segunda-feira, 13 de maio de 2013

Polícia soluciona o crime contra idosos


Polícia soluciona o crime contra idosos
Lages, 14/05/2013, Correio Lageano, por Silviane Mannrich



O casal foi brutalmente assassinado em janeiro e o crime chocou a população lageana. A família clamava por justiça.




Josué Waiss Carlos, de 32 anos, e Edson Neri dos Santos, 28 anos, foram apresentados ontem como os autores do latrocínio cometido no dia 19 de janeiro, contra o casal de idosos Leonordo Martins Pedroso e Eloy da Silva Pedroso. Edson confessou que participou do crime, mas Josué nega a autoria.



Durante cerca de uma hora os policias da Divisão de Investigações Criminais (DIC) e os peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) fizeram a reprodução similar aos fatos. “Eles [policiais] viram a minha digital em uma geladeira que eu tinha comprado do casal e eu estou sendo suspeito de um crime que não cometi”, disse Josué.




Ele confirma que conhecia as vítimas. “Eu trabalhava ao lado e fui pegar a geladeira à noite, mas não lembro o dia. Comprei para pagar em duas vezes, foi R$ 200,00. Daí, eles [o casal] pediram para eu fazer a mudança de umas peças da casa e eu fiz. E foi isso”, afirma Josué.




Para a imprensa, Edson disse que já conhecia Josué, mas que não conhecia o casal. Também não confirmou a participação no crime. Mas em depoimento para o delegado Sérgio Roberto Souza, Edson disse que é coautor. “Durante esses meses, foi a nossa prioridade. Surgiram vários boatos, até mesmo que um parente das vítimas havia cometido o crime. Há quinze dias nós conseguimos prender o Edson com prisão temporária de 30 dias. Indagamos sobre o caso, a princípio resistiu. Recolhemos no presídio e ele ficou lá por duas semanas,” declarou o delegado.




Para a polícia, Edson contou como ocorreu os fatos. Ele é partícipe do crime e conhecia Josué. Os dois são usuários de crack e faziam pequenos frutos para adquirirem drogas.




Como Josué trabalhava ao lado da casa das vítimas, ele tinha conhecimento dos móveis e do dia a dia dos idosos. Eles combinaram de fazer  o furto na residência. Ele não soube precisar o dia exato que ocorreu porque Edson e Josué haviam ingerido drogas naquele dia.



Edson ficou vigiando a porta enquanto Josué entrava na casa. “O Edson foi quem  nos ajudou a esclarecer os fatos. E o que nos deu mais convicção foi um depoimento da mãe do Josué e a oitiva da namorada dele. Ele tentou guardar alguns objetos dentro da casa dela e ela se recusou.”



Entenda o caso



Leonordo Martins Pedroso e Eloy da Silva Pedroso foram encontrados mortos por dois filhos, na manhã de 19 de janeiro de 2013, na casa onde moravam, na rua Joaquim Waltrick de Oliveira, em Lages.



O homem estava no quarto do casal e a mulher estava na área de serviço. Um deles foi morto por esganadura e outro por estrangulamento.
Conforme a família, a casa estava toda revirada e foram levadas somente bijuterias. O Instituto Geral de Perícias fez o levantamento técnico na residência.




Reconstituição da cena


O crime aconteceu depois das 15h30min. Os dois saíram do bairro Habitação e foram caminhando até a casa das vítimas. Eles acreditavam que não havia ninguém na casa. Edson ficou 15 minutos na porta e disse que sentiu algo ruim e foi para esquina, esperou mais 10 minutos e voltou para a frente da casa.



Como Josué ainda não tinha saído da residência, Edson disse que sentiu algo ruim novamente e foi embora. No outro dia, Edson disse que procurou Josué pedindo a sua parte do roubo. Josué disse que ainda não havia vendido os produtos do furto. Não há detalhes da execução porque Josué não confessou o crime.



Suspeitos têm passagem


Desde o dia do crime Josué estava foragido. Ele foi preso na última quinta-feira, no bairro Habitação. Josué tem mais de 10 anos de cadeia, tem passagem por roubo, furto e tráfico. Edson foi preso por posse de droga e furto.



Denúncias ajudaram a investigação


O delegado Sérgio  Souza explica que conseguiu encontrá-los por meio de informações do disque denúncias e de testemunhas.  Nos dois últimos meses foram mais de 50 pessoas ouvidas. “Vamos concluir a investigação e com a reprodução simulada dos fatos iremos fazer um relatório e remeter ao inquérito”, destaca o delegado.



Os dois serão indiciados por latrocínio (roubo, seguido de morte). Eles têm   prisão temporária decretada. Agora, a temporária precisa ser convertida em preventiva.
“Depois de mais de quatro meses, nós temos convicção da autoria desse crime tão bárbaro que chocou a nossa comunidade.



A não preservação do local do crime dificultou o nosso trabalho. A preservação do local é imprescindível para o trabalho da Polícia Civil, porque nós trabalhamos com prova técnica e com a coleta de informações”, afirma a delegada regional da polícia civil, Luciana Rodermel.



Alívio para a família



Liane Pedroso Aguiar é filha do casal e sente-se aliviada com a resolução do crime. “Nada vai trazer eles de volta, mas tenho a sensação que a justiça foi feita. A tristeza ainda vai continuar por muito tempo, mas estou mais tranquila, porque falaram que poderia ter sido um dos familiares.



Nós sabíamos que não seria ninguém da família, mas nos sentimos aliviados”, comenta Liane. Ela destaca, também, o trabalho realizado pelos policias da DIC. “Eles e os peritos foram muito atenciosos, nos deram apoio e foram humanos na investigação”, declara Liane.



Fotos:Silviane Mannrich

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