sexta-feira, 8 de março de 2013

Microcrédito concretiza o sonho do próprio negócio



Microcrédito concretiza o sonho do próprio negócio
Lages, 09 e 10/03/2013, Correio Lageano, por Suzani Rovaris



A histórias de pessoas simples que aproveitaram dos pequenos empréstimos para se transformar em microempreendedores. São recursos mínimos, mas que têm o poder transformador de realinhar a vida econômica familiar e de devolver a esperança




O sonho de comprar uma casa, pagar as dívidas e ter o próprio negócio parecia muito distante para o casal Ari Lopes da Silva e Dolita Gobertt da Silva, em 2001. Com a possibilidade do microcrédito, os sonhos se transformaram em realidade e a família passou a ter mais qualidade de vida.



A família morava em Campo Belo do Sul e vendeu a casa na esperança de melhorar de vida. A negociação só provocou prejuízos. A única oportunidade foi se mudar para Painel e trabalhar em um sítio.



Foi lá que Ari descobriu a habilidade de manusear ferro e aço. Resolveu, então, apostar nisso. Fez um empréstimo de R$ 500,00 e comprou material bruto para a fabricação de selas. Os pedidos aumentaram e a família conseguiu abrir um pequeno negócio para fabricação de peças para selaria, como armação de sela, suporte para loro de estribo, argolas, entre outros.



Em 2005, a família voltou para Campo Belo do Sul, mas percebeu que Lages tinha maior mercado. Há dois anos, mudou-se e a pequena empresa só cresceu. Além de Lages, são vendidas peças para o Paraná e o Rio Grande do Sul.



A palavra estabilidade começou a fazer parte da vida de Ari e Dolita. Outros empréstimos foram feitos para a compra de maquinário e ferramentas. O casal conseguiu comprar a casa própria e o carro. Atualmente, a receita mensal é de R$ 6 mil a R$ 7 mil. A família paga funcionários e a prestação e manutenção da casa.



Mais de R$ 2 milhões investidos



Segundo dados do Banco da Família, único a trabalhar com o microcrédito na região, foram liberados 63 operações que renderam um total de R$ 154.400,00. No período de novembro de 2011 a janeiro de 2013, o banco liberou 981 operações, totalizando mais de R$ 2 milhões. No estado, durante este mesmo período, o programa liberou 10.099 operações que totalizaram mais de R$ 28 milhões.



O programa tem como objetivo conceder crédito para a melhoria e ou ampliação de negócios formais ou informais. O empréstimo pode ser utilizado para investir em capital fixo (máquinas e equipamentos), capital de giro (mercadoria, estoque e matéria-prima) e reformas.




Microempresária ajudou na formação das filhas



Há 30 anos trabalhando no segmento de alimentos, proprietária de uma lanchonete no Centro de Lages, Maria Ilma de Oliveira, de 58 anos, deu um grande passo quando fez o primeiro empréstimo, por meio da linha de microcrédito há 15 anos. De lá para cá, o pequeno negócio só melhorou. Ela adquiriu mais um freezer, fogão industrial e outros utensílios de cozinha. Com um lucro de aproximadamente R$ 5 mil mensais, ela pagou a faculdade das duas filhas, reformou a casa e comprou um carro.



Na lanchonete, a microempresária aumentou o cardápio e passou a oferecer aos finais de semana e feriados opções como frango assado, churrasco e maionese. “Depois que descobri o microcrédito, não consigo mais viver sem. É muito fácil e simples de pagar.”



De mãe para filha


Natalina Bassoli, de 55 anos, resolveu ampliar o negócio no segmento de cosméticos. Fez um empréstimo de R$ 1,2 mil e criou um estoque de produtos para facilitar a venda a pronta entrega.



O sucesso foi tão grande que conseguiu trocar o carro três vezes, além de ampliar a casa.  “Você precisa de foco e perseverança”, afirma. Após se estabilizar, ela passou o negócio para a filha, Juliana Bassoli de Liz, que ampliou ainda mais o número de clientes. Além de Lages, vende também para Painel e Curitibanos e com isso, retira por mês, uma média de R$ 5 mil a R$ 6 mil.



Apenas com essa renda, Juliana conseguiu comprar uma casa no loteamento Moradas Lages, toda a mobília e um carro.



Fonte de renda  



O espírito empreendedor de Marlene Aparecida Walter Sagaz se fortaleceu quando ela resolveu ampliar o negócio de costura. Fez dois empréstimos de R$ 3 mil e com o valor comprou mais cinco máquinas de costura, lã, linha e outras ferramentas.



Marlene sempre trabalhou no comércio de Lages, mas há 11 anos é costureira. Hoje, reforma uma média de 30 peças por dia, demanda bem maior que antigamente, quando tinha um lucro de R$ 2 mil.



“Não divulgo quanto eu ganho, mas após os empréstimos com o microcrédito, consegui formar um capital de giro e, em consequência, tiro um bom lucro e o sustento da casa”, afirma Marlene. Além disso, o pequeno ateliê é a fonte de renda para três funcionárias que trabalham com Marlene.



Reforma da casa



Maria Gorete Padilha, 53 anos, mora há sete no bairro Centenário. Conviveu com a insegurança. O terreno onde reside não era cercado. A dona de casa, que recicla lixo, sonhava de reformar a casa e construir um muro em volta do terreno.



Em conversas com vizinhos descobriu o microcrédito. O primeiro empréstimo foi de R$ 500,00 para instalar grades nas janelas. O segundo, de R$ 400,00, para colocar piso e, na última semana, fechou o terceiro para construir um muro ao redor de casa.



Vítima de derrame em 2003, que resultou na paralisação do lado esquerdo do corpo, hoje, ela se sente mais segura por causa das melhorias que fez em sua casa, com os empréstimos. “Vivo com mais segurança e sem medo de ser roubada como antigamente.”



As vantagens do microcrédito


  •  Em cada bairro do município tem um agente do crédito que visita as casas
  • Os interessados fazem um cadastro e são visitados para análise
  •  É feito um levantamento socioeconômico, capacidade de pagamento e necessidade do crédito
  • Com avaliação positiva, o crédito é concedido
  • Os valores solicitados podem variar de R$ 500,00 a R$ 15 mil. A média das operações é de R$ 2 mil
  • Para o negócio: o crédito é concedido para a melhoria e ou ampliação do  negócio formal ou informal
  • Para reformas: o crédito é concedido para as reformas de casas ou do local de trabalho



Fotos: Suzani Rovaris

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