Lages/Bocaina do Sul, 02/04/2013, CLMais, por Fabiana Nonjah, com informações da prefeitura de Bocaina do Sul, do boletim enviado à imprensa pela Polícia Militar e da PJL Construções e de agente da Polícia Civil em Bocaina do Sul
A prefeitura de Bocaina do Sul se manifestou na manhã desta terça-feira (02) sobre a morte de uma menina de três anos que sofreu uma pancada na cabeça na tarde desta segunda-feira (01), no bairro Nossa Senhora Aparecida, enquanto fossas sépticas que seriam usadas em banheiros construídos com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) eram descarregadas nas residências de famílias carentes beneficiadas.
A tampa de concreto de uma dessas fossas teria caído sobre a criança. A menina chegou a ser levada a um Posto de Saúde, mas não resistiu e morreu, segundo informa o boletim enviado à imprensa pela Polícia Militar (PM).
Para a prefeitura, a responsabilidade pelo acidente, caso tenha ocorrido em consequência de o material ter sido deixado em condições de risco após o descarregamento, é da empresa PJL Construções, de Lages, contratada para construir os banheiros.
Ainda segundo a prefeitura, a construtora venceu licitação aberta pela gestão anterior para construção dos sanitários. No entanto, as obras teriam sido mal executadas e apresentaram problemas, como entupimentos. Por isso, a Funasa não repassou os recursos para o pagamento dos serviços prestados. "Eles fizeram e ficou mal feito. A Funasa não quis pagar eles porque já tinha banheiro entupido", disse ao CLMais a chefia de gabinete do prefeito, Luiz Carlos Schmuler.
O prazo de 120 dias (três meses) previsto em contrato assinado com a prefeitura em maio do ano passado para a PJL construir os banheiros foi estendido por mais 270 dias (nove meses). No novo período, que termina em maio deste ano, a empresa deve resolver os problemas que ficaram em banheiros já instalados e construir novas unidades, para poder receber o dinheiro repassado pela Funasa.
A prefeitura justifica que não tem número suficiente de fiscais para acompanhar a execução de obras feitas por empresas que contrata e deu a entender que não sabia do descarregamento de material realizado pela PJL nesta segunda-feira. "A gente não tem como fiscalizar para ver tudo o que estão fazendo", revela a chefia de gabinete.
O CLMais procurou a PJL. Por telefone, uma mulher que se identificou como Laís, alegou que a empresa já procurou seu advogado para cuidar do caso e não deve falar com a imprensa. Ela também negou as acusações da prefeitura. Laís ainda acenou a possbilidade do advogado da construtora prestar esclarecimentos.
O agente da Polícia Civil no município, Alexandre Poroski, acompanhou os trabalhos iniciais do Instituto Geral de Perícias (IGP) de Lages sobre o corpo da criança. Ele observa que o corpo não tinha nenhuma lesão externa. "Morreu devido a uma pancada na cabeça. Pode ter sido a tampa que caiu sobre o corpo dela e na queda bateu a cabeça, como pode ter sido a tampa que caiu sobre a cabeça", explica.
O agente comenta que os funcionários da empresa ainda descarregavam as caixas para fossas quando o acidente aconteceu."Eles não tinham ido lá, deixado (o material) e saído. Eles ainda estavam descarregando, e enquanto estavam descarregando aconteceu o acidente".
Os dois funcionários foram ouvidos pelo agente da Polícia Civil e declararam que descarregaram as caixas das fossas e uma das tampas de concreto usadas para cobrí-las. Antes de voltarem do caminhão com a segunda tampa a menina tinha sofrido o acidente.
Os funcionários alegaram terem sido ameaçados por pessoas que se aglomeraram no local. Eles disseram ter saído de lá e ido direto à Polícia Militar no município.
Os dois confirmam que deixaram a primeira tampa de concreto descarregada (a que causou o acidente), escorada em um poste em frente à casa, como descreve o boletim da PM.
O IGP deve entregar o laudo com a causa morte à Polícia Civil, na semana que vem.
Como foi o acidente
A família da criança reside no interior de Bocaina do Sul e nesta segunda-feira visitava familiares no bairro Nossa Senhora Aparecida. Enquanto os pais conversavam com os donos da casa, no interior da residência, a menina brincava com o irmão de sete anos, do lado de fora.
Teriam sido os gritos do menino que alertaram sobre o acidente que vitimou a irmã.
Foto:Divulgação/Ilustrativa

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