposa.



Na Venezuela, mandava em tudo



Como líder da Revolução Bolivariana, Chávez advogava a doutrina bolivarianista, promovendo o que denomina de socialismo do século XXI. Ele foi também um crítico do neoliberalismo e das relações exteriores dos Estados Unidos. Um oficial militar de carreira, Chávez fundou o Movimento Quinta República, da esquerda política, depois de capitanear um golpe de estado mal-sucedido contra o governo de Carlos Andrés Pérez.



Foi eleito presidente em 1998, encerrando o Pacto de Punto Fijo, que perdurara por quarenta anos, com uma campanha centrada em promessas de ajudar a maioria pobre da Venezuela. Com o respaldo de numerosos referendos e eleições, Chávez logrou a possibilidade de se reeleger, vencendo os pleitos de 2000 e 2006.



Obtendo enorme popularidade, fundiu vários partidos de esquerda venezuelanos no PSUV, centralizou o poder e controlava a Assembleia Nacional, o Tribunal Supremo de Justiça, o Banco Central da Venezuela e a indústria petrolífera.



Promoveu internacionalmente o antiamericanismo e o anticapitalismo, apoiou a autossuficiência econômica, e defendeu a cooperação entre as nações pobres do mundo, especialmente aquelas da América Latina. Sua atuação na região incluiu a criação da Alba e o apoio financeiro e logístico a países aliados.




Foto: Divulgação

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