Lages, 20 e 21/07/2013, Correio Lageano, por Joana Costa
A história que o Correio Lageano contará é totalmente desprovida de charme, como prometia o personagem principal da reportagem quando a propaganda era permitida. E só não é uma história de insucessos do começo ao fim porque alguns poucos ganham dinheiro ao e vendê-lo.
Ela parte de uma simples observação nas ruas de Lages, onde se percebe centenas de pessoas com o cigarro aceso, soltando baforadas. Mesmo com uma escassez de informações científicas, basta uma rápida observação pelo Centro para se ter certeza que o lageano fuma demais, muito acima de populações de outras cidades.
Nas últimas semanas, a reportagem do CL observou locais, ouviu gente na rua e médicos para entender porque as pessoas fumam tanto nesta cidade. Mesmo a céu aberto, as ruas mais parecem os cafés portenhos ou parisienses, sem o aroma do café, apenas com o odor forte da fumaça e do sarro impregnado nas roupas. Há um outro local em Santa Catarina que, aparentemente, fuma-se tanto quanto em Lages: no Terminal Central da Integração de Florianópolis, onde mulheres, de longe, são as que mais fumam.
Os relatos que se seguem são chocantes. Um dos entrevistados, Lindomar de Oliveira Vargas, declarou que chegou a fumar cinco carteiras de cigarro num único dia. Lindomar carrega os efeitos de pessoas que vivem encarceradas pelo vício.
O fumo em Lages salta aos olhos, mas há pontos da cidade onde a concentração é maior. A galeria Doutor Acácio, após o almoço, torna-se uma chaminé. São pessoas que aguardam a hora de retornar ao trabalho e aproveitam o tempo para se deliciar no cigarro.
Nos dois calçadões há também uma quantidade impressionante de fumantes que sentam nos bancos para descansar ou passeiam com o cigarro entrelaçado aos dedos.
No terminal urbano, há um mês, a Prefeitura de Lages, precisou realizar uma ação forte.
No terminal urbano, há um mês, a Prefeitura de Lages, precisou realizar uma ação forte.
Abordou centenas de pessoas que estavam fumando onde não deveriam, e os fiscais explicaram, individualmente, os males do tabaco e solicitaram que apagassem o cigarro.
Lages é uma cidade fria. Situada numa das áreas mais altas do Brasil, é até natural que postos de saúde e consultórios médicos sejam constantemente procurados por pessoas com problemas respiratórios.
Lages é uma cidade fria. Situada numa das áreas mais altas do Brasil, é até natural que postos de saúde e consultórios médicos sejam constantemente procurados por pessoas com problemas respiratórios.
Pneumologistas ouvidos pela reportagem são categóricos ao afirmar que, sim, seus consultórios são muito procurados, mas ressaltam que pelo menos a metade dos pacientes busca ajuda médica nesta área em decorrência do cigarro.
Estudo revela dado alarmante: em cada 10 adultos, três fumam
Uma das poucas pesquisas locais a respeito do cigarro foi desenvolvida pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac). O trabalho é datado de 2009, mas atualíssimo. Constatou-se que 30,1% da população lageana é fumante, quase o dobro da média nacional, que é de 16,8%.
A pesquisa detalha quem são os fumantes, e aí salta outra informação assustadora: o cigarro pega parelho nas faixas etárias e entre homens e mulheres. O que faz diferença é o grau de instrução. Neste item, quem tem 12 anos ou mais de estudo está bem abaixo da média local, mas apenas levemente abaixo da média nacional. A partir daí, os percentuais são assombrosos. A maior concentração de fumantes está entre os que estudaram apenas cinco a oito anos. Nessa faixa, o percentual é de 41,7%.
A mestra Miriam Kuhnen é uma das envolvidas no estudo. Ela ressalta que o percentual de fumantes lageanos é “bem alto”, pois no país há uma redução no número de pessoas que fumam. O trabalho ouviu gente entre 20 e 59 anos.
Entre as pessoas que ouviu, a reportagem observou que o cigarro está presente na vida dos lageanos desde cedo, até na infância, como é o caso da dona de casa Guiomar Sacco, que catava xepas para fumar.
Entre os homens, a experimentação do tabaco está ligada a uma espécie de prova de masculinidade. Miriam Kuhnen trabalha com a hipótese do elevado número de fumantes estar relacionado à baixa renda da população. “É a desesperança, falta de perspectiva de vida melhor, e o cigarro é uma válvula de escape para elas”, interpreta.
A declaração da pesquisadora está baseada no capítulo dos rendimentos. Conforme o estudo feito, dos fumantes entrevistados, 41,9% têm renda familiar per capita entre 0,51 e 0,88 salário mínimo.
Como alguém pode emendar um cigarro atrás do outro
Entre os fumantes, há histórias horripilantes, como a do caminhoneiro aposentado Lindomar de Oliveira Vargas, de 45 anos, que começou a fumar aos 14 anos, numa época em que estar com o cigarro entre os dedos era sinônimo de “poder”. “A gente achava bonito fumar, se achava o tal, o maioral. Hoje é diferente, e meninas preferem um rapaz que não fuma”, afirma ele.
Longe do cigarro há quatro anos, Lindomar chegou a fumar cinco carteiras de cigarro em um único dia. “Eu acordava e a primeira preocupação era o cigarro. O cigarro é o consolo do fumante, é uma bengala”, afirma.
O caminho não poderia ser outro, e o aposentado precisou de ajuda médica. Buscou um programa do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (Caps-Ad), e conseguiu superar o vício. Precisou de medicamentos, de muita força e de quem estava ao seu lado, especialmente de pessoas que passavam pela mesma situação.
A relação de Saulo Inácio Pereira, de 58 anos, com o cigarro também é traumática. Agora, ele está conseguindo parar de fumar. Frequenta as reuniões do CapsAd, onde troca experiência e faz artesanato. Já conseguiu reduzir as três carteiras de cigarro por dia para menos de uma. Já o pacotinho de fumo para o palheiro, que antes durava menos de 24 horas, é o suficiente para uma semana.
Ele também foi dependente de álcool e deixou de beber há dois anos. Começou a fumar aos 16 por influencia da família. “Eu vivia na roça, todo mundo fumava, eu achava bonito e comecei também.”
A PESQUISA
Percentual de fumantes em Lages por grupo
Sexo
- Masculino 31,5%
- Feminino 28,7%
Faixa Etária
- 20 a 29 anos 23,7%
- 30 a 39 anos 32,5%
- 40 a 49 anos 35,8%
- 50 a 59 anos 30,1%
Cor
- Branca 27,5%
- Negros e pardos 34,2%
Anos de estudo
- 12 anos ou mais 15,8%
- 9 a 11 anos 25,2%
- 5 a 8 anos 41,7%
- 4 anos ou menos 37,9%
Fonte: Tabagismo e fatores associados em adultos: um estudo de base populacional. 2009. Revista Brasileira de Epidemiologia, página 621.
Nem o câncer aplacou o cigarro
As histórias que serão narradas nestas duas páginas são aterradoras. É de duas mulheres que experimentaram no cigarro o prazer, mas quando a idade avançou veio a conta. Uma das personagens já é morta e a outra precisou ter um dos pulmões extirpado para que conseguisse sobreviver. Esta e a família da outra concordaram em dar estes depoimentos para evitar que mais lageanos passem pelo mesmo caminho.
O primeiro caso é o da aposentada Erodete Terezinha Muniz, de 67 anos, e que se tornou um número nas estatística nacionais em maio do ano passado, quando recebeu o diagnóstico de que estava com câncer no pulmão esquerdo, após fumar por 45 anos.
Como um filme de suspense, os efeitos do tabaco foram aparecendo aos poucos. Aos 60 anos, Erodete ouviu do médico que estava com um enfisema pulmonar. Foi alertada de que, se continuasse a fumar, o problema poderia evoluir para algo mais grave, mas o sinal foi ignorado por dona Erodete, já presa ao vício.
Seis anos após o diagnóstico do enfisema, a aposentada voltou a se sentir mal, algo decorrente de uma forte gripe. Foi ao médio, que pediu exames. No papel estava a sentença: um pequeno tumor no pulmão esquerdo.
Ela foi operada para que o problema não evoluísse, mas os exames não haviam revelado tudo. O pulmão esquerdo de Erodete estava sendo devorado pela doença. “Quando os médicos abriram, viram que estava tudo tomado”, conta ela. A única saída era a mutilação.
Nem o choque provocado pelo câncer e a extração de um dos pulmões fez a aposentada se livrar do cigarro. Reduziu a quantidade diária, mas se manteve presa ao vício. “Antes de eu ir para a cirurgia pedi ao médico que ele me deixasse fumar só mais um cigarro”, lembra.
Erodete nasceu no campo, onde trabalhou grande parte da sua vida. Todos na família fumavam e foram os próprios pais que lhe ensinaram a manufaturar os primeiros cigarros de palha. “Desde nova, nunca tinha ficado um dia sem cigarro”, conta.
Ela passou por quimioterapia e radioterapia, sofreu paradas respiratórias, ficou internada no hospital e chegou a pesar 30 quilos, debilitada pela doença. Hoje, em recuperação, Erodete tem crises de falta de ar. Para esquecer a dependência da nicotina, borda toalhas. “Essa é a minha terapia”, explica. Apesar de ter sido devastada pelo tabaco, a aposentada insiste em fumar pelo menos um cigarro por semana.
A filha Josiane Muniz Ortiz afirma que a mãe sente que não há mais nada a ser feito. “Ela fumou a vida inteira e continua. Acha que já passou por tudo aquilo, então pode continuar, mas ela não pensa nas pessoas que estão com ela, que cuidam dela”, desabafa.
Para o marido, Valdemar Muniz, 72 anos, a escolha de fumar é de Erodete. “Eu acho que ela que tem que escolher o que quer”, resigna-se Valdemar.
A mãe que elegeu como meta de vida ver os filhos crescerem
A outra história é de Vera Maria da Silva, e começa pelo fim. Ela morreu em 1999, após quase 15 anos de luta contra um câncer pulmonar e de cirurgias e quimioterapia. Quem conta o calvário percorrido por Vera são os familiares, como um alerta aos fumantes.
Enquanto os médicos tentavam reverter o quadro de Vera Maria, ela própria buscava forças onde já não tinha para se manter viva e ver os filhos crescerem. O hoje empresário Fabrício Dill tem 39 anos e era um menino em 1985, quando a mãe descobriu que estava doente. Na época, ela tinha 33 anos.
Fabrício lembra que um exame de raios-x mostrou que os tumores haviam tomado os pulmões da mãe. O estado da doença era tão avançado que a médica chegou a acreditar que o exame havia sido trocado no laboratório. “A médica que disse que o exame não era dela, porque se fosse, ela estaria morrendo”, lembra.
Depois da confirmação do diagnóstico, Vera Maria foi encaminhada a Curitiba, onde fez quimioterapia. O tratamento a deixava debilitada. Gabriele Dill da Silva, hoje com 32 anos, tinha 18 quando a mãe faleceu. “A nossa infância e adolescência foi toda convivendo com a mãe em volta de idas e vindas para o tratamento”, recorda.
Apesar do sofrimento, Vera sempre lutou para não demostrar para os filhos o que sentia e, nos anos de tratamento, conseguiu ter momentos de uma vida normal. Segundo os filhos, foi a força de vontade que a fez conviver com o câncer por quase 15 anos. “Ela tinha a meta de nos encaminhar”, enfatiza Fabrício.
Como tantos, Vera Maria começou a fumar na adolescência. E fez isso por achar bonito. Quando descobriu que estava doente, parou imediatamente de fumar as duas carteiras diárias que consumia. O marido também deixou de fumar e o hábito foi abolido na família, mas já era tarde.
Foi num jantar em família que Vera passou mal. Ela se afogou, teve falta de ar e parada respiratória. Dias antes, havia consultado. Na conversa disse ao médico que o seu desejo, após saber do câncer, era viver o suficiente para ver Gabriele chegar aos 10 anos de idade e que a filha já estava com 18. Com essa vitória, Vera estabeleceu uma nova meta: ver o seu primeiro neto nascer. Desta vez não deu. O bebê nasceu 11 dias depois do último jantar em família.
É mais difícil parar com o fumo do que com álcool e cocaína
O psicólogo Paulo Panatto é quem coordena o programa, no Centro de Atenção Psicossocial para Adultos (Caps-Ad), que reúne pessoas que desejam parar de fumar. Ele observa que a maioria dos casos que chegam ao Centro de Atenção tem mais de 30 anos. “Eles estão conscientes do que pode acontecer, estão orientados pela mídia, pelos médicos e pela própria embalagem do cigarro”, afirma.
Segundo Panatto, a nicotina está entre os piores vícios e em alguns casos é mais fácil deixar o álcool, a maconha, cocaína, o crack do que o cigarro. Trata-se de uma dependência química cujo tempo de abstinência é muito curto. “Há histórias de pessoas compulsivas que acendem um cigarro depois do outro.”
A nicotina acalma e propicia prazer a quem a consome. Porém, o efeito tem curta duração. O médico Jemerson Pereira ressalta que menos de 20% dos fumantes conseguem largar o cigarro sozinhos. Seu colega Cássio Rafael de Melo afirma que a motivação e a força de vontade são essenciais para quem deseja largar o vício.
Os medicamentos que auxiliam a cessar o tabagismo fazem a ansiedade e a compulsão pelo cigarro diminuírem, bem como o efeito da nicotina sobre o sistema nervoso central, mas precisam ser utilizados com o acompanhamento médico. “Quando a pessoa que fuma vários cigarros por dia se vê sem a nicotina, entra em abstinência, igual a síndrome de abstinência de drogas, de álcool”, completa.
O caminho a ser percorrido para abandonar o cigarro
Os consultórios de médicos pneumologistas de Lages e o Centro de Atenção Psicossocial para Adultos (Caps-Ad) estão apinhados de fumantes, e o quadro apenas reflete aquilo que se vê pelas ruas. Os especialistas não dispõem de estatísticas próprias, mas todos os ouvidos pela reportagem do Correio Lageano foram categóricos em responder que mais da metade dos casos que atendem não se refere a doenças respiratórias decorrentes do intenso frio serrano, como era de se esperar, mas dos efeitos do tabaco.
Quando o fumante traga, ingere com a fumaça 4,5 mil substâncias tóxicas, como alcatrão, polônio 210 e urânio (estes últimos radioativos). Junto com esta carga devastadora, há 43 agentes comprovadamente cancerígenos.
Em Lages, o Caps-Ad faz um trabalho forte com viciados que desejam se libertar do cigarro. A ação do Caps é como uma luta entre o frágil Davi e o gigante Golias. Mas no caso do cigarro, Golias não morre, pois os efeitos devastadores do tabaco, apesar de serem atenuados com o tratamento, acompanham o fumante ao longo dos anos.
Caps-ad
O programa começa com uma entrevista com psicólogo, que faz o diagnóstico. Depois, o fumante é encaminhado a grupos de apoio, num modelo semelhante ao alcoólicos anônimos, no qual cada um conta a sua história com o cigarro, o que o levou ao vício e por que ele deseja parar.
As reuniões são semanais e em cada encontro, o fumante recebe uma meta, que é diminuir a quantidade de cigarros por dia, até parar completamente. As conquistas são apresentadas em grupo, e cada fumante relata as técnicas que usou para desviar a atenção e dispersar a compulsão pelo tabaco. Mudar rotina, alimentação, deixar de lado o cafezinho ou o chimarrão que, via de regra, vêm acompanhados das tragadas, são algumas das sugestões do psicólogo Paulo Panatto, que acompanha os grupos.
Vício atinge especialmente os menos informados
O alto índice de fumantes em Lages está longe de ser um problema da população pobre. Até é verdade que o tabagismo está mais presente entre as classes C e D, mas não porque estes têm menos dinheiro, mas por possuírem menos informação, conforme pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), um dos poucos trabalhos locais nesta área.
O psicólogo e responsável pelo programa de cessação do tabagismo do Caps-Ad, Paulo Panatto, não tem números para comprovar, mas atesta que são as pessoas da classe C as que mais procuram o ajuda. “É falta de informação, de ter o que fazer. As donas de casa fumam mais no período da tarde, porque de manhã estão fazendo algo”, relata Panatto.
Fumo supera o frio lageano em doenças pulmonares
O pneumologista Cássio Rafael de Melo não tem dúvida de que o cigarro é o maior causador de doenças pulmonares em Lages. Diferente do que a maioria leiga pensa, o frio não aparece como causador de doenças, mas como um elemento que agrava os casos em que o tratamento não está sendo feito de forma adequada.
“Tem muita confusão, um pouco mito em relação ao frio. Ele não causa nenhuma doença pulmonar, mas piora um problema pré-existente que não seja bem tratado”, explica o especialista.
Conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pulmão é o mais comum de todos os tumores malignos no Brasil, e 90% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados de tabaco.
Por ano, mais de 21 mil brasileiros morrem por câncer pulmonar. Em 2010, foram 13.677 homens e 8.190 mulheres, conforme estatística do Inca. O pneumologista Dalazen Pereira reforça que o cigarro é o principal causador de doenças de pulmão na população lageana.
Ele estima que pelo menos a metade dos pacientes que atende no seu consultório médico tem doenças pulmonares decorrentes do tabaco. “Atendo pessoas que pararam de fumar há 20 anos e têm DPCO (Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas). Tem a ver com o tabaco, o tanto que fumou e não o tempo que está sem fumar”, ressalta Dalazen Pereira.
Problemas
- A fumaça provoca alterações no organismo do fumante: aumenta a pressão arterial, os batimentos cardíacos e a constrição dos vasos sanguíneos.
- Isso faz o coração bater com mais força e, com o passar do tempo, cresce o risco do fumante desenvolver problemas cardiovasculares, como infarto, angina e doenças coronárias.
- O pulmão é um órgão que se desenvolve ao longo da vida, atingindo o ápice por volta dos 25 anos e começa a perder sua capacidade a partir dos 30 anos. “Quem começa a fumar antes dos 25 anos não vai atingir ápice, e a queda é muito mais rápida. Quem começa a fumar depois dos 25 atinge o ápice, mas a queda é mais rápida do que quem nunca fumou”, explica o pneumologista Jemerson Davalin Pereira.
Fotos: Joana Costa
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