Lages, 09 e 10/03/2012, Correio Lageano, por Adecir Morais
O caminho a ser seguido pelo governo pode ser determinante nas urnas em 2014, caso Colombo seja confirmado na disputa
Com menos da metade do mandato pela frente, o governador Raimundo Colombo (PSD) terá muitos desafios. Um deles é fazer “seu governo acontecer”, ou seja, fazer com que o pacote bilionário de obras, anunciada ano passado, saia do papel. Outro será aprimorar sua gestão por meio da “caravana do progresso”, que consiste numa aproximação do governo com todos os prefeitos do Estado.
Olhando para trás, os primeiros passos do governo foram focados na melhoria de gestão. Por outro lado, Colombo teve que enfrentar obstáculos, como as sucessivas greves nas áreas de saúde e educação e a recente crise na segurança pública. Desta vez, o caminho a ser seguido pode ser determinante para seu desempenho nas urnas, caso seu nome seja confirmado para a disputa de 2014.
O governo aposta, por exemplo, no Pacto Por Santa Catarina, que prevê investimentos de cerca de R$ 6 bilhões em setores como infraestrutura, saúde, tecnologia e segurança pública. A maior parte deste dinheiro será destinado à infraestrutura. Ainda que uma boa parte das obras não esteja em prática, a aposta é que tudo saia do papel este ano.
No caso da Serra Catarinense, a pavimentação da SC-114, antiga 438, entre Painel e São Joaquim, está na lista dos investimentos. A obra custará R$ 55,7 milhões aos cofres públicos. Ao todo serão pavimentados 55,1 quilômetros.
Mas há também obras que ainda não saíram do papel, como é caso da SC-425, que liga Lages a Otacílio Costa, cujos serviços estão previstos para iniciar somente em outubro deste ano, segundoo Deinfra. O trecho tem 57 quilômetros e custará cerca de R$ 14 milhões.
Recentemente, governo também anunciou o Pacto pela Educação”, que prevê investimentos de R$ 500 milhões no sistema educacional catarinense. O valor será empregado no aprimoramento pedagógico de estudantes e professores, melhorias na estrutura das escolas e mudanças na gestão da rede estadual.
Por fim, Colombo defendeu uma aproximação do Governo do Estado com os municípios, por meio da “caravana do progresso”, que será organizada este ano. Ou seja, o governador vai pôr, literalmente, o pé na estrada para percorrer todo o Estado.
Mudanças de rumo na administração
Na opinião do professor do Departamento de Sociologia e Ciências Políticas da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), Julian Borba, o desafio de Colombo até o final do mandato é imprimir um modelo próprio de administração. “Ele está tentando encontrar uma agenda positiva de governo, o que não aconteceu até agora”, avalia.
Para ele, o governador herdou muita coisa dos oito anos de LHS e agora está procurando imprimir seu modelo de administração, e concorda que os dois primeiros anos de mandato foram turbulentos, principalmente no que se refere aos sucessivos movimentos grevistas, a exemplo do que ocorreu na saúde e na educação.
Na avaliação do professor de jornalismo e de pós-graduação em gestão de Políticas Públicas da Univali, Carlos Golembiewski, chegou a hora dos projetos saírem do papel. “A população espera que as promessas sejam concretizadas”, defende.
Golembiewski também vê com desconfiança o grande volume de obras anunciada, sendo que muitas sequer saíram do papel. “A minha preocupação é se haverá tempo hábil para iniciar as obras em razão das restrições eleitorais”, interpreta.
A habilidade de Colombo em buscar o entendimento através do diálogo, que é um dos trunfos dele, pode ajudá-lo a superar as dificuldades, segundo o professor. Este comportamento, aliás, também pode contribuir no projeto de reeleição de 2014.
Foto: Adecir Morais / Arquivo/CL
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