Bom Retiro, 14/05/2013, Correio Lageano, por Adecir Morais
Réu confesso, Francisco Vieira da Silva foi preso cerca de oito horas depois de matar a namorada em Bom Retiro
O sonho de vencer na vida da ajudante de cozinha Darciane Menegassi Morais, de 29 anos, foi interrompido um pouco antes da meia noite de domingo (12). A jovem foi assassinada com 13 facadas pelo companheiro, Francisco Vieira da Silva, o “Paraíba”, de 32 anos. O crime ocorreu no Loteamento Capistrano, em Bom Retiro, na Serra.
Natural de Santa Cruz (PB), Paraíba foi preso na manhã de ontem, perto do local do crime, onde estava escondido em uma casa abandonada. Após ser ouvido, foi trazido ao Presídio Regional de Lages, onde está à disposição da Justiça. Ele foi indiciado por homicídio, cuja pena varia de seis a 12 anos de prisão.
O velório foi realizado no salão da Igreja Santa Luzia, no Loteamento Capistrano, onde parentes e amigos se despediram da vítima, que morava com Paraíba na casa da mãe, Salete Manegassi, havia seis meses. O sepultamento será hoje à tarde no cemitério local.
“Ela era uma ótima menina, trabalhadeira e caprichosa. Recentemente tinha conseguido um emprego no mesmo restaurante que eu trabalho e estava muito feliz. Só pensava em vencer e ser alguém na vida”, contou a mãe, em lágrimas.
Para ela, o crime foi motivado por ciúme. O casal havia se separado na última sexta-feira. No sábado, porém, os dois reataram o relacionamento e a vítima resolveu ficar com o companheiro naquela noite.
O colega de infância da jovem André Sousa lembrou que ela era educada, alegre e extrovertida. “Era uma amigona e gostava de uma gelada (cerveja). Esperamos que quem fez isso (homicídio) seja punido”, comentou o rapaz. Darciane deixou dois filhos pequenos, de um e 12 anos de idade, de outros dois casamentos; além da mãe, pai e dois irmãos.
Paraíba confessou o crime
O crime ocorreu no alojamento usado por operários de uma plantação de pinus no município. Segundo a delegada responsável pelo caso, Raquel de Souza Freire, o casal ingeria bebida alcoólica na casa de dois colegas de Paraíba. Em depoimento à polícia, o suspeito confessou o crime e disse que atacou a mulher porque a flagrou abraçada a um dos moradores do alojamento.
Com isso, Paraíba discutiu com a mulher, enquanto os dois homens saíram. Ele foi até a cozinha, apanhou uma faca e desferiu 13 golpes na vítima. Quando os homens retornaram, encontraram a vítima caída e com a faca cravada no abdômen. O suspeito fugiu e a vítima chegou a ser socorrida, mas morreu no caminho para do hospital.
Segundo a delegada, sete testemunhas já foram ouvidas. Suas versões fecham com as declarações dadas por Paraíba, que não tem antecedentes criminais. O inquérito será concluído e encaminhado à Justiça. Para a delegada, além do ciúme, o álcool foi determinante para a morte.
Ameaça é crime mais comum
A violência contra a mulher em Bom Retiro, um município de cerca de 10 mil habitantes, segundo a delegada Raquel de Souza Freire, é motivo de preocupação. Segundo ela, a cidade tem um grande número de boletins de ocorrências registrados na delegacia. Apesar disso, afirma que a Polícia Civil vem trabalhando forte para resolver todos os casos.
“O maior problema é o crime de ameaça, que pode levar a outros crimes mais graves. Temos vários inquéritos instaurados sobre este tipo de crime, mas estamos logrando êxito nas investigações. Já fizemos até prisões com base na Lei Maria da Penha”, destaca.
Segundo ela, o combate à violência contra a mulher é um das prioridades da Delegacia de Bom Retiro. Nesse sentido, ela pede que a população ajude denunciando os casos. “A ajuda é importante para que possamos reduzir a incidência de crimes contra a mulher em nosso município”, finaliza, ela que trabalha no município há menos de um ano.
Mais brutalidade contra as mulheres
Está não é a primeira vez que Bom Retiro é cenário de crimes brutais envolvendo mulheres. Em abril de 2009, Fernanda Schmidt, de 18 anos, que estava grávida de sete meses, teve o corpo carbonizado e esquartejado.
A jovem morava com a mãe, proprietária de um bar, e teria saído de casa para ir ao encontro do namorado, de 16 anos. Ela foi encontrada na estrada de acesso à localidade de Paraíso da Serra, distante cerca de três quilômetros do Centro da cidade.
Em dezembro de 2008, Mariza dos Santos Deucher, de 43 anos, foi assassinada a tiros em uma ação que resultou, ainda na morte de outros dois homens, dentre eles, o seu marido, Apolinário Deucher, de 44 anos. O crime ocorreu na BR-282, em direção a Alfredo Wagner.
Fotos:Adecir Morais de reprodução
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