Bocaina do Sul, 05/03/2013, Correio Lageano, por Suzani Rovaris
Burocracia impede que grande parte dos produtores de mel, em Bocaina do Sul, comercializem o produto legalmente
Depois de funcionar por mais de uma década, a Casa do Mel, em Bocaina do Sul, não conseguiu renovar as licenças ambientais que permitem a industrialização do produto. Como consequência, cerca de 10 produtores do município estão na informalidade, não podem sequer expor o produto em mercados ou feiras. Juntos, eles respondem por 100 toneladas de mel/ano.
A Casa do Mel é uma iniciativa da Associação dos Produtores Rurais de Bocaina do Sul e existe desde o início da década de 1990. O objetivo do estabelecimento é ser um entreposto na Serra Catarinense para o processamento e rotulagem do mel. Assim todos os apicultores teriam nome e produto com valor agregado. Porém, para isso, a Casa do Mel precisa operar com o Serviço de Inspeção Federal (SIF). Assim, o produto pode ser comercializado no país e exterior.
Conforme o presidente da Associação dos Produtores de Mel, Jonildo Tadeu Oliveira, até 2009, a Casa do Mel trabalhou durante alguns anos com o SIF liberado. A partir dessa época, o local precisou passar por uma reforma, em convênio com a Caixa Econômica Federal, para se adaptar às normas sanitárias. Porém, o local foi interditado por não estar de acordo com o projeto. No ano passado, técnicos do Ministério da Agricultura vistoriaram o local e confirmaram problemas de infraestrutura.
Além de o imóvel não estar de acordo com as normas, falta a instalação das máquinas que processam o mel. De acordo com o presidente da associação, esse maquinário foi comprado com recursos dos governos estadual e federal, totalizando R$ 40 mil. Ele explica que foram realizadas três licitações, mas nenhum empresa se interessou em participar e, em função disso, as máquinas foram compradas, em dezembro do ano passado, de uma empresa de Maringá (PR). Mas até hoje, elas não foram instaladas.
Conforme Oliveira, foi enviada uma solicitação para que o técnico da Epagri do município faça a instalação. “Espero que até o final da minha gestão (maio), essas máquinas estejam instaladas para que os trabalho da Casa possam iniciar assim que a nova diretoria da associação assumir, só faltará a reforma do local”, afirma.
Enquanto isso, os apicultores transportam o produto à noite
O município de Bocaina do Sul possui 10 produtores de mel que exportam o produto. Apenas dois têm o Serviço de Inspeção Federal (SIF): os irmãos José Charles Becker e João Batista Becker. Apesar de não ser uma escolha, os demais comercializam informalmente.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lages, Carlos Luiz Peron, a venda é feita para intermediários, que repassam o produto para outras empresas legalizadas. Geralmente são vendidos para Itajaí e Içara. “Os intermediários transportam o mel à noite e em galões para não serem pegos pela fiscalização. O mel é rotulado como se fosse produto daquela região e os nossos produtores não são reconhecidos. A Serra Catarinense é prejudicada porque produz uma quantidade significativa de mel, mas acaba não sendo recompensada”, afirma Peron.
Na região serrana, a média de produção é de 900 toneladas. Uma pequena parte dessa quantidade é vendida legalmente. A maioria do mel exportado é vendido para países da Europa, principalmente Alemanha. “O mel da nossa região é muito bem recebido em outros países porque não é produzido com agrotóxicos, é um produto puro”, explica Peron.
Além do prejuízo de reconhecimento, os produtores também perdem dinheiro, pois o mel é vendido mais barato para os intermediários. “Os apicultores precisam se sujeitar aos preços dos intermediários. É eles determinam a quantidade e o preço pago pelo produto. Não há garantias de lucro e muito menos de um bom negócio”, completa.
Preço pago pelo quilo
Comércio informal
De R$ 1,00 a R$ 3,00
De R$ 1,00 a R$ 3,00
Comércio legal
De R$ 5,50 a R$ 6,00
De R$ 5,50 a R$ 6,00
Serviços de Inspeção Federal (SIF)
• Produtos de origem animal devem possuir o carimbo do SIF
• O selo atestar qualidade sanitária e estar em conformidade com a legislação
• Até receber o carimbo do SIF, o produto atravessa diversas etapas de fiscalização e inspeção
• A marca SIF está presente em mais de 180 países, deixando o Brasil entre os grandes exportadores mundiais de produtos de origem animal
• São mais de quatro mil estabelecimentos que abastecem o mercado interno e externo
Foto: Suzani Rovaris
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