Lages, 06/03/2013, Correio Lageano, por Susana Küster
Fiscalização rigorosa nas casas noturnas deixou quatro fechadas em Lages e grupos são afetados
O fechamento de casas noturnas proveniente da fiscalização mais rígida, que se originou depois da tragédia da boate Kiss, de Santa Maria, tem afetado diretamente a agenda de shows de diversos grupos. Além deste fator, o período da quaresma e o endurecimento da Lei Seca também são fatores que causaram a diminuição da quantidade de frequentadores de boates.
Estes três fatos têm feito com que muitas bandas entrem em férias. O baixista e um dos vocalistas do grupo Os Tropeiros, Edson Brito, conta que quatro eventos foram adiados em casas noturnas de Santa Catarina porque elas foram interditadas.
Brito é compositor de muitos grupos gaúchos e também do estilo sertanejo. Ele diz que os músicos lamentam o cancelamento de shows, fato que tem sido frequente. “Tudo começou com a tragédia da boate, muitos locais fecharam, outros foram interditados. Aí a Lei Seca ficou mais rigorosa e as pessoas não bebem ou diminuíram a quantidade de festas que vão”, comenta.
A quaresma (período de abstinência, jejum e perdão na Igreja Católica) também é apontada como fator inibidor de público nas casas noturnas. “Principalmente na Serra Catarinense, o pessoal respeita muito e não vai fazer festa”, diz.
O grupo faz shows em Santa Catarina, no Paraná e também no Rio Grande do Sul. Segundo Brito, a situação é a mesma em cidades destes Estados. “Acabamos tirando umas férias forçadas. Esperamos que daqui dois meses, com o fim da quaresma e a abertura das boates, as coisas se normalizem”, acredita.
O vocalista do grupo De Campo e Alma, Marlus Pereira, confirma o que Brito alega. “Faz quase dois meses que estamos sem nenhum show”, frisa.
Rancho Serrano altera estrutura para reabrir
O Rancho Serrano é um dos principais locais onde a música tradicionalista toca em Lages. O ambiente está fechado há quase um mês e shows foram cancelados.
O promotor de eventos do Rancho Serrano, Claúdio Bianchini, diz que precisou reduzir em 50% o espaço físico do local. “O caminho para as portas não pode ser grande. Tive um prejuízo considerável devido ao cancelamento de shows e precisei investir muito dinheiro para alterar a estrutura”, comenta.
O promotor de eventos do Rancho Serrano, Claúdio Bianchini, diz que precisou reduzir em 50% o espaço físico do local. “O caminho para as portas não pode ser grande. Tive um prejuízo considerável devido ao cancelamento de shows e precisei investir muito dinheiro para alterar a estrutura”, comenta.
Ele acredita que nesta sexta-feira ou no máximo semana que vem, as mudanças ficarão prontas. “Nosso plano preventivo de incêndio foi aprovado, agora estamos adequando a estrutura”, comenta. Em Lages quatro casas noturnas continuam fechadas: Bailinho da Angélica, Rancho Serrano, 900 e Buda.
Fiscalização em igrejas, clubes e escolas
Os membros da força-tarefa, voltada a manter a segurança pública junto aos estabelecimentos de grande aglomeração de pessoas, decidiram pela continuidade dos trabalhos de fiscalização. Agora será ampliada, abrangendo templos religiosos, escolas e clubes.
“Está sendo obtido resultado positivo, assim, deveremos continuar vistoriando estabelecimentos que necessariamente devem se adequar às normas de segurança das pessoas que os frequentam”, disse o procurador-geral do Município, Fabrício Reichert.
Segundo ele, a determinação do prefeito Elizeu Mattos visa garantir o cumprimento das normas exigidas para a liberação dos alvarás de funcionamento e localização de quaisquer estabelecimentos públicos, especialmente daqueles que abrigam grande número de pessoas. As vistorias da força-tarefa estão sendo realizadas semanalmente.
Fotos: Susana Küster
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