terça-feira, 11 de junho de 2013

Área verde no bairro Santo Antônio vira depósito de entulhos

Área verde no bairro Santo Antônio vira depósito de entulhos
Lages, 12/06/2012, Correio Lageano, por Joana Costa



No bairro Santo Antônio, terreno está coberto por lixo. Para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, problema é complexo


A área verde do bairro Santo Antônio, na rua Maria Arlene da Luz, virou um depósito de entulho. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente reconhece que existem muitos depósitos irregulares de lixo da construção civil e lixo doméstico na cidade, mas afirma que o problema é difícil de ser resolvido.




Moradores da região, que preferem não se identificar, reclamam que, frequentemente, observam caçambas, caminhões e carros depositando o lixo, seja doméstico ou da construção civil, no local. “Tem um tratorzinho que às vezes vem aqui, empurra os entulhos para o meio para caber mais, e joga até animais mortos ali”, declara uma moradora. Como a área é íngreme, o medo é que pela ação da chuva o entulho desmorone, soterrando casas da parte baixa do bairro.



O secretário de Meio Ambiente, Mushue Hampel Vieira, reconhece o problema, mas afirma que é muito difícil recuperar todas as áreas da cidade que servem como depósito ilegal. “A gente limpa o local, dá quatro ou cinco dias, vai lá e tem lixo de novo”, relata.
Para ele, isso é uma falta de respeito, lembrando que as equipes da secretaria não conseguem atender toda a demanda. “Estamos fazendo o trabalho de patrulha, junto com a Polícia Ambiental, para autuar essas pessoas”, acrescenta.



O sargento da Polícia Militar Ambiental, Odacir Cesar dos Santos, destaca que quem faz deposito de lixo de construção civil ou doméstico em área irregular pode ser multado e ainda responder por processo. “É uma atividade potencialmente poluidora, por isso nesses casos é instaurado o procedimento administrativo (multa) e criminal (termo circunstanciado)”, explica.



No entanto, a dificuldade em comprovar a autoria do crime é um agravante, especialmente nas áreas públicas. “Não tem como saber quem jogou”. Nos particulares são os donos que respondem e fazem a limpeza.



Diante dessa dificuldade, o coordenador regional da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), Willy Brun, orienta donos de terrenos que viram depósitos, bem como a prefeitura, a cercar as áreas para impedir que terceiros acessem esses locais. “Se tiver algum material ali, como latas de óleo, metal, tinta, vai poluir o meio ambiente, cair no solo, no rio, e vai até o aquífero”, completa.



Lixo não foi retirado no Caça e Tiro



No último dia 21, o Correio Lageano mostrou que o lixo estava se amontoando em área verde no bairro Caça e Tiro, próximo ao rio Carahá. Na ocasião, a Secretaria de Meio Ambiente foi informada sobre o problema e prometeu tomar providencias. Ontem o CL retornou ao local e o lixo ainda permanecia ali.



Reaproveitando tijolos e concreto


O vigia Eliseu Luiz Teles reaproveita parte do entulho que encontra. “Todo mundo joga aqui”, conta, enquanto recolhe tijolos inteiros que encontra no lixão irregular do bairro Santo Antonio. Ele lembra que cada tijolo novo custa R$ 1, por isso, prefere reaproveitar o material do entulho para pequenas reformas em casa.



A Incopedra recicla o lixo da construção civil. Ela recebe as caçambas com os dejetos, faz a triagem e o reaproveitamento dos materiais. Melvy Almeida Neto é um dos sócios da empresa e explica que elemento, como tijolos e concreto são triturados, peneirados e compactados. “Eles podem voltar para a cadeia da construção”, afirma.



O local tem 380 mil m² de depósito e nada é aterrado. A empresa recebe 60 m³ de lixo doméstico misturados a restos de construção. Segundo Neto, esse material é separado e encaminhado à reciclagem. “Nós embalamos e mandamos para a Serrana, que faz esse serviço”, afirma.




Fotos: Joana Costa

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