quarta-feira, 19 de junho de 2013

Namorada e amante teriam matado policial

Namorada e amante teriam matado policial
Correia Pinto, 20/06/2013, Correio Lageano



O crime teria ocorrido para os dois poderem ficar com o dinheiro do seguro do carro e a pensão. DIC continua investigação




Em coletiva na sede da Delegacia Regional da Polícia Civil de Lages, a delegada Luciana Rodermel relatou aos jornalistas, na tarde de quarta-feira (19), um caso que poderia fazer parte das mais trágicas histórias contadas nos livros de Nelson Rodrigues.




Amor, traição, ganância e suspeita de homicídio resumem a vida do policial civil Ari dos Santos, 41 anos, que teve o corpo encontrado na cena de um acidente de trânsito, na BR-116, em Correia Pinto, na noite de segunda-feira.



De acordo com suspeitas dos policiais da Divisão de Investigação Criminal (DIC) da Polícia Civil de Lages, a causa da morte do colega não teria sido o acidente e sim um homicídio cometido pela própria namorada Maharish Blue Amaral da Silva, 39 anos, e do amante dela, Geovan Brasil de Oliveira, 40 anos. Os suspeitos foram apresentados ontem e responderão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e furto, podendo cumprir até 30 anos de prisão.



As suspeitas sobre a causa da morte de Ari começaram quando os policiais foram ao local do acidente e encontraram o colega no banco de trás do carro. Ele estava desacordado e a namorada havia fugido.




Trabalha-se com a hipótese de que o policial tenha sido envenenado, o que será comprovado com o resultado dos exames. Luciana Rodermel afirmou que o médico legista adiantou que a causa da morte foi anemia aguda, causada por hemorragia interna por ruptura de baço e fígado.




O policial teria sido agredido na casa da namorada e colocado desacordado no banco traseiro do. Quando dirigia o carro da vítima, transportando o corpo para forjar um acidente em um sítio em Bandeirinhas, interior de Correia Pinto, Maharish saiu da pista e quando retornou o carro foi atingido por um caminhão.




A manobra que resultou no acidente, provavelmente ocorreu quando conversava com o amante que estava num Monza, estacionado às margens da rodovia. O caminhoneiro que dirigia o caminhão envolvido no acidente informou que foi ajudar Maharish a sair do veículo, mas ela fugiu com Geovan.




Os dois retornaram para Lages e o resgate da concessionária da rodovia, Autopista Planalto Sul, levou o policial para o hospital, onde ele morreu.




No hospital, Maharish negou estar no carro de Ari na hora do acidente e foi desmentida pelo caminhoneiro que a reconheceu na delegacia. Foram encontrados pela polícia, na casa dela, seringas, remédios e materiais de limpeza. A delegada diz que não há dúvida de que os dois cometeram o crime, porque ambos se colocam nos locais dos fatos.



Causa da morte de agente segue indefinida


A assessoria de imprensa da Autopista diz que a ambulância da concessionária socorreu Santos ainda com vida, depois que o motorista do caminhão pediu socorro.



O médico plantonista da emergência do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, Rodrigo Reis, diz que o policial deu entrada no setor em parada cardiorrespiratória.



O médico explica que ao examinar Santos notou que ele não tinha sinal de pulso. Mesmo assim, continuou a executar as manobras de reanimação que a equipe da Autopista estava fazendo. “Infelizmente, ele não respondeu, porque há no mínimo 15 minutos estava em parada cardiorrespiratória”, explicou o médico.


O Instituto Geral de Perícias (IGP) em Lages divulgou que a morte do policial foi por anemia aguda causada por hemorragia interna.



A delegada Regional Luciana Rodermel disse que a suspeita é de que o policial tenha sido envenenado, fato que será comprovado com os resultados dos exames. “O médico legista adiantou que a causa da morte foi anemia aguda, causada por hemorragia interna por ruptura de baço e fígado”, completou.



Suspeitos negam crime



Os dois suspeitos, Maharish Blue Amaral da Silva e Geovan Brasil de Oliveira, negam o crime jogando a autoria um para o outro.



Ela diz que Geovan entrou na casa dela agredindo Ari. Depois disso, ela conta que ele a forçou a ir para a rodovia. “No carro estava o Ari, eu e mais uma pessoa que disse que íamos morrer carbonizados”, conta.



Já Geovan, conta que quando chegou na casa de Maharish, encontrou Ari morto. “Ela me disse que ele tinha espancado ela e que tinha dado remédio para ele”, diz. Ele afirma que estava dirigindo na BR-116 para um sítio na localidade Bandeirinhas e que não teve participação no crime. “Ela sabia onde eu estava e foi atrás de mim”.



Fotos: Adecir Morais e Susana Küster

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