domingo, 28 de abril de 2013

Um bairro com estrutura de Centro que já tentou se emancipar de Lages

Um bairro com estrutura de Centro que já tentou se emancipar de Lages

Lages, 29/04/2013, Correio Lageano, por Susana Küster




O Coral completa, nesta quarta-feira (01), 65 anos de fundação. Considerado um bairro-cidade por sua estrutura comercial, viária e econômica, está localizado em uma região que conta com 80 mil moradores e um comércio diversificado



Turistas e viajantes de passagem que chegam a Lages pelo bairro Coral, logo pensam: esse deve ser o Centro, mas logo percebem que as lojas acabam, o movimento diminui e as ruas tornam-se estreitas e se dão conta de que o Centro não é ali. Apesar de faltar somente um cartório, um posto da Semasa e da Celesc para o Coral ter tudo o que o Centro de Lages possui.


Nesta semana, o Correio Lageano publica diariamente diversas matérias sobre o bairro mais desenvolvido da cidade e que já tentou se emancipar, o Coral.



O bairro-cidade, que tem 65 anos, é circundado por 20 bairros que juntos totalizam 80 mil habitantes; possui 12 farmácias; seis redes bancárias; três supermercados; o primeiro hipermercado de Lages (que está em construção com previsão de inaugurar em novembro deste ano); seis postos de gasolina; duas concessionárias de automóveis e diversas borracharias; recapadoras de pneus; oficinas; autopeças; empresas de informática, confecções, calçados, eletrodomésticos, movéis e malharias.




Não é de hoje que o bairro tem autossuficiência, quando tinha 50 anos de existência, a comunidade coralina, isto é, as pessoas que moravam no Coral, se mobilizou para emancipar o bairro de Lages. Na época, a proposta não surtiu efeito ao Governo que teria que constituir o bairro em cidade e liberar muitos recursos para isso se efetivar.
Mesmo não conseguindo se emancipar, o bairro até hoje possui lojas de autopeças que não se encontram em outro local da cidade. Além disso, muitas pessoas moram e trabalham no Coral, sem ter necessidade de ir ao Centro.



O presidente da Associação de Moradores do Coral, Lauro Gomes, reivindica ao prefeito Elizeu Mattos, diversas melhorias no bairro, entre os pedidos estão um posto da Semasa, um da Celesc e um terminal urbano integrado para desafogar o tráfego do Centro e de vários bairros. “Não é justo o Coral render R$ 1,2 milhão por ano somente em IPTU e não ter as melhorias que necessita”, diz.



BR-2 fortaleceu crescimento do bairro e da região

O primeiro passo para o desenvolvimento do bairro Coral foi a BR-2, (atualmente, avenida Dom Pedro II). A via liga as regiões Sul e Norte, descendo a Serra Catarinense, em direção ao Litoral do Estado e também cruza o Rio Pelotas para chegar até o Rio Grande do Sul.



Além de ligar as várias outras cidades, a avenida antiga se conectava à Luiz de Camões e assim desviava o tráfego do Centro de Lages. Foi em função de sua construção, que no dia 1º de maio de 1948, a Companhia do Rosário de Abastecimento se instalou no bairro, que tem o nome Coral devido a este estabelecimento, que iniciou o desenvolvimento de toda a região e principalmente o bairro.



Taxista leva sua alegria contando suas piadas aos passageiros

“Quem vive no Coral, gosta mais daqui do que do Centro”, esta frase foi dita pelo taxista Benjamin Vargas Antunes, conhecido como Tio Bejo, mas é repetida pelos seus colegas, comerciantes e pela maioria dos moradores.



Tio Bejo, apesar de ter se aposentado, prefere continuar trabalhando, pois diz que trabalho é vida e não sacrifício. “Melhor ficar aqui, do que ficar em casa brigando com a mulher”, conta. Ele diz que no início da profissão de taxista levou muito calote de algumas mulheres que levava até as casas noturnas. “Elas saíam do táxi, diziam que iam pegar o dinheiro e nunca mais voltavam”, lembra, dando risada daquele tempo.



Apesar de ter histórias divertidas, ele recorda de um assalto à mão armada que sofreu. Mesmo com o susto, conta o fato se divertindo. “Dei uma de macho e bati nele, segurei e um outro cara chamou a polícia. Virei notícia, as pessoas vinham me perguntar o que aconteceu”.



O taxista diz que não ficou com medo de continuar na profissão. “Fiquei sabendo que o cara foi morto depois que saiu da cadeia. Aí fiquei mais tranquilo. No julgamento não quis que ele me visse. Ele podia me marcar. Hoje não trabalho mais à noite, mas de dia estou aqui direto”.





Fotos:Susana Küster

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