terça-feira, 23 de julho de 2013

Permissões para abate de javali aumentam

Serra Catarinense, 24/07/2013, Correio Lageano




Após flagrantes de caça de javali sem permissão e os esclarecimentos encaminhados à imprensa, em menos de duas semanas vários interessados procuraram a Polícia Militar Ambiental (PMA), de Lages. Do dia 3 até ontem, 27 permissões foram concedidas em Lages, sendo que no ano passado o número foi de apenas quatro.



Somente na circunscrição da PMA de Lages, que compreende os municípios de Capão Alto, Campo Belo do Sul e São José do Cerrito, foram expedidas desde 2011, 66 autorizações para o abate de javali.



A Ambiental estima que somente em 2013, mais de mil animais sejam abatidos na região. Este número é o resultado de avaliações feitas com base em relatórios que as pessoas autorizadas apresentam à PMA, em função dos abates já realizados nos anos de 2011 e 2012.



Apesar do abate legalizado, o médico veterinário e gerente regional da Cidasc, José Joni Waltrick, explica que a carne não pode ser vendida. “Os javalis selvagens capturados no mato, não são inspecionados e a maneira como são abatidos é no chão, onde tem muita sujeira”, comenta Waltrick.



Mesmo Santa Catarina sendo área livre de febre aftosa sem vacinação, emitido pela Organização Internacional de Saúde Animal, a carne do javali é suscetível às doenças que também atacam o porco e o gado.




Entre as principais enfermidades estão a tuberculose, brucelose e toxi-infecções em geral. “Somente criações autorizadas podem vender esta carne”, completa. O atirador profissional Giovanni Zanella diz que é indispensável que os produtores abatam legalmente. “Existe uma ideia de que não é necessário.  Mas isso é um problema, porque outros animais podem ser abatidos e o proprietário pode sofrer punição pela Polícia Ambiental”, alerta. Zanella e sua equipe possuem certificado de registro no Exército.



Agricultores sofrem com as perdas




Na região, as cidades que mais têm problema com ataques de javali são Capão Alto, Campo Belo e Cerro Negro. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Capão Alto, Sebastião Osni Amaral, conta que neste ano pelo menos 40 propriedades foram atacadas pelos animais. “Algumas lavouras foram completamente destruídas, outras tiveram 50% de perda”, lamenta.



Ele ressalta que o abate é necessário e acredita que vai ser difícil o pequeno produtor se manter, se os ataques de javalis continuarem. “Eles comem o adubo das pastagens que é caro para o produtor comprar”, finaliza.



Quem tiver interesse em abater o animal, que destrói lavouras com sua força, é preciso levar a documentação na Polícia Ambiental com o pedido de abate, descrevendo o local e o nome de um atirador profissional que possa realizar o serviço na propriedade.


Foto: Divulgação

Nenhum comentário: